Eleição não se vence de véspera e a oposição precisa se tocar disso. Porque 2018 será um ano ainda mais longo que 2014.
IMPLICANTE
E há tempos. Mais precisamente às 20h27
de 26 de outubro de 2014, quando o TSE confirmou que matematicamente se
tornara impossível uma vitória de Aécio Neves na corrida presidencial.
Contam jornalistas que acompanharam a apuração ter sido neste momento em
que houve uma esperada comemoração da trupe petista e já um sinal de
Lula como candidato do PT a brigar na eleição seguinte.
Se há algo que o hoje o Partido dos
Trabalhadores ainda faz bem é a manutenção do próprio grupo no poder.
Não à toa, ao final de uma longa jornada, já se dá o primeiro passo para
a jornada seguinte. E, ao que tudo indica, ela envolve uma volta à
esquerda e um isolamento dos petistas que comandarão o país daqui pra
lá. Porque os próximos dois anos, já deixou bem claro o novo Ministro da Fazenda, não serão fáceis, a exemplo dos quatro últimos.
Com pelo menos 3/4 de um mandato de
Dilma em crescimento quase nulo, será difícil o PT se vender como
continuidade em 2018. Mas, para quem conseguiu votos se declarando
“mudança” mesmo estando no poder por 12 anos, vender Lula como candidato
de oposição à presidente que ajudou a eleger não será uma tarefa tão
impossível. Todavia, requer alguns cuidados. E as primeiras peças já
parecem ter sido movidas.
Teria dito o ex-presidente ainda antes
de Dilma ser diplomada para o segundo mandato (e após passar três meses
gritando sandices por votos a ela):
“A mobilização social e a reaproximação com a esquerda são condições necessárias para que o partido continue no poder depois que Dilma encerrar seu mandato.”
As aspas podem ser lidas em reportagem da Folha
sobre uma pressão que estaria fazendo Lula junto aos movimentos
sociais. Segundo a publicação, que aos poucos vem se mostrando uma ótima
assessoria de imprensa petista, “esse tipo de cobrança será feita
periodicamente por Lula, que tem se queixado em conversas reservadas do
estilo de Dilma, muito centralizador e pouco alinhado às bases do
partido.” No mesmo pacote de intenções, ainda segundo a publicação, “Lula
pretende criar na estrutura do PT um grupo informal, paralelo à
executiva da sigla, que ajude a direção a levantar novas bandeiras e
renovar o diálogo do partido com os movimentos sociais.”
Quem, por linhas tortas, surgiu este fim de semana confirmando a estratégia, mas em outro veículo, é a já considerada traidora por alguns petistas, Marta Suplicy:
“Ou o PT muda, ou acaba!”
Apenas coincidências de alguém que se
prepara para largar o PT? Ou alguém próximo a Lula que está seguindo
ordens dentro de uma estratégia? A pergunta certa, no entanto, parece
ser: quem se beneficia com os pontapés dados pela ex-ministra da
cultura?
Ora, Marta se apresenta como
articuladora do movimento “Volta, Lula”. Diz que manteve contato direto
com ele e recebeu autorização para a campanha em prol do dele. Que Lula
se mostrava extremamente incomodado com Dilma (que nunca o escutava).
Que Mercadante comete trapalhadas e possui a intenção de barrar as
intenções de Lula em 2018. Que a política econômica de Dilma era um
fracasso. Que Lula está completamente fora do que Dilma vem fazendo em
Brasília. Que Rui Falcão é um traidor. Que o PT que hoje existe em nada
lembra o PT que ela ajudou a fundar.
Soa ou não tudo o que Lula precisa para,
em 2018, se vender como um candidato de oposição, mesmo estando dentro
do PT? O salvador que trará de volta o PT clássico, do segundo mandato
de Lula, com PIB alto, inflação baixa e brasileiro viajando de avião?
A desconfiança só solidifica-se quando
percebe-se que, em nenhum momento, Marta, que parecia não ter limites na
língua, nem se aproxima de qualquer assunto referente à saúde do
ex-presidente. Mas, segundo Leandro Mazzini, colunista político do UOL, Lula passou o ano de 2014 lutando contra a volta do câncer, desta vez, em seu pâncreas.
O próprio silêncio que os demais
veículos de imprensa ofereceram ao caso soa suspeito. Por que não
aproveitaram os cliques que tão importante nota geraria? Mesmo que
encaixando um “suposto” antes de cada substantivo? O jornalista em
questão tem sua coluna replicada em jornais de ao menos 24 capitais. Não
seria o caso de se debruçar sobre o caso? Esclarecer que tipo de câncer
é este? Que tipo de remédio alternativo é este? Ele é legal? Você pode
comprar este medicamento, caso queira? O SUS oferece?
Silêncio. E “sorte”. Assim, entre aspas. Ao menos do pretenso candidato petista em 2018. Porque logo a mídia se viu diante do atentado terrorista mais impactante desde o 11 de setembro. E todo o resto do noticiário se viu ofuscado.
É uma pena que o futuro do país seja
refém de uma, como diz o articulista Josias de Souza, “gincana
publicitária”. Mas é o que há para o momento nesta democracia. Com um 4 x
3 no placar após abrir perdendo por 0 x 3, o PT vem se mostrando
invencível na competição. E as articulações já em andamento mostram que
tudo é fruto de muito trabalho. Eleição não se vence de véspera e
a oposição precisa se tocar disso. Porque 2018 será um ano ainda mais
longo que 2014.

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