sexta-feira, 23 de junho de 2017

Cuidado com a alimentação nas festas juninas


O amendoim, por exemplo, é rico em potássio, ferro, zinco, vitamina C

por
Matheus Fortes
Publicada em TRIBUNA DA BAHIA
Celebração que tem identidade própria no nordeste brasileiro, o São João tem como um de seus principais atrativos a culinária típica. Com muitos quitutes feitos à base de milho e do amendoim, além de ter o acompanhamento do licor, a cozinha junina é um paraíso para quem aprecia os pratos à base desses vegetais, mas, pode ser também um pesadelo para a saúde, caso seja consumida em excesso e sem seletividade.
De acordo com a nutricionista Laia de Freitas, que é coordenadora de nutrição da Clínica de Obesidade, o mais importante ao curtir os festejos é se preparar antes, consumindo alimentos mais leves e menos calóricos antes dos eventos. “Os alimentos do período junino são super saudáveis, contem vitaminas, fibras, mas também são ricos em carboidratos, por isso o que deve ser pensado é uma redução de danos”, explica.
O amendoim, por exemplo, é rico em potássio, ferro, zinco, vitamina C, e fibras, porém, ao se consumir 100g dessa leguminosa (o equivalente a uma xícara de chá), a pessoa está consumindo 500 calorias. A orientação de Laila é fazer antecipadamente uma seleção dos pratos que irá consumir durante o festejo, no objetivo de não consumir exageradamente.    
“Não devemos ser bitolados. Não existe milho fit. É uma questão de quantidade e qualidade. Os alimentos do período junino sempre virão acompanhados do seu valor nutricional e calórico. Por isso, o trabalho nutricional que fazemos durante esse período é da redução de danos – ou seja, para manter aquela conquista que a pessoa havia conseguido ao perder a massa”, explica Laila.
Outra recomendação que pode ajudar na redução de danos é a mudança de alguns ingredientes para fazer o prato típico desejado. Uma sugestão da nutricionista para o mingau de milho, por exemplo, é prepará-lo com leite desnatado e canela, que ajuda no controle da glicemia e no esvaziamento gástrico, garantindo a sensação de saciedade por mais tempo.
A canjica, por sua vez, sendo derivada do milho, tem os mesmos nutrientes do grão, que são a vitamina A, ferro, cálcio, proteínas, além dos carboidratos. Outra dica valiosa é não consumir esses derivados exageradamente, visto que a maioria do milho produzido no Brasil é transgênico e facilitam processos inflamatórios que reverterão em gordura essas substâncias misteriosas ao organismo. Alegrando os festejos, o licor também deve ser consumido com parcimônia. “O primeiro fator que devemos lembrar é que o licor é uma bebida alcoólica, e tem a tendência de desidratar o corpo. Por isso, é importante repor a água: a cada 50 ml de licor, busque tomar pelo menos 200 ml de água”, orientou.

Doenças

É necessário lembrar também que os alimentos típicos do festejo junino também são ricos em açúcares, e levam em sua composição, ingredientes como leite e manteiga, o que, são ricos em ácidos graxos poliinsaturados, que aumentam o colesterol, importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como o infarto e o acidente vascular cerebral (popular derrame).
O cardiologista Yuri Dias, chama a atenção ainda para os quitutes salgados ao exemplo do amendoim, que podem aumentar a pressão arterial e piorar doenças cardíacas pré existentes. Porém, ele salienta que o conceito de saúde inclui a alegria de viver e que, consumir esses saborosos alimentos com parcimônia, uma vez ao ano, durante as festividades juninas, não acarreta complicações para a saúde, chegando a ser recomendável.
 Além dos cuidados, aproveitar o São João também pode envolver a queima dessas calorias consumidas. “O espírito junino não está só na fartura das comidas típicas. É possível aproveitá-lo de outras formas, queimar calorias através do forró, fazer um equilíbrio no qual a gente tem a sensação de não estar perdendo alguma coisa”, destacou a nutricionista Laila de Freitas.  

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