Mesmo com o aumento de casos, eles continuam desobedecendo as medidas sanitárias
Foto:
Ricardo Wolffenbutt / Governo de SC
Por Lily Menezes
Com pouco mais de um ano e quase 300 mil
vidas perdidas no Brasil, a pandemia do novo coronavírus mostrou que a
contaminação não tem gênero, classe social ou idade. Porém, com a
circulação das novas variantes da covid-19, cujo potencial de
transmissão é maior, os jovens tem se tornado os mais atingidos pela
doença. Como a taxa de mortalidade registrada na Bahia é de apenas 0,1%
para os adolescentes e se repete na população de 20 a 29 anos, este
público acredita que não será vitimado fatalmente pelo novo coronavírus e
acaba se expondo mais em aglomerações. O resultado se reflete no
índice de internados nas unidades de saúde para o tratamento da covid:
56% são jovens ou adultos, de acordo com o secretário municipal da Saúde
de Salvador Leo Prates. Enquanto isso, a taxa de idosos ocupantes dos
leitos de internação caiu de 63 para 40%; para o gestor, o início da
campanha de vacinação pode ter melhorado o quadro. “Esses adultos e
jovens que se internam tem um tempo maior de internação maior até que os
idosos, são pessoas que ficam em longa permanência e têm agravado
mais”, diz.
Embora a taxa de transmissão na capital ainda seja alta, houve uma pequena redução no índice, que atualmente se encontra em 1,15: um grupo de 100 pessoas conseguem transmitir o coronavírus para mais 115. “Nós estamos num descontrole epidemiológico, mas está em desaceleração para a faixa que consideramos adequada, que é menos de um”. disse o chefe da pasta. A recomendação de isolamento social tem sido cada vez mais descumprida, como é possível constatar pelas denúncias de festas clandestinas e paredões na cidade, onde a maioria dos frequentadores é adolescente ou jovem adulto, não faz o uso de máscara e o distanciamento social é inexistente. O Mapa do Isolamento Social desenvolvido pela InLoco, que mede as taxas pelos estados do Brasil, revela que o estado da Bahia está com 35,7% de “quarentena”. O número só ultrapassou os 50% em duas ocasiões: no dia 22 de fevereiro de 2020, uma semana depois da declaração do estado de pandemia global pela Organização Mundial da Saúde, com 58,3%; e no dia 28 de fevereiro de 2021, quando o Estado atingiu 53,7% de isolamento social.
O grande problema é que ao participarem de aglomerações e desrespeitarem as medidas de segurança, os jovens podem trazer consigo o vírus, contaminando outros membros da família de idades mais avançadas, cuja taxa de mortalidade é de 21,6% para idosos com 80 anos ou mais, segundo o boletim epidemiológico da Sesab. Além dos riscos para os que vivem ao seu redor, as novas cepas não tem poupado os mais novos. Leo Prates alertou para a taxa de letalidade dos leitos para casos mais graves, independentemente da idade. “O leito de UTI é uma tentativa do poder público de salvar a vida das pessoas. Mas, quem entra no leito de UTI hoje tem uma letalidade de 35%. Ou seja: você vai ter aquela pressão e pode vir a óbito”. Para ele, o resultado da contenção das aglomerações só será sentido daqui a duas semanas. “Serão mais dez ou quinze dias de pressão, mas uma pressão mais estabilizada”, acredita.
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