Os horizontes dos dois líderes se distanciaram bastante neste momento político da corrida eleitdoral. William Waack:
Neste momento político da corrida eleitoral os horizontes dos dois líderes se distanciaram bastante. O de Lula já está em 2023. O de Bolsonaro se reduziu aos próximos 101 dias (2 de outubro é a data do primeiro turno).
O
presidente se envolveu numa custosa operação política de curtíssimo
prazo para o tamanho do objetivo, que é baixar na marra o preço dos
combustíveis. Até aqui não conseguiu, nem colocou de pé a ajuda para
quem não tem como pagar gás e diesel. Sendo a mesma coisa as políticas
de governo e a eleitoral, nenhuma está funcionando.
Tampouco
estão ajudando “imponderáveis” para a campanha dele, como a prisão do
ex-ministro da Educação, por quem disse que poria a cara no fogo. Ao
eleitorado cativo pouco importa, pois populistas como Bolsonaro não
dependem de coerência entre palavras e ações. Em situações adversas
desse tipo, tornam-se “traídos” – mas é uma “vitimização” que não
acrescenta votos.
Visivelmente
confortável na liderança das pesquisas, Lula não indica em público se
tem noção exata do desastre político – para um chefe de Executivo – que
herdaria de Bolsonaro.
Pode até parecer “confortável” para um agrupamento político como o PT o
recente assalto ensaiado pelo Centrão às instâncias que protegem
estatais de interferências políticas, mas a questão é mais abrangente.
Não
se trata simplesmente de colocar a Petrobras de joelhos e voltar a
lotear as diretorias de estatais, algo que o PT e seus aliados (como o
MDB) praticaram com os conhecidos resultados. A volta triunfante do
clientelismo vem acompanhada agora de instrumentos inéditos de poder por
parte do Legislativo.
Em
termos brutais, se o “mensalão” de uns 20 anos atrás foi ferramenta
para assegurar maiorias, esse instrumento hoje nem sequer existe. As
emendas do relator permitem às lideranças parlamentares administrar seu
próprio “mensalão” de forma perfeitamente legal.
Lula está enganado se pensa que se entender com o Centrão
é questão de habilidade política. Teria de lidar em 2023 com uma massa
relativamente atomizada de parlamentares sem dispor de espaço fiscal ou
ferramentas para exercer controle – teria os votos para não ser
impichado, mas não as maiorias para implementar qualquer matéria de
longo alcance.
E
isto tudo é só a política. Estão se adensando os sinais de uma recessão
em algumas das principais economias lá fora, com inevitáveis
consequências para o Brasil. Vencendo, Lula assume num momento global de
contração e não de expansão, como aconteceu em seu primeiro mandato. Se
entendeu o que vem em 2023, ainda não foi ao microfone avisar a todos
nós a bordo: “brace for impact”.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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