Walter, de 64 anos, aguarda leito para retirada de nódulo cancerígeno.
Barros Barreto afirma que cirurgia será realizada até o final desta semana.
Hospital Barros Barreto receberá R$ 1,7 milhão de investimentos (Foto: Elielson Modesto / O Liberal)Walter Silva da Rocha começou a fazer os exames em abril de 2013 e a primeira cirurgia para constatar se era um nódulo cancerígeno ou não foi marcada para o mês de maio. Segundo os familiares do paciente, a cirurgia foi adiada até agosto, quando Walter foi diagnosticado com neoplasia na laringe. Devido o local e o tamanho do nódulo, o idoso sofre com as dores e dificuldades para comer e respirar.
Ainda segundo Elaine, o caso de Walter é grave, porque ele é cardiopata. “Ele já fez três pontes de safenas e uma mamária, então, quando tem insuficiência respiratória, incha o coração. A cada dia que passa, fica pior, ele está tomando remédio para dor, sem controle, porque doí muito. O próprio médico falou que o procedimento era de urgência, um caso grave por causa da insuficiência respiratória. Eu estou vendo a hora de acontecer uma coisa pior dentro de casa, porque a gente não tem para onde recorrer”, conta Elaine.
Dificuldades no diagnóstico
Elaine, filha do paciente, afirma que o diagnóstico só foi possível com a realização de outros exames feitos em clínicas particulares. “Nós fizemos tudo particular para ser o mais rápido possível porque se fossemos esperar pelo hospital ia demorar muito”. Ainda segundo Elaine, uma cirurgia foi marcada para a retirada de um pedaço do nódulo e avaliar se o paciente será submetido aos tratamentos de quimio e radioterapia, ou se será necessário retirar o nódulo por completo com as cordas vocais. Para esta cirurgia, o paciente também aguarda por leito.
Posicionamento
O Hospital Universitário João de Barros Barreto informou que, em relação ao paciente Walter Silva da Rocha, o leito reservado na área de cirurgia não foi liberado no dia 14 de novembro pelo agravamento do quadro de outro paciente, que foi internado de forma emergencial.
O caso de Walter é classificado como cirurgia eletiva, quando pode ser reagendada, e por isso foi solicitado à família que aguardasse o reagendamento. O hospital afirmou ainda que a cirurgia será realizada esta semana e o paciente deverá ser internado nesta terça-feira (19), até às 14h.
Questionado sobre as constantes faltas de leito, o hospital Barros Barreto afirmou que essa situação não é um caso isolado deste hospital, mas ocorre de uma forma geral nos hospitais do Pará. Em nota, o Barros Barreto alegou que o Pará ainda sofre de carência de leitos em muitas especialidades, como de cabeça e pescoço, na qual o caso do paciente em questão se enquadra.
"O Pará dispõe de poucos leitos, não pela falta específica leitos físicos, mas de profissionais, já que o Pará possui apenas quatro cirurgiões atuando nesta área pelo Sistema Único de Saúde (SUS), dois operam no Barros Barreto, o que infelizmente torna mais demorado o atendimento aos pacientes”.
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