Proteção ao emprego e estímulo à produção automobilística estão entre reivindicações
Metalúrgicos da Volkswagen, Mercedes, Ford, Karmman Ghia, Mahle, Sogefi e Samot em São Bernardo (SP) aprovaram uma pauta de reivindicações para o governo estadual e federal, contra a onda de demissões na indústria automobilística. O ato, realizado na Via Anchieta, nos sentidos São Paulo e Santos, nesta segunda-feira (12), contou com a presença de cerca de 20 mil trabalhadores. Eles protestavam contra as mais de 800 demissões na Volkswagen e 244 na Mercedes no início deste ano.O Ministério do Trabalho e Emprego, em resposta ao JB por meio da assessoria de imprensa, declarou que o ministro Manoel Dias está em contato com as partes envolvidas para entender a situação. "Ele irá mediar a situação de acordo com o que for possível dentro de suas possibilidades como ministro. Os encontros ainda vão acontecer para, assim, ter uma posição oficial. O momento, até agora, é de diálogo."
Na pauta dos trabalhadores, conforme divulgou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, há medidas que deveriam ser tomadas pelo governo estadual e pelo governo federal. No caso do governo paulista, que teria recebido o documento ainda nesta segunda, é demandada a criação de um conselho estadual de política industrial; código de conduta social; programa de revitalização de áreas industriais; programa de adensamento da cadeia produtiva automotiva; programa de estímulo à produção de carros elétricos; câmara de negociação e mediação de conflito; e combate à "Guerra Fiscal". O JB entrou em contato com o governo de São Paulo, mas não recebeu retorno até o fechamento desta matéria.
Já ao governo federal é demandada a criação de um programa nacional de proteção ao emprego; outro voltado à renovação de frota de caminhões; e ampliação das liberações de crédito, principalmente para a aquisição de veículos. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto, em seu discurso de posse na última quarta-feira (7), comentou sobre a situação. “A agenda da competitividade da indústria é imprescindível. O setor vem perdendo espaço na economia. Desde 1985, a participação [da indústria] declinou de 25% para 14% do PIB.”
A CUT promove nesta terça-feira (13), às 10h, em sua sede, reunião das centrais sindicais para definir ações conjuntas contra as demissões e impedir novos desligamentos. “Uma ação como essa e as demonstrações de solidariedade dos metalúrgicos do ABC, da CUT e demais entidades dão firmeza aos trabalhadores de continuar acreditando que a reversão das demissões é possível”, comentou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques. "As empresas ganharam muito e fizeram remessas de lucro para suas matrizes", disse Marques durante o protesto.
De acordo com o sindicato, os trabalhadores da Volkswagen souberam da demissão por meio de telegramas recebidos no final do ano passado, que informavam que eles não retornariam aos seus postos de trabalho após o fim das férias coletivas, no dia 6 de janeiro. A correspondência, que começou a ser enviada pela empresa dia 30 de dezembro, teria chegado a 800 trabalhadores, mas a ameaça, seria que outros 1.300 trabalhadores sejam afastados.
A Volkswagen, por meio da assessoria de imprensa, confirmou o desligamento de 800 empregados em sua fábrica no ABC Paulista, após período de licença remunerada de 30 dias, para "estabelecer condições para um futuro sólido e sustentável para a Unidade Anchieta, tendo como base o cenário de mercado e os desafios de competitividade". A empresa lembrou ainda que medidas de flexibilização da produção vêm sendo aplicadas desde 2013, como férias coletivas e suspensão temporária dos contratos de trabalho (lay-off), mas que os "esforços não foram suficientes".
A Volkswagen também destacou um "longo processo de negociação" com o sindicato, que teria resultado em um proposta de continuidade de formas de adequação de efetivo através de Programas Voluntários com incentivo financeiro e também de “desterceirizações” temporárias para alocação de parte do excedente de pessoal, entre outras medidas -- proposta que foi rejeitada, destaca a empresa, em assembleia realizada no dia 2 de dezembro.
"Mas continua urgente a necessidade de adequação de efetivo e otimização de custos para melhorar as condições de competitividade da Anchieta, motivo pelo qual a empresa inicia a sua primeira etapa de adequação de efetivo”, completou a Volkswagen. Para a empresa, o cenário de retração da indústria automobilística no País nos últimos dois anos e o aumento da concorrência impactaram seus resultados, em especial, da Unidade Anchieta.
No caso da Mercedes, segundo o sindicato, 244 trabalhadores não tiveram o lay-off renovado e foram demitidos no final do ano passado. "A demissão destes companheiros descumpre a cláusula do acordo que garante a renovação do lay off até 30 de abril deste ano."
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