sábado, 5 de agosto de 2017

Durante julgamento, advogado acusa desembargador de pedir propina de R$ 700 mil


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Desembargador Eduardo Gallo ofendido em plena sessão
Deu no Espaço Vital
O advogado catarinense Felisberto Odilon Córdova acusou diretamente o desembargador Eduardo Gallo Mattos Júnior de pedir propina de R$ 700 mil para julgar favoravelmente uma ação na 1ª Câmara de Direito Civil, em Florianópolis. O caso ocorreu na tarde desta quinta-feira (3) durante a sessão de julgamento. Durante sua sustentação oral, o advogado Córdova se referiu diretamente ao desembargador Gallo, relator do processo, e afirmou: “O julgamento que está acontecendo aqui é comprado. Eu estou fazendo uma denúncia. Esse cidadão foi abordado com uma proposta que veio do Rio de Janeiro, para receber R$ 500 mil, R$ 250 mil antes, R$ 250 mil depois, e o descarado chegou a mandar para o nosso escritório, que poderíamos cobrir isso por R$ 700 mil” – afirmou.
Demonstrando profunda inconformidade, o advogado gesticula e chega a bater em seus próprios óculos que caem. E prossegue: “Isso aqui não é a Câmara dos Deputados, isso aqui é um Tribunal de Justiça, e é preciso que a moralidade surja e venha a termo”.
GRAVAÇÃO – Um vídeo foi gravado com celular por um circunstante – e circula pelas redes sociais, tendo também sido postado no Youtube. As imagens e o áudio revelam que o advogado se referiu ao desembargador com os termos “safado” e “vagabundo”.
O magistrado retruca, dirigindo-se ao presidente da câmara: “Eu não vou admitir que um advogado me chame de vagabundo e que Vossa Excelência não tome providências. Eu nunca passei por isso na minha vida, eu tenho 25 anos de magistratura. Eu requeiro a prisão do advogado”.
Nesse instante há a intervenção de terceiros (parecem ser advogados e um servidor da Casa) que procuram acalmar o advogado e o conduzem para fora da sala de sessões. O advogado – antes de sair – ainda diz: “vou quebrar a tua cara”.
SUSPEIÇÃO – Em seguida, o desembargador Artur Jenichen Filho – que seria o vogal no julgamento – se manifestou pela “necessidade de refletir sobre uma eventual suspeição, diante dos gravíssimos fatos imputados da tribuna, em face da afirmação de que o julgamento estaria comprometido”.
Para resolver o impasse, o presidente do colegiado, desembargador Raulino Brunning, pediu vista dos autos, suspendeu o julgamento e mandou oficiar ao Ministério Público e à OAB-SC para acompanharem o caso.A assessoria de imprensa do TJ-SC informou que o presidente em exercício do tribunal, Alexandre d’Ivanenko, “está ciente dos fatos e irá analisá-los para tomar as providências cabíveis”. O tribunal informou ainda que não há impedimento para que a sessão seja filmada, e que a própria Câmara tem por hábito fazer o registro em vídeo.
A OAB catarinense afirmou em nota que vai “apurar os fatos e tomar as providências cabíveis”. O presidente da entidade, advogado Paulo Brincas, anunciou que hoje vai instaurar uma comissão que será presidida por ele, para apurar os fatos.
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