Os setores com melhor desempenho devem ser os de agronegócio, exportação, saúde e construção civil
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará, nesta quinta-feira (27), a Pnad Contínua. De acordo com análise do professor da Fipecafi, Silvio Paixão, o resultado mensal será positivo, com uma taxa de desocupação de 13,8%, o que representa um índice abaixo de 14 milhões de pessoas desempregadas.
O especialista comenta o motivo desta expectativa positiva para a Pnad. “É esperado que a população desocupada seja inferior ao recorde histórico, que é de 14,4 milhões, e seja levemente abaixo de 14 milhões, o que indica um resultado muito próximo do número registrado no trimestre anterior. Essa expectativa decorre da recuperação econômica experimentada a partir de dezembro de 2020”, destacou.
Alguns setores devem se destacar neste resultado da Pnad, de acordo com Paixão. “Os setores vinculados ao agronegócio, exportação, saúde e construção civil devem ser aqueles que trarão boas notícias, enquanto que se espera que os demais setores permaneçam estáveis. Eventualmente, os setores de comércio e bens duráveis podem apresentar tendência negativa”, disse.
Em relação ao impacto do índice para a sociedade e a economia brasileira, o professor da Fipecafi explica quais pontos devem ser mais afetados. “O impacto mais significativo permanecerá na renda da população, junto com a escassez de crédito, que permanece caro, e funcionarão como inibidores de recuperação da economia. A falta de perspectiva de criação mais robusta de vagas de empregos inibirá o investimento de empresários antes que o desejável aumento de consumo possa se tornar indicador de tendência mais consubstanciada de recuperação da economia pelo lado doméstico. O que estimula, pelo lado externo, tem sido a valorização das commodities, em geral, pois somos vistos como grandes exportadores, especialmente das commodities agrícolas e minerais”, ressaltou Paixão.
No resultado da Pnad do último mês, a população desalentada atingiu um recorde da série histórica, 6 milhões de pessoas. Paixão acredita que é preciso ações do estado para reverter a situação. “Esse grupo de pessoas, em face especialmente da sua pouca capacitação técnica, poderá ter alterada sua condição atual. Disso decorre uma necessária ação do estado para assumir soluções de resgate, manutenção e de recuperação, criando condições de recolocação e absorção das mesmas em atividades produtivas”, finalizou.
Sobre a Fipecafi
A Fipecafi foi fundada em 1974 por professores do Departamento de Contabilidade e Atuária da FEA/USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo) e atua desde então como órgão de apoio institucional ao departamento. Dentre seus principais objetivos estão: a missão de desenvolver e promover a divulgação de conhecimentos da área contábil, financeira e atuarial, organizar cursos, seminários, simpósios e conferências, prestar serviços de assessoria e consultoria e realizar pesquisas, atendendo entidades dos setores público e privado. Mais informações: https://fipecafi.org/.
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