domingo, 25 de junho de 2017

Esquema montado para abafar a Lava Jato realmente já está caindo no ridículo


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Charge do Tacho (Jornal NH)
Carlos Newton
Na Praça dos Três Poderes, o clima atual é de guerra, porque a operação para abafar a Lava Jato está sendo desfechada em várias frentes, abrangendo os três poderes ao mesmo tempo, mas os resultados têm sido decepcionantes. Para cada batalha vencida, como o julgamento da chapa Dilma/Temer no Tribunal Superior Eleitoral, surgem derrotas sucessivas e desmoralizantes, como a votação da validade da delação da JBS, que fez o ministro Gilmar Mendes perder a linha em plenário quando o resultado chegou a 6 a 0 e a continuidade da Lava Jato estava garantida, nem adiantava pedir vista e sentar em cima.
BANCADA DA CORRUPÇÃO – Essa guerra não é uma iniciativa solitária do Planalto, pois envolve toda a chamada “bancada da corrupção”, que é amplamente majoritária no Congresso Nacional e tem apoio entusiasmado de ministros, governadores, prefeitos, deputados estaduais e vereadores.
A execução dos ataques é bastante diversificada, mas a coordenação da estratégia é feita pelo Planalto, que tem utilizado todo o seu extraordinário poder de mobilização, mas não está conseguindo êxito.
TUCANO À FRENTE – A mais recente investida no Supremo, por exemplo, ficou a cargo de um dos governadores que apoiam a bancada da corrupção, o tucano Reinaldo Azambuja, do Mato Grosso do Sul. A abertura do processo foi bastante criativa, reconheça-se, mas embarrou na indignação da maioria dos ministros do STF, que já não suportam mais as armações de Gilmar Mendes.
Aliás, será este mesmo Supremo que irá julgar os recursos da Rede, do PSDB e do Ministério Público Eleitoral contra o arquivamento das ações para cassar a chapa Dilma/Temer. A bancada da corrupção ganhou apenas o primeiro assalto (a palavra é exatamente esta), ainda falta terminar a luta.
Na semana passada, houve outra derrota, com a rejeição do parecer a favor da reforma trabalhista pretendida pelo Planalto.  A Comissão de Assuntos Sociais do Senado da Câmara mostrou independência. Além disso, dez senadores decidiram se declarar independentes e irão votar sem seguir orientação das lideranças.
ELEIÇÕES DIRETAS – Na Câmara, outro revés, desta vez na Comissão de Constituição e Justiça, cujo presidente Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) não aceitou interferências do governo e pautou para terça-feira, dia 27, a votação do parecer favorável às eleição diretas.
Dois dias depois, na sexta-feira, mais problemas, com a entrega do laudo da Polícia Federal sobre a gravação do Joesley Batista, comprovando que não houve cortes nem fraudes. De posse do laudo, o procurador-geral Rodrigo Janot  capricha no parecer em que pedirá a abertura de processo contra o presidente Temer, por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.
REAÇÃO PATÉTICA – Está tudo dando errado e a reação do governo foi ainda mais patética, com o neoministro da Justiça anunciando que vai afastar o diretor-geral da Polícia Federal, a pretexto de “reorganizar” a instituição.
Vejam que maluquice: para esvaziar a Lava Jato, Torquato Jardim quer “reorganizar” a única corporação que realmente funciona no país e se transformou num solitário exemplo de eficiência, que passou a ser seguido por setores do Ministério Público, da Justiça e da Receita Federal. Portanto, o ministro demonstra uma desfaçatez estarrecedora. Age como se todos os brasileiros estivessem imbecilizados.
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