Alfa Romeo
Cuore – Atrás dos bancos, um motor turbo 1.8 de 240 cv
BALLOCO (Itália) – Dirigir, ou melhor, pilotar a Alfa 4 C só podia
mesmo ser numa pista, pois é um puro esportivo que trouxe de volta o
espírito da marca. O “cuore sportivo” que construiu a imagem da Alfa
Romeo desde o início do século passado. Ao contrário de esportivos
luxuosos como Porsche ou Camaro, não faz concessões ao conforto e,
embora seja possível – claro – rodar com ele no trânsito urbano, não é
este seu propósito: a emoção vem ao pisar fundo no acelerador.
A Fiat levou alguns jornalistas brasileiros para conhecê-lo na pista de
Balocco, perto de Milão. Seu traçado resgata curvas de alta e baixa
velocidade dos principais circuitos europeus.
Cayman na alça de mira
Assim como seu irmão maior, o 8C lançado em 2007 em edição limitada a
500 unidades, o 4C trouxe de volta a tração traseira tão reclamada pelos
“alfisti”. Mas tem uma configuração mecânica ainda mais apurada: motor
de alumínio com quatro cilindros, colocado entre-eixos na traseira, 240
cv de potência, 1.750 cm3 de cilindrada. O câmbio é do tipo dupla
embreagem com seis marchas. A suspensão gruda o carro no asfalto, tem
triângulos duplos na dianteira e multi-link atrás. Mas não dá pelota
para quem pede conforto em pisos irregulares. A direção não é pesada,
pois a mecânica está toda na traseira. Mas não é uma seda para manobrar,
pois não tem assistência hidráulica nem elétrica. O conversível está
mais para targa, pois o teto (de fibra ou lona) é retirado manualmente. O
carro foi projetado e está sendo produzido pela fábrica da Maserati, em
Modena. Concorrência? Em sua alça de mira está o Porsche Cayman. Custa
(na Europa) 76.500 euros, cerca de R$ 300 mil reais.
No peso, o segredo
Que ninguém se iluda com a potência do 4 C. É só arrancar para se
imaginar um haras com cerca de 500 cavalos, o dobro de sua potência
real. O segredo está no peso: apenas 940 kg (60 kg mais que a versão
cupê), mais leve que muitos dos nossos compactos. A mágica do peso pluma
foi obtida com muita fibra de carbono na estrutura, chassis de alumínio
e materiais compostos na carroceria.
Além de ser curtinho com apenas dois lugares, é baixinho também e seu
comportamento faz lembrar um Lotus, com centro de gravidade quase
esbarrando no asfalto. O motorista tem o direito de optar entre quatro
comportamentos distintos, num comando no console.
O mais bravo é o “Race” que desliga o controle de estabilidade, de tração e só mantem o do diferencial.
O escapamento contribui para o caráter esportivo e ainda emite
(artificialmente) umas explosões na passagem de marchas. Não é um carro
confortável: o conjunto de som e ar-condicionado sob o painel é
totalmente virado para o motorista, avançando para o lado do passageiro
que tem que se virar para posicionar os joelhos.
A Alfa 4 C faz lembrar um kart, que não tem suspensão mas anda grudado
no piso. O painel é enxuto mas fornece informações que interessam ao
motorista. Até quanto puxa o carro lateralmente nas curvas. Acelera
(segundo a fábrica) de zero a 100 km/h em 4,1 segundos. Máxima de 257
km/h.
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