Ricardo Bastos/Hoje em Dia
José Felipe, da Wäls: 40 mil litros produzidos por mês, de 15 diferentes tipos de cerveja
Calor pede uma gelada. E as cervejarias artesanais do Estado, que
juntas produzem 1,1 milhão de litros de cerveja por mês, agradecem a
preferência. De acordo com o superintendente do Sindicato das Indústrias
de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais (SindBebidas),
Cristiano Lamego, as altas temperaturas registradas desde o final de
dezembro devem garantir ao setor aumento significativo nas vendas, que
pode chegar a 21%. Há quem só não venda mais porque não tem, mas já se
prepara para aumentar a produção.
É o caso da Wäls, que produz cerca de 40 mil litros de cerveja por mês,
de 15 estilos diferentes, na fábrica no bairro São Francisco, na região
Pampulha. Segundo o proprietário da marca, José Felipe Carneiro, a
demanda é maior do que a capacidade de produção. No entanto, os planos
de expansão da indústria para o curto prazo estão voltados para o
exterior, considerado por carneiro um mercado consumidor “mais maduro”.
No mês que vem, a Wäls vai inaugurar uma fábrica com capacidade para
chegar a 300 mil litros de cerveja por mês na Califórnia, nos Estados
Unidos, mediante investimento de US$ 8 milhões. Com produção inicial de
90 mil litros mensais, a previsão é, no futuro, atender ao Brasil por
meio da fábrica norte-americana.
Procura por ventiladores triplicou nas últimas semanas

Alta - Paulo Leonardo, da Furacão: mais 2,5 mil ventiladores. Foto: Samuel Costa/Hoje em Dia
Se a cerveja gelada está garantida, o próximo passo para se refrescar é
o bom e velho ventilador. Na Furacão, empresa especializada na venda de
climatizadores com três unidades na capital, as vendas aumentaram 300%
nas últimas semanas. A procura foi tão alta que alguns modelos se
esgotaram em poucos dias.
De acordo com o gerente comercial da empresa, Paulo Leandro, alguns
clientes chegam a comprar modelos comerciais para colocar nas casas. “O
preço desses ventiladores, que são bem potentes, é mais em conta do que
um ar-condicionado, embora eles façam mais barulho”, pondera o gerente
comercial.
Para atender à demanda, ele afirma que a empresa fez uma encomenda de
2.500 unidades comerciais. “São três caminhões e uma carreta, que devem
chegar em dez dias. Também encomendamos residenciais e industriais”,
diz.
Nos magazines, os ventiladores e aparelhos de ar-condicionado também
ganharam espaço. Segundo informações da assessoria de imprensa do Extra,
a empresa prevê um aumento de dois dígitos nas vendas dos produtos. A
novidade deste ano nas lojas do grupo é a procura por ares-condicionados
portáteis.
Sem informar a quantidade, as Casas Bahia informaram que as vendas dos
climatizadores foram expressivas entre o final de dezembro e o começo de
janeiro.
Expansão
Com planta no condomínio Vale do Sol, na saída para Brasília, a Falk
Bier está produzindo 10 mil litros de cerveja mensais neste verão,
utilizando o máximo de sua capacidade. Para aumentar a produção, a Falk
Bier vai inaugurar, no primeiro semestre deste ano, uma nova fábrica.
Localizada no mesmo condomínio, o empreendimento terá capacidade para
produzir seis vezes o volume atual, segundo informa o proprietário da
empresa, Marco Falcone. O investimento será de R$ 2 milhões. Metade já
foi aportado na parte estrutural, que está pronta, e o restante será
destinado ao maquinário. “Estamos aguardando financiamento, que não está
fácil”, diz.
Na avaliação do superintendente do SindBebidas, o mercado de cervejaria
artesanal mineiro é o segundo maior do Brasil e só tende a crescer. O
motivo seria o aumento da renda da população, que permite o consumo de
bebidas de maior valor agregado. Como resultado, o faturamento do setor
cresce 21% ao ano.
O professor universitário Mardem Alencar, de 37 anos, é exemplo de quem
descobriu nas cervejas artesanais uma paixão. “Sempre opto pelas
cervejas artesanais, independentemente da ocasião. É um produto com
sabor diferenciado, mais apurado”, afirma. E embora Alencar confesse que
o consumo da cerveja é maior no calor, ele é enfático: “a cerveja
artesanal vale a pena a ser consumida em qualquer época do ano”.
Com o calor, consumo de sorvetes cresce até 40%

Depois de um período de desânimo no comércio, a proprietária das marcas
Doce Cascão e Mais Yogo, e presidente do Sindicato Intermunicipal das
Indústrias de Sorvete de Minas Gerais (Sindsorvete-MG), Elizabeth
Andreia Teixeira Prata, comemora aumento de 40% no faturamento das três
lojas da Doce Cascão, localizadas em Belo Horizonte e região
metropolitana. Para atender à elevação nas vendas, a empresária
contratou 7 funcionários, ampliando para mais de 40 o número de empregos
gerados.
Na Mais Yogo, que comercializa frozen e creme de açaí para padarias e
supermercados, as vendas aumentaram 20%, mas a expectativa é a de
ampliar ainda mais no curto prazo.
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