Lutero de Paiva diz querer extinguir os 'vícios de linguagem' na cidade.
Dicas são exibidas em semáforos, pontos turísticos e em canteiros de obra.
Palavras usadas de forma errada constantemente são corrigidas nas faixas espalhas pela cidade (Foto: Sinal do Saber/Divulgação)Os banners são amarelos, chamativos. Enquanto os motoristas paravam no sinaleiro, o recado era dado: "Não existe a palavra “menas”, somente menos"; "O plural é troféus e não “troféis”; "Não é “perca” de tempo, mas perda de tempo."
"A palavra tem o poder de construir e destruir. Quando as pessoas percebem que elas podem ser usadas corretamente, elas se apaixonam, se sentem bem. Existe prazer em aprender. Queria colocar nossa língua mais perto das pessoas. E estou conseguindo", comemora.
O "Sinal do Saber" alcançou, também, os canteiros de obra. Pereira levou a ideia para um amigo, dono de uma construtora. Os dois decidiram sanar as dúvidas de mestres de obras, pedreiros e engenheiros com faixas parecidas com as que eram mostradas nos sinaleiros.
Lutero de Paiva quer combater o uso dos 'vícios delinguagem'. (Foto: RPC TV Maringá/Reprodução)
"Fiquei surpreso com a repercussão nos canteiros de obra. É incrível ver a alegria daqueles homens, que tiveram poucas oportunidades na vida, ao aprender uma palavra corretamente. Eles repassam o conhecimentos para os filhos, para os netos. É muito satisfatório", confessa.
Atualmente, são 18 faixas espalhadas por Maringá. A ideia, segundo Pereira, é criar ainda mais banners na cidade. "Estou negociando com shoppings e outras mídias para expandirmos a ideia. Agora, quero trabalhar com etimologia [o significado das palavras] e com informações gerais sobre o mundo, geografia, história", anuncia o advogado. "Maringá é linda. Precisa ser tão bonita culturalmente, também. É o que estou tentando fazer", afirma.
Vicíos de linguagem podem ser importantes, diz professora
A coordenadora do curso de Letras do Centro Universitário de Maringá (Unicesumar), Fabiane Carniel, afirma que as faixas são formas interessantes de discutir a língua portuguesa. No entanto, ela garante os vícios de linguagem cumprem função importante quando vistos pela linguística, a ciência que analisa a língua em seu uso no dia a dia.
"Os vícios não são erros, são inadequações, como dizemos no curso de Letras. Embora não estejam de acordo com as regras normativas, esse tipo de equívoco serve para aperfeiçoar a comunicação falada. Logo, tem sua importância. Não podemos desprezá-los. Temos que refletir, sim, e mostrar os dois lados da moeda, criando opções para que o locutor use da forma que ele entender ser mais adequada", explica a professora.
A coordenadora lembra, porém, que existem situações que os vícios de linguagem não são admitidos. "A importância de se saber bem a gramática normativa é que existem situações em que ela é necessária. Nas universidades, por exemplo, não dá para usar a linguagem informal em trabalhos acadêmicos. É preciso que as pessoas dominem as regras, desde a escola", sugere.
Fabiane conta que observou uma das faixas em um parque de Maringá e presenciou uma situação inusitada. "A faixa me chamou a atenção, até porque sou da área. Envolvia a palavra cadarço. Lembro que havia uma pichação muito curiosa. Escreveram: 'Você sabi o que é linguística? (sic)', com a letra "i". Olha que curioso. A pessoa sabe o que é a linguística e qual é a importância dela, mas tropeça em um erro de gramática".
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