Uma
coisa é certa: vislumbrar uma carreira de sucesso é o sonho de todos os
estagiários, aprendizes e efetivos. Isso porque a realização
profissional é um grande passo para a satisfação pessoal. Entretanto, há
muitos obstáculos nesse caminho e é preciso ter coragem. Nesse sentido,
o Nube - Núcleo Brasileiro de Estágios realizou um levantamento em seu site, entre 29 de maio e 6 de junho, contando com a participação de 23.987 jovens de 15 a 29 anos, perguntando: “do que você tem mais medo?”.
O que é o medo no ser humano e como reagir a ele?
Para
Hugo Domenech, analista de treinamento e desenvolvimento do Nube, antes
de tudo, é fundamental falar sobre o assunto. “Nossa sociedade é
altamente machista e essa toxicidade imprime nas demonstrações as
alcunhas de fraco e covarde. Isso é horrível”, iniciou. Portanto, antes
de realmente se expressar, há diversas barreiras internas impedindo.
Porém,
essa emoção é comum a todos. “É super natural para os mamíferos. Por
causa disso, nossos ancestrais se recolhiam nas cavernas à noite em vez
de se tornarem alvos de predadores noturnos. Mesmo se aventurando para o
desconhecido, esse sentimento os ajudava a caminhar com cautela”,
comentou Domenech. Por isso, ele pontua: “só tem coragem quem tem medo
antes”. Afinal, é uma forma de se resguardar diante o perigo. “Não tem
nada de errado em se sentir assim”.
Contudo,
o que fazer com esse temor? “Use-o. Ele vai te mostrar onde você se vê
desconfortável e, nesse momento, respirar fundo e entender o porquê de
seu corpo estar te mandando essa mensagem”, explicou. Isso, inclusive, é
uma maneira de exercitar o autoconhecimento, prestando atenção nos
detalhes e buscando constantemente sua origem.
O medo de não ser feliz na carreira é muito comum entre os jovens
Conforme
a pesquisa do Nube, 38,51%, ou 9.237 dos votantes, apontaram o medo de
não serem felizes na carreira. “A busca por esse sonho é uma aspiração
natural de todo profissional e ele pode surgir devido à pressão social,
expectativas pessoais e incertezas em relação ao futuro”, afirmou
Domenech.
Principalmente
para quem acabou de se formar no ensino médio, escolher qual trajeto
seguir é um grande desafio e pode ser motivo para muita angústia.
Entretanto, é preciso lembrar como essa jornada é construída dia após
dia, sem colocar aquela tensão em decidir todo o seu amanhã de uma única
vez. “A felicidade é um processo contínuo e cada indivíduo tem seu
próprio caminho”, complementou o especialista.
Para
lidar com essa emoção, é inevitável focar em si mesmo. “A chave está em
procurar alinhamento com seus valores, interesses e propósitos, além de
aprimorar habilidades e buscar meios de crescimento alinhadas com suas
ambições e paixões”, recomendou o analista de treinamento e
desenvolvimento do Nube.
Aqui,
a autoconsciência também entra como uma aliada essencial. Por meio
desse conhecimento, é possível compreender suas aptidões, desenvolver
melhor seus pontos positivos e negativos, investigando em qual campo
mais se encaixa. “Assim, você lida com o medo de uma maneira
construtiva, transformando-o em uma força motivadora e direcionando-o
para a sua própria evolução”, acrescentou.
Grande parcela dos jovens têm medo de falhar diante dos desafios profissionais
Segundo
o estudo do Nube, 32,09% (7.698) possuem apreensão de falhar quando
lhes derem desafios profissionais. No entanto, muitas coisas são
estranhas à primeira vista e esse sentimento pode ser promotor para
superar as dificuldades. “Primeiramente, é importante manter uma
mentalidade otimista e encarar as adversidades como oportunidades de
progresso”, evidenciou Domenech.
Todavia,
buscar orientação e trabalhar em equipe também são fatores primordiais
quando essa temática vem à tona. “Eles são determinantes para o sucesso.
A prática da resiliência e da aprendizagem contínua são fundamentais
para completar com êxito as demandas corporativas”.
Essa
também é a principal recomendação para 7,17% (1.720) dos entrevistados,
os quais disseram ter receio da forma como serão julgados no mercado de
trabalho. “É comum ocorrer esses feedbacks,
mas é imprescindível não se deixar levar. Avaliar o outro pode criar um
espaço ruim e prejudicar a colaboração, bem como o aprimoramento em
conjunto. Em vez disso, é vital cultivar a empatia e o respeito pelas
diferenças”, exclamou o expert do Nube.
Uma cultura de respeito no ambiente de trabalho incentiva a satisfação profissional
Além
disso, criar um ambiente inclusivo e diverso é indispensável para a
pluralidade de experiências e soluções. “Isso contribui diretamente para
um clima mais saudável e produtivo. Ao nos concentrarmos em entender e
apoiar nossos colegas, criamos uma cultura de respeito perante a todos”,
esclareceu.
Dessa
forma, 6,80% (3.701) pontuaram o medo de serem criticados por suas
ideias e opiniões. Contudo, mediante ao cenário descrito, isso fica mais
distante de acontecer. “Pontuar suas considerações é crucial para
contribuir de forma significativa com o time. Para evitar críticas
desnecessárias, pratique a comunicação afetiva, ouça atentamente,
articule de forma clara e objetiva, buscando sempre se adequar ao
compartilhá-las”, indicou Domenech.
Como melhorar o relacionamento com os colegas de trabalho?
Por
fim, 15,43% (3.701) afirmaram o temor de fazerem inimigos e causarem
inveja enquanto constroem o próprio futuro. “Ao se expressar de forma
respeitosa e assertiva, você cria um espaço para o diálogo aberto e
saudável, promovendo o entendimento mútuo e evitando mal-entendidos”,
contextualizou o analista.
Para quem quer melhorar as interações com os colegas de trabalho, Domenech listou algumas dicas. Veja:
- Cultive a empatia, cooperação e cordialidade;
- Invista em conhecer melhor quem te cerca, demonstrando interesse genuíno;
- Busque possibilidades de colaboração e ofereça ajuda quando possível.
Portanto,
é imprescindível focar nesse relacionamento. “Ter amigos no meio
empresarial traz benefícios como apoio emocional, melhor desenvolvimento
de time e um clima favorável. Lembre-se: a correria entre as demandas
corporativas e escolares acabam nos fazendo passar mais tempo com os
colegas quando comparado com seus familiares. Logo, ter uma boa
interação é crucial não somente para o seu bem-estar”, finalizou.
Fonte: Hugo Domenech, analista de treinamento e desenvolvimento do Nube
Serviço: 30% dos jovens têm medo de não serem felizes na carreira
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