MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

sexta-feira, 19 de março de 2021

Sob pressão, presidente do Banco do Brasil renuncia; Guedes indica diretor de consórcios para a vaga

 


Brandão já havia indicado que deixaria o cargo, no fim de fevereiro

Manoel Ventura e Geralda Doca
O Globo

O presidente do Banco do Brasil, André Brandão, entregou o cargo oficialmente, na noite desta quinta-feira, dia 18. Ele estava sendo pressionado a deixar o cargo desde que anunciou uma reestruturação no BB. O executivo deixará a posição até 1º de abril.

O atual diretor da BB Administradora de Consórsios, Fausto de Andrade Ribeiro, foi indicado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para ocupar a vaga, segundo nota divulgada pelo Ministério da Economia.

BOA RELAÇÃO – A indicação será analisada pelo Comitê de Pessoas, Remuneração e Elegibilidade da Companhia. Segundo fontes do BB, Ribeiro é considerado politicamente de direita, o que teria ajudado a se cacifar para o cargo. Ele tem uma boa relação com os funcionários da instituição, mas não chegou a ser vice-presidente, considerado o caminho normal. Uma fonte ligada ao banco brincou que a mudança equivale a um coronel ser promovido automaticamente a general.

Na movimentação, também já está certo que o atual secretário-executivo do Ministério da Cidadania, Antonio Barreto, será indicado para uma vice-presidência do BB, segundo fontes.

“O Banco do Brasil (BB) comunica que o Sr. André Guilherme Brandão entregou, nesta data, ao Exmo. Sr. Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, ao Exmo. Ministro da Economia, Paulo Roberto Nunes Guedes, e ao Ilmo. Presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil, Hélio Lima Magalhães pedido de renúncia ao cargo de presidente do BB, com efeitos a partir de 01 de abril de 2021”, diz texto divulgado pelo BB.

QUESTÃO DE TEMPO – No mês passado, Brandão já havia indicado a interlocutores que deixaria o cargo, no fim de fevereiro. Ele esperou para deixar o cargo a espera de uma manifestação pública de apoio por parte de Guedes ou de outro integrante do governo. Como isso não aconteceu e Bolsonaro já tinha deixado claro a intenção de substituir, Brandão chegou a conclusão que sua saída era questão de tempo. Ele alegou a interlocutores que não queria ser um “presidente provisório”.

Brandão estava desconfortável no cargo desde quando surgiram informações de que Bolsonaro queria substitui-lo. A situação de Brandão está delicada desde janeiro, quando ele anunciou um plano de reestruturação do banco, com o fechamento de 361 agências em vários municípios  e programa de demissão voluntária. A medida desagradou Bolsonaro, que pediu a cabeça do executivo.

ALERTA – Mas a demissão não se concretizou. Bolsonaro fora alertado que a União poderia ser responsabilizada por acionistas minoritários se houvesse prejuízo na instituição. Brandão pôs o cargo à disposição uma semana depois de o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, ter sido demitido por Bolsonaro em um post em redes sociais, já anunciando o substituto, o general do Exército Joaquim Silva e Luna, que atualmente é diretor-geral da parte brasileira da usina de Itaipu.

O executivo, que assumiu o cargo em setembro do ano passado, quis evitar esse tipo de constrangimento. Executivo de mercado, tendo feito carreira no exterior no HSBC, é chamado de “gringo” nas rodas de conversas no Palácio e não se enturmou em Brasília. Ele não é de muita conversa, disse uma fonte próxima e fica visivelmente desconsertado em eventos com políticos, como jantares.

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