Artista que fazia obra em madeira deixou um legado e muitos seguidores.
Famílias inteiras são sustentadas com a técnica ensinada pelo mestre.
Esculturas de diversos tamanhos tomam conta das salas do Museu Manoel da Marinheira (Foto: Jonathan Lins/G1)
Manoel da Marinheira e os filhos Severino e Antônio. (Foto: Arquivo pessoal/ Família Marinheira)
André da Marinheira talha madeira que se tranformará em um banco encomendado por um cliente do Piauí. (Foto: Jonathan Lins/G1)
A primeira escultura de Manoel da Marinheira foieste coelho que está exposto no museu que leva
seu nome. (Foto: Jonathan Lins/G1)
Daí em diante as obras de Manoel da Marinheira ganharam o mundo. Hoje tem peças nos Estados Unidos e em muitos países da Europa.
Assim como seu pai, Manoel da Marinheira também incentivou os filhos que se interessavam pela arte. Antônio, Maria Cícera e Severino são filhos do primeiro casamento. Os três são surdos e mudos e encontraram na arte a melhor forma de expressão. Maria Cícera, a única mulher que seguiu os passos do pai, faz imagens sacras como o avó. E Antônio e Severino esculturas de animais como o pai.
Esculturas de Maria Cícera, única filha de Manoel da Marinheira que seguiu os passos do pai. (Foto: Jonathan Lins/G1)O ateliê dele é na garagem da casa onde vive, bem próximo a entrada de Boca da Mata. Um local improvisado, mas de onde sai peças magníficas e bem similares as que eram esculpidas pelo pai, que são mais rústicas. Todos os trabalhos são realizados com madeira da Jaqueira, que não é controlada de forma ambiental e que depois de alguns anos para de dar frutos.
Manoel da Marinheira Filho e André da Marinheira são os filhos do segundo casamento que seguem a arte do pai. Hoje, eles são convidados para feiras e exposições em todo país.
Dona
Maria Genaci segura o tatu esculpido pelo marido; única peça de Manoel
da Marinheira que a família guardou. (Foto: Jonathan Lins/G1)André da Marinheira também sustenta sua família com as peças que cria, mas ele diz que não quer receber muitas encomendas. Uma peça dele pode valer R$ 200, se for uma miniatura e pode chegar a R$ 30.000. Os bancos, com detalhes de cabeças de animais nas pontas, mais encomendados atualmente, variam de R$ 2.000 a R$ 4.000 "Conheci um artesão que tem encomendas até 2020, eu não quero isso. Prefiro ir devagar, fazer menos peças para não me estressar e ter condições de criar coisas novas", diz André que adaptou o trabalho do pai e faz peças com um acabamento diferenciado.
A viúva de Manoel da Marinheira, Maria Genaci Peixoto Barbosa, 63, viveu 47 anos ao lado dele. Ela mora bem pertinho de onde André da Marinheira faz suas esculturas. "É o mesmo que ver ele [Manoel] aqui trabalhando. Ele adorava o que fazia. Ele trabalhava na roça e depois fazia os 'bichinhos' dele", diz.
Manoel da Marinheira morreu aos 95 anos, em maio de 2012, mas ele parou de esculpir aos 80 anos quando teve glaucoma e perdeu a visão. Das centenas de peças que ele produziu a família só ficou com um tatu.
Mas muitas das obras dele estão no Museu Manoel da Marinheira criado pelo usineiro Jorge Tenório. Hoje o colecionador é o principal comprador de obras de madeira talhada de Boca da Mata. Ele não tem peças só da família da Marinheira, mas como de outros artistas que aprenderam o ofício e hoje fazem um belo trabalho.
Museu Manoel da Marinheira possui sala com esculturas em miniatura. (Foto: Jonathan Lins/G1)
Nenhum comentário:
Postar um comentário