Bom post de Rodrigo Constantino sobre a entrevista concedida pelo cineasta Clint Eastwood à Esquire:
Clint Eastwood não é durão apenas nos filmes; quando resolve falar de política, ele não tem papas na língua. Todos lembram da cena
do ator e diretor com uma cadeira vazia representando Obama, que foi
questionado de uma maneira que a imprensa, que deveria ter esse papel,
recusa-se a fazer.
Dessa vez o ator saiu em defesa de Donald Trump numa entrevista,
uma vez mais contrariando a quase hegemonia de esquerda em Hollywood.
Para Clint, Trump acerta em alguns pontos importantes, principalmente ao
falar o que pensa. Para o ator, todos estão cansados dessa ditadura
politicamente correta, ainda que de forma secreta, sem coragem de
expressar o que pensam de verdade.
“Essa é
uma geração puxa-saco em que estamos agora”, afirma sem rodeios, como de
praxe. Uma “pussy generation”, diz ele, algo que poderia ser traduzido
como “geração mulherzinha, afeminada, covarde”. Todos estão pisando em
ovos, com cautela demais, preocupados em não ofender nada ou ninguém (a
menos que seja um republicano conservador, claro). Ele define essa
geração como aquela que diz “oh, você não pode fazer isso, não pode
fazer aquilo, não pode dizer isso”. Diz ele:
Vemos
pessoas acusando os outros de serem racistas e todos os tipos de coisas.
Quando eu cresci, essas coisas não eram chamadas de racismo. E então
quando eu fiz Gran Torino, meu parceiro disse: “Este é realmente um bom
roteiro, mas é politicamente incorreto”. E eu disse: “Ótimo. Deixe-me
lê-lo hoje à noite”. Na manhã seguinte, eu entrei e joguei-o em sua mesa
e disse: “Vamos começar isso imediatamente”.
O mérito
de Trump, portanto, seria dizer o que vai pela sua cabeça, sem tanto
medo. De vez em quando ele diz besteiras, reconhece o ator, mas em
outras ocasiões ele diz coisas importantes. Clint Eastwood afirma que
não precisa concordar sempre para reconhecer de onde Trump vem e qual
papel ele exerce com essa postura. Isso não quer dizer apoio à sua
candidatura. O ator não conversou com Trump ainda, e não está endossando
candidato algum por enquanto.
O que não
o impede de admitir as vantagens de Trump mexer com esse politicamente
correto, nesses “tristes tempos” em que vivemos. E quando a
entrevistadora limita suas opções entre Trump e Hillary, ele confessa
que iria de Trump, pois ela “declarou que vai seguir os passos de
Obama”. Mas isso não quer dizer que esteja contente com essas
alternativas. Todos seriam “entediantes”, como é entediante escutar
“toda essa merda”. E não é mesmo?
BLOG ORLANDO TAMBOSI

Nenhum comentário:
Postar um comentário