MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

sábado, 31 de janeiro de 2026

COLUNA MALHA FINA - JORNAL A REGIÃO - 30/01/2026

 

Mandando lapada de graça

O assunto da coletiva de Augusto Castro na quarta-feira era o excelente Carnaval Antecipado de Itabuna, mas virou política, com questionamento sobre vereadores da base insatisfeitos. O recado veio duro: “quem quiser fazer oposição que faça. Eu ganhei a eleição de 2020 com 3 partidos e fui reeleito com 13 partidos. O cobertor é curto, não dá para tudo, mas quem estiver comigo eu não largo a mão”.

Muita fumaça, nenhum fogo

Mais do que um comentário genérico, o recado tinha na mira três vereadores que andam falando, para quem quiser ouvir, que Augusto "não cumpre compromisso", que não deu cargos suficientes, que "não ouve" os vereadores da base, etc. Mas é tudo teatrinho para pressionar o prefeito a dar mais cargos e facilidades. Vai ser difícil ver os três na oposição, porque perderiam o muito que já têm.

De "facada" ele entende

Foi muito engraçado ver o ex-presidiário Feddel Frieira Lima dizer que "ACM Neto vai rifar Marcelo Nilo", que chamou de "facada nas costas". A ironia é porque Feddel é mestre em apunhalar pelas costas e "rifar" parceiros. Que o diga Ricardo Xavier, lançado para prefeito de Itabuna por Feddel e rifado para o MDB aderir a uma candidatura de outro partido no último minuto de jogo.

Entrando pelo cano

entrando pelo cano Ano eleitoral é ano de desespero para quem vê a reeleição indo para o fundo do poço. É o caso do desgovernador Zerônimo. Nesta semana ele foi a Maracás para inaugurar uma das mais importantes obras de seu governo: uma bica. Sim, um cano que solta água no meio da praça. Como não quis pagar mico sozinho, arrastou o senador Jaques Waguinho que, aparentemente, não tem nada melhor para fazer nas férias.

Só vai ter essa água mesmo

Sem saneamento, sem água na torneira 24h, sem esgoto, a claque reunida pelo Partido dos Traficantes aplaudiu entusiasmada a chegada do cano com água. É capaz de o desgoverno ter gasto mais na banda e na festa de inauguração do que na instalação do cano. Zerônimo aproveitou para anunciar mais duas grandes obras para Maracás: um banco na praça e um poste novo na esquina. Aplausos...

Itabuna tem precedente

A "grande obra" inaugurada por Zeronimo lembrou uma das cenas mais engraçadas da gestão de Capetão Azêdo como prefeito de Itabuna. Ele fez festa para "inaugurar" um semáforo na ponte Calixto Midlej, como se fosse a cura do câncer. Pior é que nem novo o equipamento era. Azêdo tirou um semáforo velho, que ficava na Avenida Princesa Isabel, e "inaugurou" como novo na ponte...

Fugindo da folia alheia

O finado Gelado Limões tinha feito o maior carnaval antecipado de Itabuna em 2003. Capetão Azêdo também fez um muito grande em 2009. Mas nenhum deles se comparou com o deste ano, o primeiro de Augusto Castro, que já tinha elevado o nível com o Itapedro e o Natal de Luz. Talvez por isso ninguém viu Gelado assombrando a avenida nem Azêdo circulando com suas amigas.

Festa de escorpião de bolso

Bem mais discreto depois da morte (política) e prestes a ter seus restos mortais mudados para o cemitério do Psol, Gelado preferiu ficar em casa e comemorar os 44 anos de casado com Juçara. Botou até roupa chique. Usando uma camiseta Lacoste encomendada a um fabricante da Mangabinha, brindou com Sidra Cereser, acompanhada de um lauto jantar à base de poca zói e traíra assada. E reclamou do custo...

Melancia virtual no pescoço

A rebeldia de Capitão Alden e Thiago Martins no PL, criticando e ameaçando não apoiar ACM Neto, está mais para busca por holofotes, visando a eleição de deputado, do que racha. Até porque, Neto deve ter em seu palanque o candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro, que já aparece brigando de igual para igual com Ludrão, além de um eventual candidato da federação do União com o PP. E João Roma a senador.

Da boca para fora

Capitão Alden quer se reeleger deputado federal e precisa aparecer mais na mídia. Martins, que fracassou na eleição anterior, quer ser deputado estadual e precisa ainda mais de holofotes. Os dois sabem que brigar com o próprio partido gera muito mais exposição e espaço em sites e blogs do que trabalhar. Como sabem que dependem do PL para concorrer em outubro. Espertos.

Castelo de areia desmanchando

desmanchando A decisão de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, de deixar o União Brasil e se filiar ao PSD, pode bagunçar de vez a eleição na Bahia e enterrar o PT no estado para sempre. Dono da maior parte das prefeituras e dos votos da situação, o PSD vai ter que dar palanque e apoiar Caiado (ou Ratinho) para presidente. Ou seja, vai estar na oposição ao Ludrão do PT e terá que fazer palanque separado.

Ainda na fase de negação...

Otto Além Mar correu para dizer que tem respaldo do presidente do PSD, Kassab, para apoiar quem quiser na Bahia e dará o palanque ao Ludrão. Está em fase de negação. Kassab é extremamente pragmático, pouco se importando com coerência ou lealdade. Na hora importante, ele não vai aceitar que seu candidato a presidente fique sem palanque na Bahia, nem que o PSD local apoie o adversário dele.

Numa sinuca de bico

Uma chapa do PSD sem PT teria potencial para atrair o MDB, desgastado com o desgoverno Zeronimo e outros partidos hoje na base oficial. Otto Além Mar se apressou em dizer que o PSD da Bahia vai apoiar Ludrão. Mas sabe que não poderá negar palanque a Caiado, nem levar o Ludrão para os seus eventos de campanha. Se fizer isso, desmoraliza Gilberto Kassab e o PSD a nivel nacional.

E tem o fator Coroné...

Otto parece mais perdido que Lula numa biblioteca. Primeiro defendeu que Coroné Anjo aceitasse o posto decorativo de vice. Ao sentir a reação, desconversou e disse que garantirá uma candidatura avulsa de Coroné sem ele deixar o grupo vermelho. Essa candidatura avulsa é totalmente rejeitada pelo PT, que trata o PSD como se ele fosse um dos nanicos da coligação, tipo o PCdoB.

Coroné faz "aquilo doce"

Enquanto isso, Coroné Anjo não aceita, de forma alguma, ser rebaixado de senador para vice, deputado federal (como sugerido por alguns) ou, ainda pior, suplente de Waguinho. Ele diz que não quer sair do partido, mas que "não vai ficar onde não o querem". Até aceita a candidatura avulsa, mas ela é perigosa para o PT e a divisão dos votos da situação pode alavancar a eleição de João Roma.

PSD pode mudar o cacique

Se o candidato do PSD a presidente for Ronaldo Caiado, o mais anti-petista de todos, ou mesmo Ratinho Jr, o tema central da campanha vai ser a (in)segurança pública no Brasil. Como a Bahia do PT é o estado mais violento do país, dominado pelas facções, o discurso será uma afronta aos petistas. Não tem como equilibrar isso. Daí que já tem gente prevendo a troca de comando do PSD baiano... para Coroné.

Na fogueira da vaidade

O PT achou que seria fácil tirar Coroné Anjo da chapa para encaixar Rui B. Osta, que tem certeza de que estará desempregado em 2027 porque não acredita na reeleição do Ludrão. Está desesperado por um cargo político seguro e não aceita ser deputado federal por vaidade. Podia seguir o exemplo dos ex-governadores Waldir PIres, que saiu a vereador, e Paulo Souto, que foi ser secretário municipal.

Confusos e desesperados

O fato é que Coroné Anjo provou ser muito maior, com uma base sólida de prefeitos que receberam muitas emendas do senador. O PT descobriu que ele pode arrastar boa parte dos votos da chapa do PT para a oposição e, se sair avulso, mesmo pelo PSD, divide os voitos da situação de uma forma que ameaça a reeleição de Wagner e facilita, bastante, a de João Roma. Agora, o PT e Otto não sabem como resolver.

Diminuindo o parceiro

Irritado com a tentativa de Coroné Anjo de convencer Kassab a jogar o PSD na oposição baiana, Otto passou a constranger o amigo em público. A última foi comparar ele com Lídice do Mato. “Em 2018, a senadora Lídice da Mata não saiu do grupo, ela saiu para deputada federal. Ela entendeu que o grupo era maior, que o projeto era maior". Quis dizer que Coroné é "menor" e deve ser rebaixado.

Tratado como vassalo

Outra tentativa de fazer o Coroné desistir da reeleição a senador veio de Jaques Waguinho, que sugeriu ter ele como seu suplente, algo impensável e, novamente, um rebaixamento inaceitável. A resposta de Coroné foi irônica. Ele inverteu o jogo e sugeriu que Waguinho aceitasse ser seu suplente. Afinal, acrescentou, "é um cargo nobre”. O detalhe é que, em 2022, Wagner disse que não iria para a reeleição.

Urgência sem pressa

Quem trabalha na UPA do Monte Cristo está sem guarda municipal. A denúncia, de Oziel Aragão no Conexão Morena, da Morena FM, conta que já houve invasão na área de descanso das enfermeiras. "Se tiver um problema, até a PM sair da base e chegar lá, já aconteceu," lembrou. O secretário Humberto Mattos prometeu colocar GCM 24h no local... em março. Tomara que nada aconteça em fevereiro, certo?

Silêncio geral sobre a Emasa

Não sei se voce reparou, mas ninguém comenta mais sobre a entrega da Emasa para a Embasa, de porteira fechada. Já avisamos aqui que nossas fontes dizem que o negócio subiu no telhado. Ninguém comenta nada, mas nenhuma providência nesse sentido vem sendo feita. O MP, que queria uma reunião para entender o negócio, adiou o encontro sem definir uma nova data. Pelo jeito, entrou água.

Mudando móveis de lugar

Augusto não pretendia fazer uma reforma administrativa, mas ela se tornou inevitável depois da rebelião de alguns vereadores, pressão de caciques de partido e a necessidade de apoios para a candidatura de Andrea Castro a deputada. Não deve ser nada grande. Será reforma mais pontual, como a volta de Thales Silva à Settran para dar assento na Câmara ao Pastor Francisco, do Republicanos.

Histórias da política baiana


Em 2001, Fernando Henrique se tornou o primeiro presidente a vir ao sul da Bahia no cargo. Ele veio até a Ceplac para anunciar a promoção de todos os técnicos agrícolas a fiscal federal, com um salto enorme nos salários. No auditório, lotado de petistas, a quase totalidade dos servidores da época, ouviu cinco discursos sem anotar nada.

O primeiro disse que a Ceplac ainda continuava viva "graças aos esforços do Governo Federal". Vieram o segundo, terceiro e quarto. Quase duas horas depois do primeiro, FHC começou o discurso respondendo a ele. "A Ceplac continua viva, não por causa do governo federal e sim graças à dedicação e sacrifício de seus servidores".

Ovacionado pela plateia petista, que aplaudiu de pé, saiu de lá como heroi dos eleitores do inimigo político e mostrou como se faz política. FHC foi o único a tentar salvar a Ceplac. Lula nunca abriu concurso e cortou verbas. Dilma rebaixou de órgão federal para departamento do Ministério da Agricultura e deu parte da área para a UFSB.

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