Mandando lapada de graça
O assunto da coletiva de Augusto Castro na quarta-feira era o excelente
Carnaval Antecipado de Itabuna, mas virou política, com questionamento
sobre vereadores da base insatisfeitos. O recado veio duro: “quem quiser
fazer oposição que faça. Eu ganhei a eleição de 2020 com 3 partidos e
fui reeleito com 13 partidos. O cobertor é curto, não dá para tudo, mas
quem estiver comigo eu não largo a mão”.
Muita fumaça, nenhum fogo
Mais do que um comentário genérico, o recado tinha na mira três
vereadores que andam falando, para quem quiser ouvir, que Augusto "não
cumpre compromisso", que não deu cargos suficientes, que "não ouve" os
vereadores da base, etc. Mas é tudo teatrinho para pressionar o prefeito
a dar mais cargos e facilidades. Vai ser difícil ver os três na
oposição, porque perderiam o muito que já têm.
De "facada" ele entende
Foi muito engraçado ver o ex-presidiário Feddel Frieira Lima dizer que
"ACM Neto vai rifar Marcelo Nilo", que chamou de "facada nas costas". A
ironia é porque Feddel é mestre em apunhalar pelas costas e "rifar"
parceiros. Que o diga Ricardo Xavier, lançado para prefeito de Itabuna
por Feddel e rifado para o MDB aderir a uma candidatura de outro partido
no último minuto de jogo.
Entrando pelo cano
Ano eleitoral é ano de desespero para quem vê a reeleição indo para o
fundo do poço. É o caso do desgovernador Zerônimo. Nesta semana ele foi a
Maracás para inaugurar uma das mais importantes obras de seu governo:
uma bica. Sim, um cano que solta água no meio da praça. Como não quis
pagar mico sozinho, arrastou o senador Jaques Waguinho que,
aparentemente, não tem nada melhor para fazer nas férias.
Só vai ter essa água mesmo
Sem saneamento, sem água na torneira 24h, sem esgoto, a claque reunida
pelo Partido dos Traficantes aplaudiu entusiasmada a chegada do cano com
água. É capaz de o desgoverno ter gasto mais na banda e na festa de
inauguração do que na instalação do cano. Zerônimo aproveitou para
anunciar mais duas grandes obras para Maracás: um banco na praça e um
poste novo na esquina. Aplausos...
Itabuna tem precedente
A "grande obra" inaugurada por Zeronimo lembrou uma das cenas mais
engraçadas da gestão de Capetão Azêdo como prefeito de Itabuna. Ele fez
festa para "inaugurar" um semáforo na ponte Calixto Midlej, como se
fosse a cura do câncer. Pior é que nem novo o equipamento era. Azêdo
tirou um semáforo velho, que ficava na Avenida Princesa Isabel, e
"inaugurou" como novo na ponte...
Fugindo da folia alheia
O finado Gelado Limões tinha feito o maior carnaval antecipado de
Itabuna em 2003. Capetão Azêdo também fez um muito grande em 2009. Mas
nenhum deles se comparou com o deste ano, o primeiro de Augusto Castro,
que já tinha elevado o nível com o Itapedro e o Natal de Luz. Talvez por
isso ninguém viu Gelado assombrando a avenida nem Azêdo circulando com
suas amigas.
Festa de escorpião de bolso
Bem mais discreto depois da morte (política) e prestes a ter seus restos
mortais mudados para o cemitério do Psol, Gelado preferiu ficar em casa
e comemorar os 44 anos de casado com Juçara. Botou até roupa chique.
Usando uma camiseta Lacoste encomendada a um fabricante da Mangabinha,
brindou com Sidra Cereser, acompanhada de um lauto jantar à base de poca
zói e traíra assada. E reclamou do custo...
Melancia virtual no pescoço
A rebeldia de Capitão Alden e Thiago Martins no PL, criticando e
ameaçando não apoiar ACM Neto, está mais para busca por holofotes,
visando a eleição de deputado, do que racha. Até porque, Neto deve ter
em seu palanque o candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro, que já
aparece brigando de igual para igual com Ludrão, além de um eventual
candidato da federação do União com o PP. E João Roma a senador.
Da boca para fora
Capitão Alden quer se reeleger deputado federal e precisa aparecer mais
na mídia. Martins, que fracassou na eleição anterior, quer ser deputado
estadual e precisa ainda mais de holofotes. Os dois sabem que brigar com
o próprio partido gera muito mais exposição e espaço em sites e blogs
do que trabalhar. Como sabem que dependem do PL para concorrer em
outubro. Espertos.
Castelo de areia desmanchando
A decisão de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, de deixar o União
Brasil e se filiar ao PSD, pode bagunçar de vez a eleição na Bahia e
enterrar o PT no estado para sempre. Dono da maior parte das prefeituras
e dos votos da situação, o PSD vai ter que dar palanque e apoiar Caiado
(ou Ratinho) para presidente. Ou seja, vai estar na oposição ao Ludrão
do PT e terá que fazer palanque separado.
Ainda na fase de negação...
Otto Além Mar correu para dizer que tem respaldo do presidente do PSD,
Kassab, para apoiar quem quiser na Bahia e dará o palanque ao Ludrão.
Está em fase de negação. Kassab é extremamente pragmático, pouco se
importando com coerência ou lealdade. Na hora importante, ele não vai
aceitar que seu candidato a presidente fique sem palanque na Bahia, nem
que o PSD local apoie o adversário dele.
Numa sinuca de bico
Uma chapa do PSD sem PT teria potencial para atrair o MDB, desgastado
com o desgoverno Zeronimo e outros partidos hoje na base oficial. Otto
Além Mar se apressou em dizer que o PSD da Bahia vai apoiar Ludrão. Mas
sabe que não poderá negar palanque a Caiado, nem levar o Ludrão para os
seus eventos de campanha. Se fizer isso, desmoraliza Gilberto Kassab e o
PSD a nivel nacional.
E tem o fator Coroné...
Otto parece mais perdido que Lula numa biblioteca. Primeiro defendeu que
Coroné Anjo aceitasse o posto decorativo de vice. Ao sentir a reação,
desconversou e disse que garantirá uma candidatura avulsa de Coroné sem
ele deixar o grupo vermelho. Essa candidatura avulsa é totalmente
rejeitada pelo PT, que trata o PSD como se ele fosse um dos nanicos da
coligação, tipo o PCdoB.
Coroné faz "aquilo doce"
Enquanto isso, Coroné Anjo não aceita, de forma alguma, ser rebaixado de
senador para vice, deputado federal (como sugerido por alguns) ou,
ainda pior, suplente de Waguinho. Ele diz que não quer sair do partido,
mas que "não vai ficar onde não o querem". Até aceita a candidatura
avulsa, mas ela é perigosa para o PT e a divisão dos votos da situação
pode alavancar a eleição de João Roma.
PSD pode mudar o cacique
Se o candidato do PSD a presidente for Ronaldo Caiado, o mais
anti-petista de todos, ou mesmo Ratinho Jr, o tema central da campanha
vai ser a (in)segurança pública no Brasil. Como a Bahia do PT é o estado
mais violento do país, dominado pelas facções, o discurso será uma
afronta aos petistas. Não tem como equilibrar isso. Daí que já tem gente
prevendo a troca de comando do PSD baiano... para Coroné.
Na fogueira da vaidade
O PT achou que seria fácil tirar Coroné Anjo da chapa para encaixar Rui
B. Osta, que tem certeza de que estará desempregado em 2027 porque não
acredita na reeleição do Ludrão. Está desesperado por um cargo político
seguro e não aceita ser deputado federal por vaidade. Podia seguir o
exemplo dos ex-governadores Waldir PIres, que saiu a vereador, e Paulo
Souto, que foi ser secretário municipal.
Confusos e desesperados
O fato é que Coroné Anjo provou ser muito maior, com uma base sólida de
prefeitos que receberam muitas emendas do senador. O PT descobriu que
ele pode arrastar boa parte dos votos da chapa do PT para a oposição e,
se sair avulso, mesmo pelo PSD, divide os voitos da situação de uma
forma que ameaça a reeleição de Wagner e facilita, bastante, a de João
Roma. Agora, o PT e Otto não sabem como resolver.
Diminuindo o parceiro
Irritado com a tentativa de Coroné Anjo de convencer Kassab a jogar o
PSD na oposição baiana, Otto passou a constranger o amigo em público. A
última foi comparar ele com Lídice do Mato. “Em 2018, a senadora Lídice
da Mata não saiu do grupo, ela saiu para deputada federal. Ela entendeu
que o grupo era maior, que o projeto era maior". Quis dizer que Coroné é
"menor" e deve ser rebaixado.
Tratado como vassalo
Outra tentativa de fazer o Coroné desistir da reeleição a senador veio
de Jaques Waguinho, que sugeriu ter ele como seu suplente, algo
impensável e, novamente, um rebaixamento inaceitável. A resposta de
Coroné foi irônica. Ele inverteu o jogo e sugeriu que Waguinho aceitasse
ser seu suplente. Afinal, acrescentou, "é um cargo nobre”. O detalhe é
que, em 2022, Wagner disse que não iria para a reeleição.
Urgência sem pressa
Quem trabalha na UPA do Monte Cristo está sem guarda municipal. A denúncia, de Oziel Aragão no Conexão Morena, da Morena FM,
conta que já houve invasão na área de descanso das enfermeiras. "Se
tiver um problema, até a PM sair da base e chegar lá, já aconteceu,"
lembrou. O secretário Humberto Mattos prometeu colocar GCM 24h no
local... em março. Tomara que nada aconteça em fevereiro, certo?
Silêncio geral sobre a Emasa
Não sei se voce reparou, mas ninguém comenta mais sobre a entrega da
Emasa para a Embasa, de porteira fechada. Já avisamos aqui que nossas
fontes dizem que o negócio subiu no telhado. Ninguém comenta nada, mas
nenhuma providência nesse sentido vem sendo feita. O MP, que queria uma
reunião para entender o negócio, adiou o encontro sem definir uma nova
data. Pelo jeito, entrou água.
Mudando móveis de lugar
Augusto não pretendia fazer uma reforma administrativa, mas ela se
tornou inevitável depois da rebelião de alguns vereadores, pressão de
caciques de partido e a necessidade de apoios para a candidatura de
Andrea Castro a deputada. Não deve ser nada grande. Será reforma mais
pontual, como a volta de Thales Silva à Settran para dar assento na
Câmara ao Pastor Francisco, do Republicanos.
Histórias da política baiana
Em 2001, Fernando Henrique se tornou o primeiro presidente a vir ao sul
da Bahia no cargo. Ele veio até a Ceplac para anunciar a promoção de
todos os técnicos agrícolas a fiscal federal, com um salto enorme nos
salários. No auditório, lotado de petistas, a quase totalidade dos
servidores da época, ouviu cinco discursos sem anotar nada.
O primeiro disse que a Ceplac ainda continuava viva "graças aos esforços
do Governo Federal". Vieram o segundo, terceiro e quarto. Quase duas
horas depois do primeiro, FHC começou o discurso respondendo a ele. "A
Ceplac continua viva, não por causa do governo federal e sim graças à
dedicação e sacrifício de seus servidores".
Ovacionado pela plateia petista, que aplaudiu de pé, saiu de lá como heroi dos eleitores do inimigo político e mostrou como se faz política. FHC foi o único a tentar salvar a Ceplac. Lula nunca abriu concurso e cortou verbas. Dilma rebaixou de órgão federal para departamento do Ministério da Agricultura e deu parte da área para a UFSB.
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