Tareq Abuiyda nasceu na Faixa de Gaza e estudou medicina em Cuba.
Casado com uma brasileira, médico morou em Santana do Livramento.
Tareq é casado com uma brasileira, a também médica Fernanda (Foto: Luiza Carneiro/G1)
Tareq foi selecionado no Mais Médicos etrabalhará em Esteio (Foto: Luiza Carneiro/G1)
Em 2013, o município já havia garantido cinco profissionais por meio do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), mas ainda assim não foi o suficiente. Além de Tareq, a mulher dele, Fernanda Lanes, 30 anos, também participará do programa e atenderá outra comunidade, ainda não definida pela prefeitura.
Após um curso de três semanas ministrado por professores brasileiros, Tareq conheceu mais sobre o Sistema Único de Saúde e a língua portuguesa. O idioma, no entanto, não era um entrave, já que morava em Santana do Livramento, cidade localizada na fronteira com o Uruguai, desde 2010.
Depois da faculdade, o palestino se mudou para o município onde vivia a família de Fernanda, que na época ainda estudava medicina em Cuba. Revalidou o diploma em Rivera, cidade uruguaia vizinha a Santana do Livramento, e passou a atender os moradores que vivem na região. Quando Fernanda concluiu o curso em Cuba, voltou para a cidade natal.
Eles querem um médico que atenda de forma humana"
Tareq Abuiyda, médico palestino
Focado nas causas sociais, Tareq garante que seu trabalho será na prevenção. “Falam que o principal problema do país são os hospitais superlotados. Mas se tiver assistência anterior, se puder prevenir, isso não vai acontecer. Temos uma realidade em que faltam médicos e eu vim para ajudar”, afirmou, defendendo o Mais Médicos.
Tareq e Fernanda se conheceram em Cuba, durante a faculdade (Foto: Arquivo Pessoal)O interesse por viagens e novas culturas acompanha Tareq desde a infância, na Faixa de Gaza, quando sua diversão preferida era participar de excursões pelo país ao lado de colegas da escola. Em casa, nove filhos dividiam espaço. “Era quase como um time”, brincou, bem-humorado. A referência ao futebol, no entanto, para por aí. O médico não é fã do esporte, mas se tivesse de escolher um time no Rio Grande do Sul, optaria pelo Grêmio.
No novo apartamento, o casal quer retomar os antigos hábitos de quando morava em Santana do Livramento. “Íamos ao cinema, estávamos sempre com a família dela. Até tentei tomar chimarrão, mas quem sabe aqui eu coloco açúcar e consigo. Acho amargo”, contou.
O desejo de ser médico vem desde criança. Apesar de morar em uma área conhecida pelos conflitos bélicos permanentes, na fronteira com Egito e Israel, ele diz que teve uma infância feliz. De poucas palavras, contou ser muçulmano, mas não praticante. A família de classe média ainda mora no local e o incentivou a realizar o sonho de viajar o mundo, oportunidade que surgiu aos 19 anos, por meio de uma bolsa de estudos.
Em Cuba, o diploma em medicina foi conquistado em 2005. Depois de formado, exerceu a profissão no país por alguns anos. “O curso de medicina em Cuba é de seis anos, mas para quem não fala o idioma, são sete. Quando se é jovem, é mais fácil se adaptar à cultura”, conta o médico, que visita a família na Palestina esporadicamente.
Experiência com comunidades foi aprendida no Haiti
Médico se diz motivado por causas sociais(Foto: Arquivo Pessoal)
“Foi uma experiência muito boa como médico. Triste, mas grandiosa”, resume.
Durante dois meses, acompanhou famílias que haviam perdido tudo na tragédia. Sem estrutura e recursos, fazia o que podia para salvar os pacientes. “Em Cuba, tem muito disso. Aprendi que quando se tem vontade de fazer algo, se inventa o jeito. Nos Estados Unidos, precisam de bloco cirúrgico para realizar uma amputação. No Haiti, precisei apenas de duas pinças e um bisturi”, afirmou o médico.
Para ele, as condições encontradas no Brasil são muito diferentes das do Haiti. “Aqui tenho este consultório, equipamentos”, enfatiza.
Pelo menos 500 consultas são marcadas por mês
Aposentada teme que médico estrangeiro nãoconsiga se comunicar (Foto: Luiza Carneiro/G1)
“Chegamos a ficar sem médico por três meses. Para nós, o que importa é ter uma pessoa. Soube ontem da vinda do estrangeiro e tomei um susto. Espero que eu entenda o que ele vai falar” disse a mulher.
Segundo ela, a dificuldade no posto de saúde são as filas para marcar consulta. “A gente tem que vir às 5h, 6h da manhã, e às vezes demora. Esta semana me consultei com uma nutricionista, mas tinha marcado a consulta fazia 30 dias”, reclamou a moradora.
De acordo com agentes comunitárias da ESF do bairro Votarantim, são marcadas, em média, 500 consultas com os profissionais da unidade por mês, além da realização de grupos para pacientes com hipertensão e gestantes. Além desta unidade, há outras cinco semelhantes na cidade de 84 mil habitantes, segundo a Secretaria da Saúde de Esteio.
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