Para receber pensão, Luiza precisa comprovar internação em hospital.
Audiência debateu pensões concedidas aos isolados compulsoriamente.
Luiza lembra das dificuldades que teve devido a doença. (Foto: Veriana Ribeiro/G1)Vinda de um seringal no interior do Acre, Luiza foi internada em um hospital na capital em 1984. "Me separei do meu marido exclusivamente para me internar no 'leprosário', mas eles não estavam internando. Fiquei sem casa, sem dinheiro, aí me juntei com um peão. Fomos pra outro seringal. Uns dois anos depois ele comprou um quartinho no quintal da tia e me deixou lá, isolada. Me dava dinheiro pra sobreviver, eu não tinha aposentadoria, nada. Estava doente e com os pés cheios de feridas", lembra.
Foi para debater situações como a da aposentada que o MPF realizou uma audiência pública. A intenção é obter dados e informações sobre a política de isolamento que eram submetidas as pessoas com hanseníase até a década de 1980. As informações colhidas vão subsidiar a atuação do órgão sobre as regras das pensões concedidas aos atingidos pela doença.
Luiza mostra as marcas da doença(Foto: Veriana Ribeiro/G1)
Ele explica que existe uma lei, que prevê uma pensão para as pessoas que foram isoladas compulsoriamente em hospitais colônias para o tratamento de hanseníase. No Acre, existiam dois centros, um em Rio Branco e outro em Cruzeiro do Sul. Porém, existem pessoas que ficaram isoladas fora desses hospitais colônias, em seringais ou colônias no interior do Acre ou outros tipos de hospitais.
"O MPF está verificando se essa diferenciação feita pela lei, de pessoas que ficaram em hospitais colônias compulsoriamente e as que não ficaram, é razoável ou não. Se for concluído que não é razoável, se verá quais as medidas adequadas para a situação", afirma Pedro Henrique.
Audiência foi realizada pelo MPF nesta quarta-feira (Foto: Veriana Ribeiro/G1)Ele conta que foram enviadas pelo movimento, no Acre, cerca de 700 processos, mas pouco mais de 500 pessoas foram beneficiadas. "Outro grupo não conseguiu encontrar documentos daquela época", afirma Dias.
Para o representante, os depoimentos de médicos que atenderam os pacientes naquele período também deveriam servir como comprovação. "Se não existe mais documentos, que a gente traga os médicos da época, que atenderam as pessoas no momento do isolamento, para que o processo dessas pessoas venham a ser deferidos", acredita.
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