MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

domingo, 9 de agosto de 2015

Equilibrando-se em busca do poder, Temer tropeça pela primeira vez


Carlos Newton
Na condição de maior beneficiário do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer vive momentos de grande emoção. Ao mesmo tempo em que sonha o tempo todo com o dia em que tomará posse no Planalto, se vê obrigado a manter as aparências, tem de defender ardentemente a permanência de Dilma e ainda atuar de forma incisiva para evitar a deterioração do que ainda resta da base aliada e do próprio governo.
Embora se esforce para se manter nos bastidores e ainda pareça estar num papel secundário, disputando apenas o Oscar de Coadjuvante, na verdade já faz tempo que Temer está desempenhando o papel principal, como grande protagonista de seu próprio roteiro. E a atuação dele vinha sendo irretocável.
Estava sempre pronto a defender o governo, nenhuma crise o abala, sabe acalmar os demais personagens e ilude até mesmo os figurantes da imprensa. Quem o vê no comando do Conselho Político do governo, tentando colar os cacos da base aliada, até pode pensar que se trata do mais fiel dos três ministros sem pasta (os outros são o professor Marco Aurélio Garcia, assessor de assuntos internacionais, e o marqueteiro João Santana, uma espécie de assessor de assuntos aleatórios). Mas as aparências enganam. Temer está apenas jogando o jogo, e escorregou ao declarar que o país precisa de alguém que possa uni-lo. Ou seja, a presidente Dilma não serve…
PANOS QUENTES
Depois de escorregar na corda bamba, Temer voltou a se equilibrar ao colocar panos quentes na decisão do PDT e do PTB de adotar postura de independência em relação à base aliada. “Essas coisas não devem nos impressionar. Muitas vezes acontece uma dissensão. Temos uma base aliada de muitos partidos. Um ou outro pode, momentaneamente, se afastar”, afirmou Temer. 
“Aliás, o que declararam foi independência: independência significa que votarão de acordo com suas convicções, o que de alguma maneira já vinham fazendo”, disse, citando um exemplo: “O PDT, muito atento às suas convicções, quando se verificaram as medidas provisórias e a do seguro-desemprego, veio a mim e disse que ia votar contra. Independência neste ponto temático já existia”, alegou, deixando aberta a porta para dialogar com os dois partidos.
ELOGIANDO DILMA…
Temer enxerga longe e já está costurando alianças para sustentar seu próprio governo, que deve suceder Dilma, caso a Justiça Eleitoral seja compreensiva e não determine a cassação da chapa PT-PMDB por crimes eleitorais, deixando o impeachment por conta do Congresso.“Temos que ter tranquilidade para harmonizar toda a base governista e mais do que harmonizar a base, haver uma preocupação com país”, afirmou esta quinta-feira, fazendo questão de elogiar Dilma Rousseff.
“A presidenta Dilma fez trabalho excepcional ao longo do tempo, ajudou a produzir os avanços sociais que o Brasil conhece, ajudou estados e municípios. Teve uma atuação no governo federal e um relacionamento, embora muitas vezes digam o contrário, muito fértil com o Congresso e com os governadores”, observou, para demonstrar que a governabilidade está hipoteticamente garantida por ela (ou por ele?).
Se Chacrinha estivesse vivo e presenciasse essa exibição de Temer,  o genial apresentador de TV logo perguntaria: “Ele vai ou não vai para o trono?”.

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