Postado em 07/01/2018 9:47 DIGA BAHIA!
A
falta de chuvas de 2017 vai pesar no bolso dos consumidores em 2018.
Após um ano com um volume de afluências abaixo da média, que levou a um
elevado consumo de energia a partir de usinas térmicas, mais caras, a
tarifa de luz deve subir em um ritmo maior neste ano. E isso mesmo
considerando que o atual período chuvoso, iniciado em novembro, tem se
mostrado mais favorável. As projeções variam, mas os reajustes das
tarifas de energia devem superar os 10%, em média. Uma parcela
significativa desse reajuste vem do aumento do custo da energia,
pressionado pelo déficit hidrológico (GSF), estimam especialistas. Pelos
cálculos da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o
déficit hidrológico médio de 2017 ficou em 79%, o que significa que as
hidrelétricas geraram 21% menos do que o volume de energia que tinham
direito de comercializar. Para compensar a menor geração hídrica, foram
acionadas termelétricas, que produzem uma energia mais cara, gerando
custo adicional para o sistema. Esse custo deveria ser coberto pela
receita proveniente das bandeiras tarifárias, mas tendo em vista o alto
preço da energia de curto prazo registrado ao longo do ano, justamente
pela geração térmica, o valor arrecadado não tem sido suficiente para
fazer frente às necessidades. A Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel) chegou a elevar o valor da cobrança adicional com o acionamento
das bandeiras, a partir de novembro, e ainda liberou um recursos
proveniente de um outro encargo, a Conta de Energia de Reserva (Coner),
de maneira a reduzir o descompasso entre gastos e receitas. Ainda assim,
a projeção é de déficit significativo. Pelas regras do setor, quando a
receita com as bandeiras tarifárias não é suficiente para cobrir os
custos, as distribuidoras arcam com compromisso e, no momento do
reajuste, o saldo dessa conta entra no cálculo da tarifa, de forma a
zerar os passivos. Considerando os dados até novembro, a Aneel indicou
um saldo negativo de R$ 4,8 bilhões para compensação futura, por meio
das bandeiras tarifárias ou dos reajustes mensais. A estimativa da
Associação de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) indica que o
déficit das distribuidoras com o custo hidrológico deve somar cerca de
R$ 4,3 bilhões em 2017. A leve redução deve ser possível tendo em vista
que em dezembro vigorou a bandeira vermelha patamar 1, que adiciona R$ 3
a cada 100 KWh consumidos, gerando receita para a Conta Bandeiras, ao
mesmo tempo em que o déficit hidrológico e os preços da energia de curto
prazo foram menores que o de meses anteriores. No entanto, para
janeiro, a Aneel definiu que a bandeira tarifária é verde – sem custo
extra para os consumidores -, reduzindo o montante arrecadado na conta
bandeiras. Com isso, o passivo a ser repassado para as tarifas pode ser
maior. A consultoria Thymos Energia estima que as distribuidoras que têm
reajuste no primeiro semestre – empresas como Cemig, Enel, Light e
algumas concessionárias da CPFL, por exemplo – terão um reajuste entre
10% e 15%. “O que vai acontecer é que esse saldo não vai ficar zerado e
esse acúmulo, bem acentuado por conta de GSF baixo com PLD alto, vai
puxar a componente de CVA”, explica o presidente da Thymos, João Carlos
Mello, referindo-se à Conta de Compensação de Variação de Valores de
Itens da Parcela A, um mecanismo que calcula as variações de valores de
custos não gerenciáveis (Parcela A) ocorridas entre reajustes tarifários
anuais das distribuidoras de energia. Na data do reajuste anual, se a
CVA estiver negativa, há repasse desse montante para tarifa. Se a conta
estiver positiva, o saldo é usado para abater o reajuste anual das
tarifas. Diego Aspeé, consultor da Thymos, não descarta aumentos até
superiores aos 15% e lembra que o alto custo com GSF já penalizou os
consumidores das distribuidoras que têm reajuste no final do ano, como
CPFL Piratininga, Celg e EDP SP, que anotaram aumentos entre 15% e 24%,
influenciados também por outros fatores, como o início do pagamento de
indenizações às transmissoras. Para estas e outras distribuidoras com
aniversário de contrato no segundo semestre, ele considera que o ritmo
de reajuste dependerá do volume de chuvas nos próximos meses e do preço
spot de energia. “O viés é de alta, mas vai depender da janela de CVA.
Pode haver uma compensação, se o primeiro semestre for favorável”, diz. A
TR Soluções, empresa especializada na análise e cálculo de estruturas
tarifárias, projeta um reajuste médio das tarifas de energia de 9%,
considerando 40 distribuidoras do País que respondem por cerca de 97% do
mercado brasileiro. Dentre as empresas com aumento nas contas de luz
acima da média nacional, segundo a empresa, estão as distribuidoras do
Rio de Janeiro – Light e Enel Rio (antiga Ampla), justamente as
primeiras concessionárias de grande porte a passarem por processos
tarifários neste ano, em 15 de março. O aumento estimado é da ordem dos
10%. Mais otimistas, os analistas do Banco Santander estimam um aumento
médio de 5,9% nas contas de luz, no cenário base, considerando o
acionamento da bandeira vermelha patamar 1 ao longo de 2018, que levaria
ao equacionamento do passivo na CVA. Para a equipe, em seu cenário mais
otimista, a bandeira amarela seria acionada em meados de 2018, o que
poderia contribuir para um reajuste de apenas 1,9% das tarifas, sempre
levando em conta que não haveria passivos a serem cobertos nos reajustes
anuais. Neste cenário, o banco prevê que os reajustes devem ser mais
baixos nas distribuidoras com reajuste no primeiro semestre e mais
elevados para as concessionárias que têm aniversário de contrato na
segunda metade do ano. Para a equipe de análise, o acionamento da
bandeira verde em janeiro antecipa o movimento de menor pressão
tarifária já esperado por conta da melhora da hidrologia, provocando um
impacto positivo para o consumidor. Embora considerem que o cenário mais
provável ainda é de bandeira amarela para 2018, os profissionais do
banco passaram a trabalhar com a probabilidade de que a bandeira verde
seguirá válida por mais alguns meses. Além do custo com o déficit
hidrológico, os especialistas também citam os encargos setoriais como
fator de pressão nas tarifas de energia. No final de dezembro, a Aneel
anunciou um aumento de 22,88% na Conta de Desenvolvimento Energético
(CDE), o que corresponde a um impacto médio nas tarifas de 2,14%, com
diferenças no peso da cobrança por regiões. Nas regiões Sul, Sudeste e
Centro-Oeste, o impacto será de 2,72%, e no Norte e Nordeste, de 0,77%,
segundo cálculos da própria agência. Mas a TR Soluções calcula que o
impacto médio deve ser maior, de 3,7% nas tarifas, chegando a 4,5% para
consumidores das regiões Sul e Sudeste-Centro Oeste. A consultoria
explica que sua estimativa é superior à divulgada pela Aneel porque a
análise considera também o componente financeiro do aumento no encargo,
não apenas o econômico. A TR lembra que haverá o impacto da retirada de
componente financeiro negativo nas contas da CDE, referente a um
desconto dado da ordem de R$ 10,00 por MWh, por conta de uma cobrança a
maior, e que fica em vigor até o evento tarifário de cada concessionária
em 2018.Bahia Notócias
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