Personagens folclóricos foram construídos pelo artesão Enock Tavares.
Enock ministra oficinas de artesanato para jovens da comunidade.
Artesão Enock Tavares posa ao lado de mapinguari de 5 metros (Foto: Eduardo Duarte / G1)
Chaveiros de madeiras e quadros fazem parte daprodução de Tavares (Foto: Eduardo Duarte/G1)
O atista também faz objetos de papel machê e com pedaços de madeira. O espaço é aberto para o público, que pede para tirar foto e conhecer as obras. "Quando eu comecei, as pessoas paravam e perguntavam se podiam fazer uma foto e eu deixava. Depois alguém me deu a ideia de colocar um cofre para doação. Ou seja, a pessoa vem, tira a foto e deposita alguma coisa, mas só se quiser. Tem dado resultado, tem semana que consigo fazer R$ 20. Isso me ajuda a comprar o material para ensinar", diz.
Transmissão do conhecimento
Ensinar. Esse é o objetivo do artesão que oferece cursos gratuitos de artesanato em uma oficina improvisada no quintal da sua casa. "Eu comecei a dar aula para sete rapazes, entre 10 e 20 anos. Eles são de famílias humildes e a minha intenção é ensinar pra que eles aprendam e possam ajudar na renda familiar. É gratuito e sempre vai ser, embora eu ainda não tenha a ajuda de ninguém. Mas se aparecer, eu aceito", diz, com um ar de satisfação.
Enock Tavares sobrevive da sua arte (Foto: Eduardo Duarte/G1)
Cobra grande também é atração no jardim da casa doartesão (Foto: Eduardo Duarte / G1)
Tavares sonha em perpetuar as lendas que nasceram no contexto amazônico e garante que essa conservação da memória é necessária. "O nosso folclore não pode morrer. Nós temos que ter a nossa religião e divulgar nossa história, nossas raízes." Ele faz a sua parte: transformou sua casa em uma espécie de museu de lendas da Amazônia.
Enquanto não consegue terminar a sua oficina, aos poucos ele desperta o interesse de jovens humildes pela a arte. E acentua a diferença entre fazer artesanato e arte. "Existe uma separação entre essas duas palavras. Uma peça de artesanato pode ou não ser uma arte. Eu sempre digo que o artesanato são aquelas peças que a gente repete. Nós trabalhamos com as mãos e com a criatividade, tem gente que só trabalha com as mãos porque só sabe copiar. Tem outros que trabalham com a criatividade no artesanato, criando algumas espécies. Mas na arte você tem que trabalhar com as mãos, a criatividade e tem que jogar todo o sentimento ali", conclui.
Mapinguari enfeita o jardim da casa do artesão (Foto: Eduardo Duarte/G1)
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