domingo, 14 de maio de 2017

Em Londres, Barroso afirma que impunidade criou país de "ricos delinquentes"

Ministro do STF defendeu reformas


O ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso afirmou neste sábado (13), durante palestra em Londres, que a impunidade criou um país de “ricos delinquentes”. Discursando para estudantes brasileiros no Brazil Forum, realizado na universidade London School of Economics and Political Science, o ministro afirmou que um país não pode ser refundado com “direito penal e punições exarcebardas”, mas com educação, distribuição de renda e debate público de qualidade.
No entanto, segundo ele, o direito penal brasileiro se mostra incapaz de punir pessoas acima de uma determinada faixa de renda. "A verdade é que um direito penal absolutamente incapaz de atingir qualquer pessoa que ganhe mais de cinco salários mínimos criou um país de ricos delinquentes, em que a corrupção passou a ser um meio de vida para muitos e um modo de fazer negócios para outros."
Ele também defendeu a necessidade de uma reforma política, com restrições ao foro privilegiado, fim das coligações proporcionais, voto distrital misto e fim da cláusula de barreira. "A classe política deve ao Brasil uma mudança do sistema eleitoral sob pena de tudo continuar como sempre foi. Se não mudar o sistema político, toda a energia que nós gastamos vai se dissipar por nada", discursou.
Ministro defendeu reforma política e da Previdência
Ministro defendeu reforma política e da Previdência
Barroso foi contestado pela plateia ao dizer que, apesar da crise recente, o país havia conquistado estabilidade institucional, ouvindo um grito de que o processo de impeachment foi golpe.
Ministro defende reforma da Previdência
No fórum, o ministro também defendeu que a idade mínima de aposentadoria deveria ser 65 anos. Para ele, as mudanças nas regras é "uma questão de aritmética".
"Tenho um amigo que se aposentou aos 44 anos. Hoje ele tem 84. Há 40 anos ele vive as custas da sociedade, de um povo pobre, ninguém pode gostar disso", afirmou. Segundo ele, é preciso reformar a Previdência, uma vez que "em nenhum país do mundo as pessoas se aposentam como no Brasil".
"A Reforma da Previdência não surge como uma escolha política, filosófica ou ideológica. É uma questão de aritmética e de justiça intergeracional. Se não a fizermos, vamos entregar um país devastado aos nossos filhos", disse Barroso, que não afirmou se endossa o modelo apresentado pelo governo e em discussão no Congresso.
Segundo ele, caso o Brasil não faça a reforma, as autoridades correm o risco de entregar às futuras gerações um "país arruinado" como a Venezuela.

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