Candidato do PSB morreu em 13 de agosto em acidente durante campanha.
Segundo jornal, PF apura se avião foi comprado com dinheiro de caixa 2.
A candidata do PSB, Marina Silva, em vista à feira nordestina em São Paulo (Foto: Fábio Tito / G1)Após visita ao Centro de Tradições Nordestinas, na capital paulista, Marina foi questionada sobre reportagem publicada no jornal "Folha de S.Paulo" deste domingo que afirma que a PF suspeita de caixa dois na aquisição da aeronave. Conforme o jornal, agentes constataram que a empresa dona do avião está em recuperação judicial e que foi feito um compromisso de compra da aeronave por uma empresa que aparentemente é de fachada.
Além disso, há suspeita de irregularidade por parte do PSB, que não declarou em sua primeira prestação de contas parcial a doação do serviço da aeronave ou o gasto com o serviço, conforme mostrou reportagem do jornal "O Globo" da última sexta (22). Pela lei, a declaração deve ser feita até o fim da campanha, caso contrário as contas podem ser rejeitadas.
Pouco depois, o candidato a vice na chapa, Beto Albuquerque, puxou para si a fala. "Sobre esse assunto, prefiro falar eu. (...) Eu não sei o que a Polícia Federal está falando. Se ela está falando, ela tem que apurar antes de falar. A PF tem que investigar e, quando decidir falar, tem que estar com a coisa concluída. Eu quero dizer que o partido prestará explicações a todos vocês, ao Brasil, sobre as condições em que [o avião] foi comprado", afirmou.
Além disso, Albuquerque cobrou respostas das investigações da queda do avião que matou Eduardo Campos e mais seis pessoas, afirmando que tanto o PSB quanto a população brasileira aguardam por isso.
Compromisso com Nordeste
A candidata comentou ainda sobre a visita ao Recife na véspera, o primeiro ato oficial de campanha após registrar a candidatura na Justiça Eleitoral. Ela disse que, se eleita, manterá programas sociais e atuará para o desenvolvimento econômico do Nordeste.
"Ontem estivemos em Pernambuco reiterando o nosso compromisso com a aliança liderada por Eduardo Campos e hoje nós estamos aqui em um lugar característico à entrada dos nordestinos, que tiveram que migrar de sua região para outras regiões do país. Eduardo havia assumido um compromisso de fazer uma visita, e eu e Beto quisemos honrar esse compromisso. [...] Nesse sentido, nosso compromisso em políticas como o Bolsa Família é o de manutenção desse programa, entendendo que ele é uma conquista da sociedade brasileira. No nosso governo, nós queremos mantê-lo e aperfeiçoá-lo", disse Marina após visitar o Centro de Tradições Nordestinas.
Ela afirmou que o Nordeste "não é um problema, é uma solução" e destacou compromisso com a conclusão da Transposição do Rio São Francisco para o desenvolvimento da região e frisou que é possível investir em energias alternativas, como a energia solar.
Na chegada ao evento, Marina Silva foi recebida por apoiadores, entre eles Isaura Maria de Melo Souza. Vestida como cangaceira e portando uma réplica de espingarda, ela declamou um poema para a candidata: "A conheço muito bem, desde o tempo de menina / "Ela ama nosso povo e a colônia nordestina / Vai ser grande presidente nossa querida Marina".
'Renovar' a política
Marina Silva também falou sobre as alianças partidárias e disse que, se eleita, não atuará com "toma lá, dá cá". Na véspera, no programa do horário eleitoral, ela já havia criticado a prática da troca de apoio por cargos.
"Eu e o Eduardo defendíamos a ideia de que nós queremos renovar a política. Isso é o desejo da sociedade brasileira, que já não consegue perceber a forma como o governo foi em relação à cultura dos partidos e até ao governo de governança. A governança é estabelecida a partir de 'toma lá, dá cá'. [...] No nosso governo, nós queremos uma governabilidade problemática, onde aqueles que vão nos ajudar de diferentes partidos façam essa contribuição a partir dos problemas."
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