Verissimo diz que mortos do Charlie podem virar mártires de uma causa inimiga.

Em mais uma da série de derrapadas da extrema-esquerda tentando capitalizar com o atentado ao Charlie Hebdo, Luís Fernando Veríssimo demonstra a preocupação de que seus oponentes capitalizem transformando os jornalistas mortos em mártires.
O “Charlie Hebdo”e outros, como o “Canard Enchainé”, pertencem a uma tradição de imprensa malcriada que vem desde antes da Revolução Francesa. É uma imprensa que não reconhece limites nem de alvos para o seu humor corrosivo nem de coisas vagas como “bom gosto”. Lembro uma capa que ficou famosa, já não sei mais se do “Charlie” ou do “Canard”, que era a seguinte: fotos dos órgãos genitais de várias pessoas, com legendas embaixo especulando de quem seriam. Entravam na lista políticos, astros e estrelas e até o Papa.Este é o detalhe impossível de ser captado pela mente de extrema-esquerda. Para nós, defensores da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa, não faz a menor diferença se os jornalistas do Charlie Hebdo são de direita ou esquerda, se são adeptos de Marx ou Mises. Ou seja, a informação acima é irrelevante para qualquer discussão sobre liberdade de expressão. O que está sendo discutido é o direito de alguém expressar sua opinião sem ser vítima de violência. É pontualmente isso que Veríssimo não é capaz de assimilar.
O “Charlie Hebdo” é um jornal nitidamente de esquerda, mas que nunca livrou a esquerda das suas gozações. Seu alvo preferencial é a direita religiosa francesa, mas, de uns anos para cá, ele vem incluindo o fundamentalismo islâmico nas suas críticas — mesmo com o risco de atentados como o que acabou acontecendo na quarta-feira, que foi o mais trágico mas não foi o primeiro.
Vamos seguindo:
Jornais como o “Charlie”, impensáveis em qualquer outro lugar, se beneficiam de outra tradição francesa, a da tolerância com a contestação política e respeito à liberdade de expressão. Por ironia, o atentado de quarta-feira deve fortalecer a direita xenófoba e anti-Islã da França, justamente a que o “Charlie” mais combatia. O cartunista Wolinski e os outros morreram pelo direito de serem livres, totalmente livres, mas seus assassinos não tinham nenhuma tradição parecida com a da França para conter o dedo no gatilho. No fim, os mortos do “Charlie” podem virar mártires de uma causa inimiga. Uma ironia que todos eles dispensariam, se pudessem.Mas a maior ironia de todas é aquela que Veríssimo não capturou. Se existem manifestações pós-atentados, todas elas são contra o terrorismo e principalmente a favor da liberdade de expressão. A tal “direita xenófoba e anti-Islã” só tem apresentado argumentos racionais em prol de maior cumprimento das leis por parte de muitos islâmicos, que andaram muito assanhados ultimamente (inclusive praticando a Lei da Sharia pela Europa).
Mas a maior motivação de todas é pela liberdade de expressão, que pode até ser um dos objetivos dos mortos do Charlie Hebdo. Por outro lado, a destruição da liberdade de imprensa é a meta principal da extrema-esquerda no Brasil e nos demais países bolivarianos. Goste Veríssimo ou não, as vítimas do Charlie Hebdo serão mártires da liberdade de imprensa. Esta sim uma causa inimiga dos bolivarianos por aqui, todos trêmulos com os efeitos devastadores dessa nova luta ocidental.
De novo: eles serão mártires, talvez não de uma causa inimiga a eles. Mas de uma causa inimiga a Veríssimo e toda a tropa do PT, PCdoB e PSOL.
Enquanto isso, segue uma imagem vinda do Kibe Loco:

Nenhum comentário:
Postar um comentário