MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

domingo, 9 de agosto de 2015

Delação de Fernando Baiano poderá complicar Eduardo Cunha


Delação de Baiano tem de ser aprovada no Supremo
Deu na Folha
Apontado como operador do PMDB em contratos com a Petrobras, Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, começou a delinear o conteúdo de depoimentos para entregar a participação de políticos peemedebistas no esquema de corrupção na estatal.
Ele esteve reunido com representantes da Procuradoria-Geral da República e do Ministério Público Federal do Paraná. Já em discussão em Curitiba, o escopo do acordo deverá ser fechado em Brasília por envolver políticos com foro privilegiado.
O encontro ocorreu na sede da Polícia Federal em Curitiba. Baiano foi acompanhado, pela primeira vez, do novo advogado, porque seu time atual de defensores, liderados por Nelio Machado, opõe-se a a um acordo com a Procuradoria.
Em uma providência que precede o fechamento dos acordos de delação, ele já foi transferido para uma outra ala do Complexo Médico-Penal de Curitiba, onde está preso, considerada mais segura.
Foi a segunda conversa de Baiano com os procuradores nesta semana. Na terça, ele foi levado à superintendência da PF para depor em um dos inquéritos que correm no STF (Supremo Tribunal Federal).
MAIS PROVAS
Antes da oitiva ser iniciada, procuradores mostraram a Baiano um novo conjunto de documentos que trariam novas evidências da sua atuação como intermediário de propina a políticos.
Um dos fatores de pressão por um acordo é a situação jurídica cada vez mais intrincada: ele é réu em duas ações penais na primeira instância, já teve decretadas pelo juiz Sergio Moro três prisões preventivas e viu naufragar, nos tribunais superiores, todos os pedidos de habeas corpus apresentados desde novembro, quando foi preso no curso da Lava Jato.
EDUARDO CUNHA
Baiano é peça-chave no esclarecimento da acusação lançada pelo lobista e delator na Operação Lava Jato, Julio Camargo, contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
O lobista afirma que o deputado pediu a ele propina de US$ 5 milhões em um contrato de R$ 1,2 bilhão de afretamento de navios-sonda pela Petrobras.
No depoimento, prestado em Curitiba, Camargo disse que o pedido de propina teria ocorrido pessoalmente, em uma reunião no Rio. O valor, afirmou, foi pago por meio de Fernando Baiano. O deputado Cunha nega que tenha recebido propina.
Responsável pelos contratos na Petrobras, o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró já teve conversas com procuradores sobre um possível acordo, mas, segundo a reportagem apurou, as negociações estão paradas. A diretoria internacional era controlada politicamente pelo PMDB.
SONDAS
Enquanto o acordo avança, a atual defesa de Baiano protocolou na noite de quarta-feira uma peça de 165 páginas com as alegações finais na ação penal que responde por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso dos navios-sonda pela Petrobras.
Os advogados de Baiano alegaram que houve cerceamento do direito de defesa e atacaram o fato do processo ter continuado a correr na primeira instância, mesmo após as citações a Eduardo Cunha.
Como deputado foi mencionado como destinatário de propina pelo doleiro Alberto Youssef antes da denúncia do Ministério Público (acusação formal), sustentam os advogados de defesa, o foro adequado da ação deveria ser o STF.
A mudança de versão de Julio Camargo foi duramente criticada. Embora tenha fechado acordo de delação em outubro de 2014, foi em julho que ele citou o deputado Eduardo Cunha pela primeira vez.
“Ou mentiu nos seus primeiros depoimentos, omitindo informação que não poderia esconder, se veraz, ou faltou com a verdade agora, pouco importa, pois o que se tem de concreto é a falta de credibilidade escancarada do mencionado colaborador”, escreveram os oito advogados que assinam a peça.

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