Historiador fez mesa com reação mais calorosa da plateia até o momento.
Ele falou também sobre morte da esposa e livro que escreveu sobre perda.
O historiador Boris Fausto, que participou de mesa na Flip 2015 nesta sexta (3) (Foto: Divulgação/Flip)O tom político foi dado apenas já perto do desfecho da mesa e teve a melhor aprovação possível. Boris Fausto falava sobre as manifestações de junho de 2013. Para ele, “ao otimismo daquela época surgiu um desencanto muito grande”.
“A entrada do PT no poder é um corte na história brasileira, uma coisa importante. Houve momentos de razoável equilíbrio financeiro, combinado com a possibilidade de se realizar uma política social efetiva”, afirmou.
“Mas eu diria que, a partir do segundo governo Lula – e estou dando minha opinião porque você está pedindo, não estou fazendo propaganda –, realmente houve um uma política econômica absolutamente inadequada, ideológica. E uma coisa muito triste: na cúpula do partido dos trabalhadores tem gente corrupta que trabalha num sistema mafioso. Não tenho dúvida quanto a isso”, continuou, citando que a avaliação não deve ser generalizada. Foi bastante aplaudido.
O mediador Paulo Roberto Pires e o historiadorBoris Fausto na primeira mesa da Flip 2015 desta
sexta (Foto: Divulgação/Flip)
Para o historiador, à oposição falta “coerência nas suas atitudes”. Como exemplo, ele falou da proposta do fator previdenciário defendida pelo atual governo – a oposição votou contra. Ele lembrou que o fator foi “introduzido na época do FHC [governo do PSDB], então que [os integrantes da oposição] votassem agora a favor, mesmo que esse fosse o voto do PT”. “Essa coerência que a gente cobra da oposição.”
Viuvez
Durante sua mesa, Boris Fausto falou sobre a morte da mulher, Cinira, com quem foi casado por 49 anos. Nos anos seguintes à perda, ele escreveu um diário que depois virou o elogiado livro “O brilho do bronze”.
O historiador falou com muita franqueza e bom humor sobre a viuvez. Leu um trecho em que, numa visita ao cemitério em que a mulher está enterrada, pechinchou na compra de dois vasos de flores e conseguiu desconto de R$ 5. Questionado se já superou o luto, afirmou: “Totalmente. Eu sou capaz de falar da história de Cinira sem chorar. Eu era incapaz de fazer isso”.

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