POLITICOS DO SUL DA BAHIA

O Ministério Público Federal (MPF),
através do TRF1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), com sede em
Brasília, em decisão do desembargador Lauro Pinto Cardoso Neto, datada
de 16 de outubro de 2020, e somente agora tornada pública, ofereceu
denúncia para 32 pessoas envolvidas na fatídica e conhecida “operação
fraternos”.
A operação ainda terá diversos
desdobramentos, pois, além de precisar citar todos os envolvidos, todos
terão o amplo direito de defesa previstos na Constituição Federal que,
certamente consumirá um longo e exagerado tempo.
Contudo, o pronunciamento e a quebra do
sigilo do processo constituem um importante e seguro passo para as
condenações das ousadas e repugnantes ilicitudes do outrora “império
fraterno”.
A denúncia se inicia com esclarecimentos
de que teve como base os inclusos autos de inquérito policial, por meio
do qual foi revelada a associação estável e permanente dos acusados
JOSÉ ROBÉRIO OLIVEIRA e CLÁUDIA SILVA SANTOS OLIVEIRA, à época,
prefeitos dos municípios de Eunápolis/BA e de Porto Seguro/BA, e dos
demais agentes doravante mencionados nesta exordial, de forma ordenada e
mediante divisão de tarefas, com o escopo de obter vantagens
pecuniárias em detrimento da coletividade e do erário, mediante a
prática de diversos crimes entre 2009 e 2017 e A diz que a organização
criminosa era liderada pelos referidos gestores municipais que
cometeram, em concurso material, delitos licitatórios, de corrupção
passiva, peculato e lavagem de capitais, culminando na fraude de dezenas
de procedimentos licitatórios e no desvio de recursos de origem
federal, estadual e municipal, e continua, as verbas desviadas, por sua
vez, foram destinadas ao locupletamento ilícito dos membros da
organização, inclusive por pessoas físicas e jurídicas interpostas, de
modo a ocultar e a dissimular a origem ilícita dos recursos.
Por fim, conclui que a estrutura da
organização criminosa, estável e bem delimitada, era dividida em núcleos
de atuação: NÚCLEO POLÍTICO, formado por José Robério Batista Oliveira e
Cláudia Oliveira; NÚCLEO DOS SERVIDORES PÚBLICOS, constituído por
pessoas de confiança dos gestores, nomeados para cargos comissionados e
estratégicos da administração municipal, responsáveis pelas licitações
espúrias, a intermediação dos desvios de rendas públicas e o auxílio na
dissimulação e ocultação de valores, com destaque para Paulo José Santos
Silvas, conhecido como “Paulinho do Homem”, e Antonio Jorge Magalhães
Viana, apelidado de “Toninho Despachante” ; NÚCLEO EMPRESARIAL,
meramente formal, capitaneado por Ricardo Luiz Rodrigues Bassalo e
Marcos da Silva Guerreiro que criavam as empresas, por interposto de
pessoas e movimentavam os recursos oriundos de contratos fraudados, com
auxílio de operadores financeiros, em sua maioria, parentes e amigos dos
denunciados e o NÚCLEO EXECUTIVO, que gerenciava a execução dos
contratos fraudulentos firmados, segundo o procurador, entre a ORCRIM
(Organização Criminosa) e as prefeituras investigadas , a cargo do
prefeito de Santa Cruz Cabrália, Agnelo Silva Santos Júnior e o
empresário Lauro Costa Setúbal.
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