Ou: Fala um militante das antigas
Converse
com petistas com miolos. Sim, os há! Fiz exatamente isso nesse fim de
semana. Por que são petistas ainda? A resposta é longuíssima, e não me
ocuparei disso agora. Mas o fato é que aqueles que pensam a sério o
destino do partido também o veem morrendo e não enxergam muito por onde
ressuscitá-lo. Vários fatores se somam. E já chegarei a eles. Antes,
quero que prestem atenção a alguns números.
O
Instituto Paraná Pesquisas fez um levantamento na Bahia sobre a
preferência partidária da população do Estado. A coisa não vai bem para
os companheiros naquele que já foi considerado um reduto do petismo.
Indagados
sobre qual é o partido de sua preferencia, 40,8% dos que responderam a
pesquisa disseram “nenhum”. O segundo grupo com o maior percentual é
justamente o dos que disseram “PT”: 16,9%,. Em seguida, vêm PMDB (10,8%)
e PSDB (10,5%). Dez por cento não sabem. Vejam tabela.
Até aí,
bem! Não é muita coisa, mas os petistas poderiam ficar felizes por
liderar entre os que escolheram uma legenda. O busílis está em outra
pergunta. O Paraná Pesquisas quis saber também qual é o partido de que
os baianos menos gostam ou que mais rejeitam. Aí a coisa ficou feia: o
PT disparou, com 43,6%, ganhando do “Nenhum/não tem”: 33,1%. Muito atrás
na rejeição, vêm o PSDB, com 8,4%, e o PMDB, com 4,2%.
O Paraná
Pesquisas ouviu 1.284 eleitores, entre os dias 21 e 26 de julho, e a
margem de erro é de três pontos para mais ou para menos.
Congresso, refundação e mais do mesmo
Muito bem! Neste domingo, o Estadão publicou uma entrevista do petista Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro do governo Lula. Afirmou que tanto o partido como os governos petistas chegaram ao fim de um ciclo. Segundo Tarso, que articula uma frente de esquerda — que seria liderada pelo PT, é claro! —, chegou a hora de “refundar” o partido.
Muito bem! Neste domingo, o Estadão publicou uma entrevista do petista Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro do governo Lula. Afirmou que tanto o partido como os governos petistas chegaram ao fim de um ciclo. Segundo Tarso, que articula uma frente de esquerda — que seria liderada pelo PT, é claro! —, chegou a hora de “refundar” o partido.
Então tá. A
única coisa chata para quem tem memória é que Tarso fez esse mesmíssimo
discurso, apelando até à mesma palavra — “refundação” — em 2005, por
ocasião da crise do mensalão, quando pareceu que ele iria formar um polo
na legenda para se opor a José Dirceu e companhia.
Pouco
depois, foi desautorizado pelo próprio Lula, que passou a sustentar que
aqueles que acusavam o PT pelos crimes do mensalão eram… “golpistas”,
mesma palavra empregada hoje em dia, e que tudo não passava de uma trama
urdida por reacionários, tendo a mídia monopolizada como organizadora
daquela reação. Não tardou para que o próprio Tarso passasse a
incorporar esse discurso.
Pois bem…
Digamos que o PT tenha chegado ao fim de um ciclo, e os governos
petistas também. Para que algo seja refundado é preciso admitir o erro. O
partido realizou o seu congresso há menos de dois meses, na Bahia,
entre 11 e 14 de junho. Não se ouviu por lá nem sombra de autocrítica. E
a voz que mais reiterou os erros foi justamente Lula, segundo quem os
ataques ao partido decorrem de suas virtudes. Os petistas sustentaram a
tese de que a legenda se tornou alvo dos conservadores porque distribuiu
renda e inseriu os pobres na economia. Ora, por que um partido tão
bonzinho iria mudar alguma coisa?
O próprio
Tarso, ao tentar apontar o caminho dessa refundação, pede a mudança da
política econômica. A julgar pela crítica que faz, quer a volta do
“dilmo-manteguismo” que vigorou entre 2011 e 2014, que contribuiu
justamente para empurrar o país para uma grave crise. Ou por outra:
hoje, o PT se divide entre os que não querem mudar nada e os que querem
mudar para pior.
Um segundo
elemento que empurra o partido ladeira abaixo, dizem os petistas que
ainda conseguem raciocinar em meio ao caos, é o envelhecimento da
legenda — envelhecimento físico mesmo. O PT se desconectou da juventude e
perdeu aquele ar de vanguarda até de costumes que exibiu nos tempos da
oposição. Tornou-se, na expressão do meu interlocutor, “ranzinza,
ranheta, reativo e agressivo”. Ele pondera: “Seria inimaginável, até o
começo dos anos 2000, supor que o PT teria de recorrer à militância paga
para juntar gente, pagar lanchinho…”
O PT
perdeu as ruas. Mas e os movimentos sociais? E um Guilherme Boulos, não é
renovação? Meu interlocutor responde: “O sentimento difuso de mudança e
de progresso social que o PT chegou a encarnar não é substituível por
grupos militantes que, muitas vezes, têm um discurso corporativista, que
é o avesso daquilo que a gente representava”. Ou por outra: houve um
tempo em que a legenda, falando ou não a verdade, tinha um apelo
universalista. Hoje, assemelha-se mais a um grupo de pressão em defesa
de privilégios.
Finalmente,
ele vê um problema conjuntural, mas que pode trazer ainda mais
dificuldades. Diz que, país afora, prefeitos do próprio partido, em
busca da reeleição, estão dispostos a esconder a sigla porque “anda
difícil defender o PT”. Ele também aponta dificuldades para liderar
alianças em cidades importantes. Teme por um brutal encolhimento da
legenda nas eleições municipais.
Finalmente,
pergunto: “Você acha que Lula será candidato?” Diz ele: “Se tiver
juízo, não! Talvez até venha a reunir condições de vencer. Mas acho que o
PT deveria ir para a oposição para sobreviver”.
Alguma chance, indago, de essa avaliação conquistar adeptos na legenda? Ele é sintético, com ar de desconsolo: “Não!”


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