
Dino trata órgãos do Estado como puxadinhos do governo
Ricardo Rangel
Veja
Flávio Dino assinou, nesta semana, a demissão dos policiais rodoviários que mataram Genivaldo de Jesus Santos em Sergipe. Nisso acertou — até porque não poderia fazer diferente, já que demissão de funcionário é, ou deveria ser, decisão interna da Polícia Rodoviária Federal, não do ministro da Justiça.
Errou foi ao anunciar a demissão, tratando-a como decisão sua, e colhendo o mérito político, como se a Polícia Rodoviária Federal fosse órgão de governo. É um erro parecido com o que cometeu ao anunciar, no mês passado, a delação do ex-PM Élcio de Queiroz no caso Marielle.
SABOR DESAGRADÁVEL – Essa conduta pega mal para Dino, para o governo, para a PF e para a PRF. E deixa um sabor desagradável: se o governo interfere na polícia para o bem, não existe o perigo de interferir também para o mal?
Quem, como Dino, se apresenta como defensor do Estado de direito democrático — e é inegável que tem méritos que justificam tal apresentação — precisa tratar a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal com a devida autonomia, como órgãos de Estado. E não como puxadinhos do governo.
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