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"O
predomínio da imoralidade" é o título do editorial do Estadão de hoje. É
título educado para o esgoto a céu aberto em que o lulopetismo
transformou esse pobre país. Dá nojo, simplesmente dá nojo:
Tem
razão o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, quando declara que não
será “nada anormal” se o Congresso aprovar as contas do governo de Dilma
Rousseff. O normal, hoje no País, é o predomínio da imoralidade no
trato da coisa pública, razão pela qual será surpreendente se os
parlamentares tomarem uma decisão justa, em vez de articularem mais um
vergonhoso conchavo, quando forem analisar os crimes cometidos pela
presidente na área fiscal – de resto sobejamente comprovados pelo
Tribunal de Contas da União (TCU).
Órgão auxiliar do Legislativo, o TCU aprovou por unanimidade, em
outubro, um parecer recomendando que o Congresso rejeitasse as contas de
Dilma. Os ministros daquele tribunal consideraram que o balanço
apresentado pelo governo, relativo ao ano passado, continha manobras
fiscais que violavam a Lei Orçamentária e a Lei de Responsabilidade
Fiscal.
Na ocasião, o TCU deixou claro que os procedimentos do governo para
maquiar suas contas “afrontam de forma significativa” vários itens
daquela legislação. O relatório, de mais de 1.400 páginas, não deixa
dúvidas sobre os delitos de Dilma – que, em países respeitadores da lei,
seriam mais que suficientes para embasar um processo de impeachment.
Não bastassem as evidências recolhidas pelos técnicos do TCU, o
ministro da Fazenda, Joaquim Levy, entregou à Comissão Mista de
Orçamento do Congresso a confissão de que o rombo causado pelas
“pedaladas fiscais” chega a inacreditáveis R$ 57 bilhões, fazendo saltar
o déficit primário do governo para quase R$ 120 bilhões, ou 2,08% do
PIB. Se isso não é irresponsabilidade fiscal, devidamente prevista como
crime na legislação, então nada mais é.
Mas o Brasil “normal”, conforme querem os petistas e seus sócios na
campanha de conquista do Estado, é aquele em que se faz a equivalência
moral de situações incomparáveis, com o objetivo de causar confusão e,
assim, tentar livrar a cara dos culpados pelo arrombamento das contas
públicas. Para se defender, Dilma diz que o governo de Fernando Henrique
Cardoso também “pedalou”, isto é, também atrasou repasses do Tesouro
aos bancos públicos; logo, se todos cometeram o tal crime, hoje e no
passado, crime não há.
É com esse argumento malandro que os petistas pretendem induzir o
Congresso a ignorar o TCU e aprovar as contas de Dilma, sugerindo que a
Lei de Responsabilidade Fiscal foi mal aplicada pelo tribunal. “Todo
julgamento é uma interpretação”, disse Jaques Wagner. “Você tem, à luz
da Lei de Responsabilidade Fiscal, uma interpretação que foi dada pelo
TCU. Nós vamos debater aqui no Congresso, à luz da mesma Lei de
Responsabilidade Fiscal, e vamos dar outra interpretação.” Por “outra
interpretação” se entenda concluir que o governo é inocente porque teria
repetido prática de seus antecessores.
No entanto, o que o TCU demonstrou, acima de qualquer dúvida
razoável, é que os crimes cometidos pelo governo petista, tanto em
volume de dinheiro quanto em extensão de tempo, não têm paralelo na
história do País.
O objetivo das pedaladas, já está claro, era esconder a terrível
situação financeira causada pelo populismo desatinado do lulopetismo. A
conta desse truque contábil finalmente chegou – mas o governo, como se
estivesse a negociar a compra de um fogão numa loja popular, quer
parcelar a dívida em 60 suaves prestações.
A aposta do governo petista, contudo, passa muito longe do tal debate
legalista sugerido por Wagner. No Congresso, qualquer decisão que venha
a ignorar o parecer do TCU, plenamente embasado em fatos irrefutáveis,
não será uma decisão técnica, e sim política. E a política está de tal
modo abastardada, reflexo de um governo licencioso e de um Congresso
dominado por desqualificados do baixo clero, que talvez seja fácil para
Dilma cabalar votos para aprovar suas criminosas cambaias.
Será um desfecho ignominioso, mas muito característico do momento em que vivemos.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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