Com um papa como Francisco no Vaticano, Putin pode continuar sua guerra ou iniciar outras sem qualquer constrangimento. O sacrifício de cordeiros — ou de Chapeuzinhos, como prefere o pontífice — não acabará tão cedo. Duda Teixeira para a Crusoé:
O
papa Francisco comentou a invasão russa da Ucrânia em uma conversa com
jesuítas nesta terça, 14: “É preciso se distanciar do padrão normal de
que a Chapeuzinho Vermelho era boa e o lobo era mau“.
Francisco
então falou de uma conversa sua com um chefe de Estado, que falou de
sua preocupação sobre como a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a
Otan, estava se movendo para perto da Rússia. “Não entendem que os
russos são imperiais e não permitem que uma potência estrangeira se
aproxime“, disse Francisco. “É preciso ver também todo o drama que se
desenvolve por trás desta guerra que talvez, de alguma maneira, foi
provocada ou não impedida.”
Desde
que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, deflagrou a invasão da
Ucrânia, mais de 3 mil civis morreram. As baixas entre soldados
ucranianos e russos já passam de 60 mil. Nenhuma dessas mortes pode ser
justificada. E todas são de responsabilidade de um único homem: Vladimir Putin. Mas Francisco prefere encontrar um culpado fora do Kremlin.
Esta
não é a primeira vez que o papa fica do lado do agressor. No dia 7 de
janeiro de 2015, dois terroristas da Al Qaeda, armados com fuzis
Kalashnikov, invadiram a redação do jornal satírico Charlie Hebdo, em
Paris, e massacraram doze pessoas. Cinco ficaram feridas gravemente. Os
terroristas alegaram que os jornalistas tinham publicado charges do
profeta Maomé.
Depois,
em uma conversa com jornalistas em um avião, Francisco criticou o
comportamento dos jornalistas assassinados. “Temos a obrigação de falar
abertamente, de ter esta liberdade, mas sem ofender“, disse Francisco.
“É verdade que não se pode reagir violentamente, mas se Gasbarri (um dos
seus colaboradores), grande amigo, diz uma palavra feia da minha mãe,
pode esperar um murro. É normal!”
Para
Francisco, Putin e os terroristas da Al Qaeda cometeram seus crimes
porque foram provocados. Ao dar uma razão para o mal, contudo, o que o
papa faz é justificar suas ações ao entender que eles estavam se
defendendo de uma agressão e não tinham alternativa.
Guerras
e atentados terroristas são esporádicos, mas Francisco já demonstrou
sua predileção por lobos maus em tempos menos movimentados. Ditadores que violam constantemente os direitos humanos são recebidos de braços abertos em Roma.
Nem sequer é preciso comungar dos valores da Igreja Católica. Basta
seguir a cartilha da esquerda. Em 2015, Francisco encontrou-se com o
cubano Raúl Castro, que saiu dizendo que, se o papa continuasse falando
do mesmo jeito, ele regressaria para a Igreja.
Putin
já foi recebido no Vaticano por Francisco três vezes. A última foi em
2019 (foto). Mas o russo não precisa de um líder religioso que o ajude a
fundamentar uma guerra absurda. Dentro da Rússia, o autocrata já conta
com o apoio do patriarca da Igreja Ortodoxa, Kirill, para quem a invasão
é uma guerra contra o pecado e contra forças estrangeiras que querem
promover paradas gays.
O
que mais causa consternação nas falas de Francisco é a escassez de
líderes no Ocidente com um discurso claro contra Putin e sua decisão
descabida.
Com
um papa como Francisco no Vaticano, Putin pode continuar sua guerra ou
iniciar outras sem qualquer constrangimento. O sacrifício de cordeiros —
ou de Chapeuzinhos, como prefere o pontífice — não acabará tão cedo.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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