Para mudar de ramo, ele faz estágios de um mês com grandes chefs.
Projeto 'Quero ser cozinheiro' já fez paradas em Belém, Rio e SP.
Leo Gonçalves largou a publicidade para sercozinheiro (Foto: Leo Gonçalves/Arquivo pessoal)
Mas seu objetivo não era conhecer museus ou outras atrações turísticas: desde março, quando pôs o pé na estrada, ele tem passado a maior parte do seu tempo na cozinha dos melhores restaurantes do país.
Leo, que cozinha “desde que se entende por gente”, já teve um bistrô em sua garagem e foi blogueiro de gastronomia.
Quando decidiu transformar o hobby em profissão, não foi atrás de uma faculdade ou de um emprego comum. Preferiu se oferecer para trabalhar de graça por um período para chefs que admirava, em vários estados do Brasil e até no exterior.
“Como já estou com 36 anos e não tenho muito tempo, decidi aprender o máximo que eu puder em cada lugar. Quero ter experiências diferentes, conhecer novos ingredientes, novas culturas”, diz.
Depois foi para o Rio estagiar com Roberta Sudbrack e em seguida para Belém, onde conheceu os bastidores do Remanso do Bosque, dos irmãos Thiago e Felipe Castanho.
Agora ele está fechando acordo com restaurantes de Buenos Aires e de Lima, e pensa em tentar um estágio na Dinamarca, caso consiga patrocínio – até agora, o investimento na viagem vem de suas economias.
Leo (no centro) com os chefs Thiago (à esq.,) eFelipe Castanho, do restaurante Remanso do
Bosque, em Belém
(Foto: Leo Gonçalves/Arquivo pessoal)
Leo tenta chegar em cada cidade alguns dias antes do início do estágio e fica no local um pouco mais depois que o trabalho acaba.
Em geral, passa um mês e meio em cada lugar, tempo que permite que ele conheça tanto atrações turísticas quanto um pouco do dia a dia dos moradores. Em Belém, por exemplo, deu a sorte de testemunhar o Círio de Nazaré, famosa festa popular da região.
Ele conta que aproveita todo o tempo livre que sobra para passear. “Nas segundas-feiras de folga eu nunca fico em casa”, conta. E diz que, na busca por conhecer a gastronomia de cada lugar, acaba “vasculhando todos os cantos da cidade, conhecendo seus costumes e seus personagens”. “A comida é uma das maiores manifestações culturais de cada povo”, completa.
O publicitário-cozinheiro costuma se hospedar em quartos alugados ou na casa de amigos e, depois que acaba cada estágio, divide-se entre São Paulo, onde mora a esposa, e Fortaleza, onde mora seu filho.
As fotos e os relatos dos bastidores de cada trabalho são publicados em uma página no Facebook e em uma conta no Instagram, onde ele quer mostrar "o dia a dia da cozinha, que não tem glamour". "Todo mundo acha que o cozinheiro faz foie gras e come foie gras, mas na verdade ele come arroz com linguiça”, conta, rindo.
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