MEDIÇÃO DE TERRA

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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O imortal Jeca Tatu e os seus causos mirabolantes


Cine UFG exibe a partir de hoje mostra em homenagem a Amácio Mazzaropi, ícone do cinema nacional
JORNAL O HOJE | Por: Luiz Redação
Clenon Ferreira

Jeca Tatu era um capiau ingênuo, mas com doses de malícia, em cujos filmes, itens como racismo e preconceitos eram tratados
Jeca Tatu era um capiau ingênuo, mas com doses de malícia, em cujos filmes, itens como racismo e preconceitos eram tratados
‘O meu nome é Amácio Mazzaropi, e não Amâncio. Nasci ali na rua Vitorino Camilo, número cinco, em 1912, e fui batizado na Igreja de Santa Cecília. Meu pai era italiano e minha mãe, filha de portugueses. Comecei a trabalhar cedo, fazendo papel de caipira, que estava na moda. Para falar a verdade, comecei de brincadeira. Gostaram, bateram palmas. Gostei, fui continuando. É isso a minha profissão: sou cai­pira.”
A definição que o cineasta Amácio Mazzaropi fez de si mesmo, alguns anos antes de sua morte, abre um leque de ideias para entender qual é o seu papel na produção cinematográfica do País. O paulista dirigiu, em meio à ascensão da televisão no Brasil, 32 filmes, sendo que em sua maioria ele próprio fez o papel do Jeca, um homem do interior rural do Brasil, de calças remendadas, camisa xadrez e fala cheia de sotaque.
Um dos personagens mais importantes do cinema nacional, Mazzaropi arrastou Jeca por por gerações e até hoje é reverenciado por sua filmografia. É por isso que a partir de hoje, 25, o Cine Cultura exibe uma mostra especial com filmes do diretor. São 15 produções que reiteram a qualidade visual criada por Mazzaropi, recordistas absolutas nas bilheterias brasileiras, nos anos 60 e 70.
Um dos maiores sucessos de Mazzaropi, Jeca Contra o Capeta, por exemplo, foi produzido em Taubaté, interior de São Paulo, em 1975. O longa conta a história de uma cidadezinha em que um bandido famoso é morto e as suspeitas de assassino caem sobre o filho de Mazzaropi. Agora, ele tem que provar que não é o malfeitor. Como na maioria de seus filmes, a produção se sustenta com as desventuras de Jeca, ingênuo, mas com doses de malícia. O resultado é um personagem que conquista.
A mostra ainda exibe as outras grandes produções Betão Ronca Ferro, exibido hoje; Jecão… Um Fofoqueiro no Céu; O Lamparina; Zé do Periquito; O Puritano da Rua Augusta; O Corintiano; As Aventuras de Pedro Malazartes; Tristeza do Jeca; O Jeca e A Égua Milagrosa; Candinho; O Jeca Macumbeiro e As Aventuras de Pedro Malazartes.
O destaque fica por conta do clássico Jeca Tatu, comédia de 1959, escrito e dirigido por Milton Amaral e estrelado por Mazzaropi. O roteiro é baseado no personagem Jeca Tatu de Monteiro Lobato, mais especificamente no texto propagandístico com Jeca Tatuzinho. Durante a produção são apresentados diversos números musicais, como Ave Maria, cantada por Lana Bittencourt; Tempo Para Amar, com os irmãos Tony Campello e Cely Campello; Estrada do Sol, com Agnaldo Rayol; Fogo no Rancho e Pra Mim o Azar é Festa, ambos cantados pelo próprio Mazzaropi.
De forma geral, as histórias contadas pelo paulista abordam o preconceito, o racismo, a religião e, principalmente, a política, com simplicidade e bom humor. Mazzaropi nasceu no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. Aos 14 anos, deixou a casa paterna, à revelia dos pais, para acompanhar o Circo La Paz. Em 1935, criou a sua Companhia de Teatro de Emergência, que atuava no chamado Pavilhão Mazzaropi, um barracão de zinco que montava e desmontava. A mostra em sua homenagem vai até o dia 19 de setembro e há duas sessões diárias.

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