No
reino da mediocridade e da imoralidade instalado no Brasil pela nefasta
elite lulopetista, quem pode vai embora. O país está perdendo as elites
das principais áreas. A propósito, segue artigo de Marcos Troyjo,
publicado na FSP:
Até há pouco tempo, o Brasil parecia estar reequilibrando sua “balança de elites”.
Obviamente
não trato aqui de elites como sinônimo dos que ocupam funções de
elevada hierarquia burocrática. Tampouco dos que ascenderam ao status de
alta riqueza pela rapinagem.
Nem
mesmo de quem, ao longo das décadas, se valeu do patrimonialismo do
Estado brasileiro para reforçar confortáveis posições oligopolistas.
Falo
daquele grupo de indivíduos que, por sua liderança no campo do
conhecimento e da vida empresarial, ou pela excelência em sua profissão,
perfazem o grande depósito de talento de uma nação.
Quando tal estoque alinha-se com a construção do futuro, observa-se o fenômeno glorioso das “elites funcionais”.
Em
2010, numa visita que fez ao Brasil, a socialista Ségolène Royal dizia:
“Para mim, o modelo de socialismo contemporâneo é Lula. O Brasil de
Lula e Dilma é alternativa de esquerda à globalização. Aqui há emprego e
esperança”.
Na
superfície, o Brasil era padrão de crescimento com justiça social.
Conseguira isso sem reformas estruturais, mas com “vontade política” –
expressa numa reedição de nacionalismo econômico, substituição de
importações e política externa “independente”.
Também
nessa época, numa conversa em Paris com um editor de “Le Figaro”, o
grande jornal conservador francês, ele me comentava suas impressões do
Brasil: “Daqui enxergamos seu país como um novo ‘eldorado’. Está na
contramão desse marasmo que experimentamos na Europa. Muitos jovens
franceses certamente gostariam de morar lá”.
Já
em 2011, durante a conferência sobre América Latina realizada
anualmente pela Sloan, a escola de negócios do MIT, num painel
intitulado “América Latina: uma perspectiva de Wall Street”, um dos
participantes sugeria uma pronunciada inflexão. Em breve, dada a pujança
econômica do Brasil, a sessão passaria a chamar-se “Uma perspectiva da
Faria Lima”.
Ao
final daquela conferência, muitos dos graduandos não queriam deixar o
MIT e seguir para a tradicional tríade consultoria/bancos de
investimentos/empresas de alta tecnologia. Queriam mesmo era fincar o pé
no Brasil e em seu aparente dinamismo.
Há
quatro anos, não eram poucas as reportagens dando conta de um refluxo
de brasileiros para seu país. A crise nos EUA e na Europa e a elevada
remuneração relativa em reais (ajudada pelo câmbio superapreciado) davam
a impressão de que o Brasil entraria num quadro superavitário de
talentos.
O Brasil está novamente tornando-se ponto de dispersão de elites
Sabemos
à exaustão que o nacional-desenvolvimentismo, a “nova matriz econômica”
e a diplomacia “altiva” enredaram o Brasil na armadilha do baixo
crescimento e na escassa conectividade com os mercados mais dinâmicos do
mundo. Como resultado, o Brasil está novamente tornando-se ponto de
dispersão de elites.
É
absolutamente legítimo pessoas – e empresas – decidirem emigrar em
busca de conjunturas mais favoráveis para prosperar e viver. Contudo,
esse fenômeno, no alvorecer de uma nova era do talento, é
particularmente danoso à nação.
O caso da Colômbia– Há
20 anos, muitos dos indivíduos mais talentosos da Colômbia haviam
deixado o país. A elite colombiana, atormentada por governos
incompetentes (com os quais muitas vezes mancomunou-se), a
“narcocracia”, as Farc e o consequente conflito civil, havia promovido
sua diáspora para Madri ou Miami.
Hoje,
com boa governança, políticas econômicas sólidas, acordos de comércio e
investimento que interligam o país ao mundo e a vitória sobre a
narcoguerrilha, a Colômbia já ultrapassou em termos de PIB a Argentina e
converteu-se na segunda maior economia da América do Sul. Atualmente, é
um chamariz de talentos.
Na
Venezuela e na Argentina, o populismo e a erosão por ele causada na
expectativa dos que querem ascender pelo trabalho duro e pelo mérito
precipitaram verdadeira força centrífuga de elites.
Na
Rússia, muitos dos jovens de até 25 anos de idade têm como ideal de
vida emigrar para Nova York ou Londres. E as promissoras empresas
start-up de base tecnológica – ricas em recursos humanos derivados do
investimento científico que a Rússia ainda faz – estão cada vez mais
deslocando-se para o Ocidente, em busca de menor instabilidade política
sobre a esfera dos negócios.
Hoje, quando se fala num novo êxodo de talento no Brasil, emergem cenários desalentadores.
Algo
está muito errado quando empresários brasileiros e suas companhias
olham com interesse o Paraguai como país para produzir – e viver.
Razões: custos de produção menores (entre eles o de energia) e impostos
mais razoáveis.
Ou
ainda quando empresários preferem pilotar suas companhias “a distância”
após mudarem-se com suas famílias para Lisboa ou Miami.
Muitos
dos brasileiros engajados em algum momento no Ciência sem Fronteiras ou
em outros programas de intercâmbio tecnológico internacional estão
desiludidos com as perspectiva de uma carreira no campo do conhecimento
no Brasil.
Acreditávamos
que o brain gain (ganho de cérebros) na segunda década dos anos 2000
superaria a brain drain (fuga de cérebros) ocasionada sobretudo pela
falta de horizonte dos anos 1980.
Por
isso, preocupa o volume cada vez mais alto das conversas em que, neste
momento, muitas pessoas falam em deixar o Brasil – ou a ele não voltar. A
disfuncionalidade do Estado brasileiro desencoraja e afugenta nosso
melhor capital humano.
Alarmamo-nos
com o impasse no ajuste fiscal, o desequilíbrio nas contas públicas, a
saída de finanças, o isolamento comercial do Brasil no mundo.
No topo disso tudo, se há algo de que o país definitivamente não precisa é uma fuga de elites.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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