Segundo o NYT, o setor movimentou quase 300 milhões de dólares nos últimos anos, dinheiro investido pela ditadura comunista chinesa. Gabriel de Arruda Castro para a Gazeta do Povo:
Uma
reportagem do The New York Times desvendou uma rede de influência
internacional bancada pela ditadura chinesa. Alguns desses braços estão
no Brasil.
A
investigação do jornal americano joga luz sobre a atuação de Neville
Roy Singham, empresário de origem indiana ligado ao Partido Comunista da
China. Singham mora em Xangai e produz, dentre outras coisas, um
programa para o YouTube financiado pela cidade — leia-se o partido. Mas a
sua atuação vai muito além disso.
Segundo
o jornal, ele está na linha de frente de uma guerra silenciosa iniciada
pelo Partido Comunista da China para influenciar a opinião pública fora
do país. Em outras palavras: propaganda política apresentada como se
não fosse.
Em
2017, Singham vendeu sua empresa do ramo da tecnologia, a Thoughtworks,
por US$ 785 milhões (o equivalente a R$2,5 bilhões à época). Agora, o
ativismo pró-ditadura chinesa é a sua principal ocupação. A rede
movimentada por ele distribuiu pelo menos US$ 275 milhões nos últimos
anos, de acordo com o jornal americano.
O
repasse do dinheiro é feito por manobras que dificultam o seu rastreio e
utiliza quatro organizações não-governamentais de fachada com sede nos
Estados Unidos. A única presença real dessas entidades são caixas
postais. A legislação americana não exige que organizações sem fins
lucrativos divulguem quem são os seus doadores.
Think tank marxista
Singham
financia uma teia de organizações que têm como objetivo divulgar
propaganda (ou desinformação) sobre a ditadura chinesa. Um dos pontos
centrais dessa teia é um think tank chamado Instituto Tricontinental de
Pesquisa Social.
O
instituto se apresenta como "uma instituição internacional orientada
por movimentos e organizações populares do mundo, focada em ser um ponto
de apoio e elo entre a produção acadêmica e os movimentos políticos e
sociais". Brasil, Índia, Argentina e África são o foco da organização,
que cita Karl Marx e Antonio Gramsci como suas referências.
Uma
das sedes da organização fica no Brasil. Na página de apresentação do
instituto, a palavra “China” simplesmente não aparece. O conselho
consultivo não tem chineses — mas inclui Neuri Rossetto, do Movimento
dos Sem-Terra.
Porta-voz da China no Brasil
A
reportagem do jornal americano menciona especificamente um veículo
brasileiro financiado pela rede de Singham: o Brasil de Fato, publicação
de extrema-esquerda que faz apologia ao regime chinês.
Entre
ataques ácidos aos Estados Unidos, ao "neoliberalismo" e a políticos
conservadores, a página publica notícias chapa-branca sobre o regime
chinês. "China combate desertificação para garantir segurança alimentar e
qualidade do ar", diz uma reportagem publicada em 15 de agosto. Pouco
sutil, um artigo publicado em 30 de junho ganhou o seguinte título:
"China cresceu e erradicou a pobreza porque fez tudo ao contrário do que
pregam os neoliberais."
O
Brasil de Fato é um veículo influente na esquerda brasileira. Em 2019,
por exemplo, a publicação entrevistou Luiz Inácio Lula da Silva dentro
da cadeia. O vídeo reúne quase 800 mil visualizações no YouTube. O grupo
também já publicou entrevistas exclusivas com o ator Wagner Moura e o
ex-presidente do MST, João Pedro Stédile. Mais recentemente, o canal
passou a produzir conteúdo em inglês.
Em
seu canal no YouTube, o Brasil de Fato publica semanalmente um programa
chamado "Notícias da China", que traz uma versão pró-chinesa dos
acontecimentos. O conteúdo é apresentado por Marco Fernandes. Ele, por
sua vez, trabalha para um site chamado Donsheng News. A página
apresenta-se apenas como “coletivo internacional de pesquisadores
interessados pela política e sociedade chinesas”.
Marco
também se apresenta como pesquisador do Instituto Tricontinental e
organizador do "No Cold War" — outra publicação pró-ditadura chinesa de
perfil nebuloso e ligada a Singham. "Uma nova Guerra Fria contra a China
vai contra o interesse da humanidade", proclama a página.
O
fundador do site Spotniks, Rodrigo da Silva, também mostrou que outros
sites brasileiros, como o Brasil 247 e o Opera Mundi, publicam artigos
de Vijay Prashad, diretor do Instituto Tricontinental. Além disso, o
Brasil de Fato, o No Cold War e o Instituto Tricontinental realizaram um
seminário online que teve a participação da ex-presidente Dilma
Rousseff e de João Pedro Stédile, além do ex-chanceler Celso Amorim e do
professor Elias Jabbour, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. O
evento aconteceu em 2021.
A
influência chinesa mundo afora também se dá nos círculos acadêmicos.
Como a Gazeta do Povo mostrou, o regime de Pequim utiliza os Institutos
Confúcio para espalhar seus tentáculos. No Brasil, onze universidades
mantêm filiais do centro chinês.
Postado há 3 weeks ago por Orlando Tambosi

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