sexta-feira, 9 de junho de 2017

Indústria baiana encolhe e economista detona: ‘Estamos defasados’


A Bahia apresentou o maior recuo no setor em 2017, frente os 14 estados brasileiras pesquisadas; para Sélia Barreto, faz-se necessária uma política macroeconômica

Fernanda Lima / BAHIA.BA
Foto: Mateus Pereira/ GOVBA
Foto: Mateus Pereira/ GOVBA

A produção industrial apresentou 0,7% de queda na Bahia em abril, em relação a março deste ano, conforme levantamento divulgado nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia de Estatística (IBGE). No acumulado desde janeiro, o estado apresentou o maior recuo no setor em 2017, entre as 14 unidades federativas pesquisadas.
Doutora em Administração e professora de Orçamento e Finanças da Universidade Federal do Recôncavo (UFRB), Sélia Barreto creditou o decréscimo, em entrevista ao bahia.ba, a “uma tendência nacional”. “Embora tenha tido um crescimento no PIB, o país tem encolhido. Nesta crise econômica, mês a mês, podemos acompanhar isso. A produção evidentemente irá cair. A gente precisa do Estado, talvez ainda mais do que necessitamos da União. É necessário que o governo federal nos estimule, pois precisamos de políticas macroeconômicas”, declarou a economista.
Ela não exime, no entanto, o Executivo e o Legislativo da obrigação de formular políticas que visem a incentivar a economia local. “É muito preocupante o quadro baiano. Pernambuco está crescendo muito e nós estamos somente ao redor. Temos a terceira população do Brasil e nossa renda só consegue ser maior do que a do Piauí. É a antepenúltima renda per capita do Brasil”, criticou.
Carlos Henrique Jorge Gantois, 1° vice-presidente da Federação das Indústrias baiana (Fieb), também avaliou, em conversa com a reportagem, o contexto como reflexo do colapso nacional, mas defende que o poder central considere o Nordeste de forma diferenciada em relação ao eixo Sul-Sudeste. “Não podemos ter o mesmo tratamento dessas regiões. Se isso for feito desta forma, nossa capacidade ficará comprometida, como está”, considerou, ao defender as reformas trabalhista e previdenciária como caminhos para frear a crise.
Gantois ainda pontuou a importância estratégica dos micro, pequenos e médios produtores para a superação do cenário. “É necessário, cada vez mais, apoiar essa parcela. É preciso mais crédito, por exemplo. Posso dizer que a Fieb tem feito o papel dela e tentado voltar ao crescimento, que já é esperado para o próximo ano”, finalizou.
A expectativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) é de que o Produto Interno Bruno (PIB) do Brasil  cresça, em 2018, 1,7%. A previsão para a Bahia no mesmo período, segundo a Fieb, é mais modesta, e varia de 0,5% a 1%.

Nenhum comentário:

Postar um comentário