Há duas épocas da vida em que as fêmeas da espécie estão brigadas com os seios: quando a idade os faz encher e quando os faz murchar. Bruna Frascolla para a Gazeta do Povo:
Certa
feita conheci uma mocinha muito tímida que usava um imenso decote, com
os peitões bem à mostra. Os pontos de interrogação pipocavam na minha
cabeça até ela falar que nasceu Jorge. Aí, sim: o garotinho que sempre
andou com as meninas, que sempre se sentira menina, deve ter se
angustiado um bocado quando o seu corpo foi tomando um rumo diferente do
das amigas. Quando a medicina lhe deu peitos, encheu-se de orgulho. Eis
o motivo para deixá-los bem visíveis.
Nós
vemos algo parecido na coroa siliconada. Ela estava aflita com os seios
murchos até usar de uma solução médica para o problema. Orgulhosa,
passa a andar com os peitões recém-conquistados pulando do decote. No
entanto, a mesma mulher, quando jovem, era muito mais recatada. Se
perguntada pela mudança do comportamento, a coroa diria que os tempos
eram outros, que agora ela é mais cabeça aberta, que obedecia ao
ex-marido etc. Ou seja: daria uma resposta de feminista do século XXI.
Mas
a resposta verdadeira é que tanto ela quanto a moça trans têm em comum o
desconforto com o corpo, que está menos feminino do que elas gostariam.
Isto as faz muitíssimo diferentes das adolescentes normais, que morrem
de vergonha dos seios. Seios marcam o fim dos tempos despreocupados em
que as meninas podem correr sem camisa e levar bolada no peito.
Há
duas épocas da vida em que as fêmeas da espécie estão brigadas com os
seios: quando a idade os faz encher e quando os faz murchar.
Nada de seios para as adolescentes
Enquanto
existir adolescência, haverá fêmeas da espécie inconformadas com o
surgimento dos seios. Em cima disso, uma nova pseudociência passou a
vender às adolescentes a ideia de que elas não precisam ser mulheres.
Sequer precisam ser homens para deixarem de ser mulheres. Ideólogos
afirmam que os sexos masculino e feminino são meros acidentes
biológicos, e que a alma é totalmente apartada do corpo. A separação
entre o corpo e a alma, acompanhada da afirmação da liberdade desta
última, é algo bastante cristão. Mas a era industrial, no Ocidente, fez
com que o homem se achasse onipotente, jogasse fora a ideia de Deus e a
substituísse pela de Ciência.
Pois
bem. Com essa cosmovisão cristã corrompida e recalcada, ideólogos
resolveram que a alma humana não tem nada a ver com o corpo, e que ser
homem ou mulher é uma propriedade da alma. Depois, resolveram também que
a alma, ilimitada, pode ser não só homem ou mulher, como uma coisa
chamada não-binário. Cada alma passa a ser uma coisa tão única e livre,
que tem um “gênero” para chamar de seu.
É
claro que eles não falam de alma, porque pega mal. Vão dizer que é
cultura; que ser homem ou mulher é mera “construção social”; que o
capitalismo força os seres humanos a interpretarem papéis de homem, caso
nasçam com pênis, e de mulher, caso nasçam com vagina. Mas vejam que,
se é cultural, não deveria haver intervenção médica em questão. Se
“gênero” é um papel a ser desempenhado na sociedade, então todos
deveríamos poder ser homens, mulheres ou não-binários sem tomar hormônio
nem fazer cirurgia. Afinal de contas, menstruação e barba não são
construções sociais.
Assim,
com que felicidade as meninas não receberão a notícia de que sua
personalidade é tão poderosa, mas tão poderosa, que pode conter a imagem
de um corpo novo, diferente dos rumos premeditados pela natureza? Basta
ouvir o Cientista do gênero, e pronto: uma menina especial não vai se
tornar uma simples mulher. Vai se tornar outra coisa, mais autêntica,
que não tem que lidar com seios nem menstruação.
Menos que uma mulher
O
carteiro canadense do qual tratou esta Gazeta está mais inteirado dos
malefícios biológicos da mudança de sexo do que qualquer tuiteiro da
ideologia de gênero. Ao ver sua filha de 14 quimicamente castrada com
bloqueadores hormonais e submetida à testosterona, aprendeu que esses
bloqueadores afetam a saúde óssea, e que a testosterona faz com que os
transexuais sejam mais propensos a problemas cardíacos. Estes são
efeitos biológicos dos quais tratou Abigail Shrier no livro Irreversible
damage, cuja editora foi proibida pela Amazon de fazer propaganda na
plataforma.
Outros
efeitos físicos não mencionados pelo carteiro são o comprometimento do
desenvolvimento cerebral e cólicas, além de atrofia e ressecamento
vaginais, de modo que é impossível penetração sem dor.
Uma
ressalva importante no livro de Abigail Shrier é que as meninas que
buscam mudança de sexo hoje não são todas pessoas masculinas que querem
se tornar os homens mais plenos possíveis, como o transexual pioneiro
Buck Angel. As meninas de hoje querem apenas se evadir da condição de
mulher, na esperança de se tornarem alguma coisa nova, única e muito
melhor. Vocês podem ver aqui a leviandade com que uma “cirurgiã de
gênero” (sic) trata do assunto. Top surgery é o eufemismo deles para
mastectomia dupla.
Já
mostrei aqui uma atriz nascida em 2001 que se submeteu a uma
mastectomia dupla e não fez mais nenhuma intervenção médica. Hoje é uma
mulher sem seios que jura ser uma pessoa não-binária (nem homem, nem
mulher), e crê que fez uma cirurgia para adaptar o corpo à própria
personalidade (a alma).
Ela
ao menos teve a sorte de preservar a saúde hormonal. O que se desenha
nos países ricos (e nos nichos psolistas no Brasil) é uma crise coletiva
de semi-mulheres estéreis, de aspecto assexuado e fisicamente incapazes
de prazer sexual. Façam as contas: a vagina foi atrofiada, a
mastectomia acaba com a sensibilidade dos mamilos, e fêmeas não têm
próstata, cujo estímulo dá prazer a alguns machos da espécie.
Quando montes delas se matarem, os ideólogos entenderão isso como uma prova da transfobia estrutural.
Evasão da velhice
Vamos
ao outro nicho de mulheres brigadas com os seios. A canadense Ellen
Page era uma atriz ligada ao universo infanto-juvenil. É um tipo que
nós, brasileiros, chamamos de mignon: pequena e delicada, bonita mais
pelo conjunto do que pelo eventual corpão. Agora está com 34, idade
desfavorável para uma mignon que fazia papéis joviais em filmes para
crianças e adolescentes.
No
fim do ano passado, Ellen anunciou que era Elliot, um trans não-binário
pronto para lutar contra a transfobia, e que queria ser tratado com
pronome neutro ou masculino. Agora saiu como capa da revista Time após
fazer uma dupla mastectomia. Não parece estar tomando testosterona, ou
ao menos não o bastante para ganhar um aspecto viril. Pelo teor da
entrevista, aprendemos que poder usar cabelo curto é algo de suma
importância e definidor da alma de alguém. Daí inferimos que os
roqueiros dos anos 80 devem, em retrospecto, ser considerados todos
mulheres, com suas cabeleiras, ou não-binários, caso a cabeleira fosse
acompanhada de bigode. Marlene Dietrich, se pusesse cartola e calças
hoje, seria considerada homem por alguma sumidade dos estudos de gênero,
e arrastada para uma clínica de gênero a fim de fazer uma top surgery.
De
resto, Elliot se revela feliz por poder ganhar um monte de papéis
não-binários para interpretar. Agora não é mais uma mulher relativamente
madura, e sim um não-binário parecido com Justin Bieber doente.
Que mais Elliot fará da vida? Ativismo. No Instagram, está defendendo as “crianças trans” contra um projeto de lei do Alabama.
Notem
que isso é estimulado pela Time e pelo cinema infantojuvenil. Tudo o
que esse nicho apoia é importado por progressistas brasileiros da TV. Se
eu tivesse uma filha hoje, não daria Netflix nem celular. Deixaria a TV
como algo para ser assistido por todos juntos no sofá, como nos anos
80.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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