O ex-presidente Medvedev, que esquentou lugar para o chefe, faz declarações tóxicas contra a Ucrânia, revelando o que a cúpula realmente acha. Vilma Gryzinski:
As
coisas que Dimitri Medvedev sibila no Telegram são simplesmente
inacreditáveis. A mais recente: “E quem pode dizer que a Ucrânia ainda
vai existir daqui a dois anos?”.
Referia-se
a uma notícia segundo a qual a Ucrânia negociava com os Estados Unidos
um empréstimo para a compra de gás liquefeito, a ser pago dentro de dois
anos.
Medvedev,
que já foi chamado de Robin de Putin quando alternava com ele a posição
de presidente e primeiro-ministro, mas acabou rebaixado desde então,
também já escreveu que odeia os ucranianos e gostaria que eles
desaparecessem. Sim, ele queria sumir com 40 milhões de pessoas.
Na
linha de ameaças brutais geralmente feitas por apresentadores de
televisão, que normalizaram as referências à aniquilação nuclear,
Medvedev apelou: “Os cavaleiros do Apocalipse estão a caminho” e os
países da aliança ocidental se arriscam a um “ataque total” por apoiarem
a defesa da Ucrânia contra o invasor russo.
Medvedev
pode estar se posicionando para uma eventual sucessão do chefe – a
boataria sobre Parkinson e câncer corre cada vez mais forte -, apelando à
linha dura, embora suas chances sejam consideradas próximas de zero.
Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança e um sucessor teoricamente mais viável, também tem soltado as feras.
Medvedev, retirado por Putin do cargo de primeiro-ministro em 2020, é o vice do Conselho. Ou o sub do sub.
Mas
ele tem uma ligação antiga com o chefe: os dois começaram a carreira
política em São Petersburgo, quando o líder local era Anatoli Sobchak.
Ocupar
uma posição subalterna, até humilhante, tem suas compensações. Alexei
Navalni, o indômito opositor agora colocado em uma prisão mais dura
ainda, divulgou uma investigação em 2017 mostrando mansões e iates
ligados a Medvedev. A fortuna dele foi avaliada em 1,2 bilhão de
dólares.
Diz
uma piada, de quando ele era presidente, que vazou nas comunicações
diplomáticas americanas: “Medvedev entra num carro novo e fica
impressionado com o aparato tecnológico, mas nota que está sem volante.
Vira-se para Putin e pergunta: ‘Vladimir Vladimirovich, onde está o
volante?’. Putin saca um controle remoto do bolso e responde: ‘Sou eu
quem vai dirigir”.
Qualquer
esperança de que ele fosse a cara mais moderna da Rússia pós-comunismo,
sem as arestas e a sede autoritária de Putin, acabou nessa época.
A
situação hoje não está para piadas. As barbaridades ditas por Medvedev
revelam o que integrantes da cúpula realmente gostariam de fazer na
Ucrânia, se tiverem a oportunidade. O próprio Putin já mandou dizer,
através de Emmanuel Macron, que pretende “esmagar” Volodymyr Zelensky.
Mikhailo
Podoliak, um dos assessores mais próximos do presidente ucraniano e
porta-voz frequente do governo, respondeu à expressão de desejo do
poodle de Putin. “A Ucrânia foi, é e será. Mas onde estará Dimitri
Medevedev daqui a dois anos?”.
“Ele
é um homenzinho com grandes inseguranças cuja única maneira de se
reafirmar é expelir veneno contra a Ucrânia ou ameaçar o mundo”.
A
referência não é à altura – 1,62 metro – de Medvedev. O próprio
Zelensky, que impressionou o mundo com sua coragem, também é baixinho.
É
a estatura moral do ex-presidente russo que conta. E esta se arrasta no
chão. Enquanto Zelensky dá show de liderança e ucranianos comuns têm
atitudes nada menos que heróicas, Medvedev e companhia são uma vergonha
que arrasta na na mais profunda das lamas da taiga a honra da nação
russa.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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