MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

sexta-feira, 19 de março de 2021

Cardiopatas precisam se exercitar e evitar automedicação

 


Estudo aponta um aumento de mortes por doenças cardiovasculares não especificadas, que pode ter raiz na falta de um diagnóstico preciso.

Tribuna da Bahia, Salvador
19/03/2021 10:00 | Atualizado há 22 minutos

   
Foto: Reprodução / Google fotos

Por Cleusa Duarte

De acordo com um estudo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Hospital Alberto Urquiza Wanderley e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o número de mortes por doenças cardiovasculares cresceu até 132% no Brasil durante a pandemia. A Tribuna da Bahia ouviu  especialistas no assunto e eles defendem que o tratamento não pode ser interrompido e que as atividades físicas são importantes, mas devem ter os exercícios adaptados para suas residências. Mas o maior cuidado segundo os cardiologistas tem que ser com a automedicação, que pode provocar um aumento de pressão e causar sérios problemas.

 De acordo com a pesquisa, na comparação entre março e maio de 2019 e o mesmo período de 2020, as mortes por doenças cardiovasculares não especificadas, infartos e AVCs (Acidentes Vasculares Cerebrais) chegaram a aumentar em 132% em Manaus, 126% em Belém, 87% em Fortaleza, 71% em Recife, 38% no Rio de Janeiro e 31% em São Paulo. As doenças do sistema cardiovascular já figuravam entre as principais causas de mortes em todo o mundo. Segundo o relatório anual GBD (Global Burden of Desease, em português, Carga de Doenças Global), divulgado pela revista científica The Lancet, a hipertensão foi a enfermidade que mais matou no mundo em 2019, sendo a causa da morte de cerca de 10,8 milhões de pessoas.

Os cardiopatas, além de já terem um quadro sensível, também estão no grupo de maior risco da Covid-19. Formas graves da doença causada pelo novo coronavírus podem comprometer ainda mais o sistema cardiovascular.

O estudo aponta um aumento de mortes por doenças cardiovasculares não especificadas, que pode ter raiz na falta de um diagnóstico preciso. Os dados da pesquisa foram recolhidos em registros da Arpen (Associação Nacional de Registradores de Pessoas Naturais). Os médicos e especialistas defendem que o afastamento de pacientes do acompanhamento médico é uma das consequências mais graves da pandemia.

O medo do contágio pela Covid-19 tem tirado pacientes dos consultórios, hospitais e laboratórios, levando ao desenvolvimento e evolução de condições antes desconhecidas, que ultimamente podem levar ao óbito.

O  atraso no tratamento pode, por exemplo, mudar o estadiamento de um câncer e implicar em um tratamento mais agressivo, com mudança de prognóstico e qualidade de vida para o paciente.  Especialistas afirmam que os hospitais e outros ambientes de cuidado médico criaram protocolos de segurança para evitar o contágio de pacientes pela Covid-19.

O cardiologista Jun Kawaoka enfatiza nos cuidados que as pessoas precisam ter, principalmente os cardiopatas com a automedicação. "Uma questão importante é que o paciente seja cardiopata ou não é possível evitar a automedicação. Nessa era de muita informação pela internet, facilidade de divulgação, fake news e muita desinformação a interpretação pelo paciente, da pessoa leiga na área de medicina no afã de evitar o agravamento ou evitar a infecção do novo coronavírus pode fazer uso de medicação não eficaz e até mesmo prejudicial sem a devida orientação médica. Toda medicação de qualquer patologia deve ser prescrita por um médico e ser avaliada e indicada pelo especialista. Eu recomendo evitar uso de medicação por conta própria. Muitos remédios que dizem poder evitar o coronavírus podem ter efeitos cardiovasculares graves, principalmente em cardiopatas”.

A cardiologista Ana Kawaoka destaca a importância do cardiopata em continuar com seu tratamento recomendado pelo médico e seguir as regras de combate contra o coronavírus, “manter o distanciamento, usar a máscara e higienizar as mãos. Nas questões das atividades físicas ao ar livre precisam ser mantidas de acordo com indicação do especialista, mas se for pedalar ficar em uma distância de 20 metros de quem está a frente, se for caminhar ficar distante entre 4 a 5 metros de quem está a frente e na corrida ficar pelo menos 10 metros de quem estiver a frente.

Já a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte orienta que, “durante a quarentena os exercícios não devem ser realizados ao ar livre ou em academias e similares, mesmo que em condomínios fechados. O exercício deve ser adaptado para a sua própria residência, de acordo com a faixa etária, estado físico e disponibilidade”.

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