O programa do PT não deixa dúvidas: nele está exposta a vocação
totalitária do lulopetismo. Que seja erradicado hoje nas urnas. A
propósito, segue editorial do Estadão:
Aos que têm dúvida a respeito das intenções do candidato Fernando
Haddad - se faria um governo mais moderado em comparação às
administrações petistas anteriores ou se haveria uma radicalização
antidemocrática -, o programa de governo do PT
é esclarecedor. O documento contém todos os pontos nefastos do
lulopetismo, além de expor a vocação autoritária de seus praticantes. Dá
a impressão de que o partido vê nessa eleição a oportunidade para fazer
o que sempre quis fazer, mas que não havia conseguido, ou seja,
assenhorear-se do poder e dele não mais se afastar.
Sem cerimônias, o programa de Haddad diz que é preciso “refundar e
aprofundar a democracia no Brasil”. Querem outra democracia. O PT afirma
que o “Brasil precisa de um novo processo constituinte: a soberania
popular em grau máximo para a refundação democrática e o desenvolvimento
do País”. Não se pode dizer que o PT não avisou - está insatisfeito com
o regime vigente e pretende instaurar um sistema diverso, o da
“soberania popular em grau máximo”. Quer, portanto, a aplicação do
modelo bolivariano ao Brasil.
Em 2014, a presidente Dilma Rousseff tentou subverter a democracia
representativa, com os famosos conselhos populares. Felizmente, o
Congresso tolheu a medida autoritária. Agora, os petistas prometem
“promover uma ampla reforma política com participação popular”, com a
instalação da “Política Nacional de Participação Social do governo
Haddad”. O PT não aprende.
“Todos os mecanismos criados pelos governos Lula e Dilma de
participação como Conselhos, Conferências, Consultas Públicas,
audiências públicas, mesas de negociação ou de diálogo serão valorizados
em busca de uma maior efetividade da participação social”, apregoa o
programa, assegurando que vão buscar “expandir para o presidente da
República e para a iniciativa popular a prerrogativa de propor a
convocação de plebiscitos e referendos”. É a trajetória que empreendeu
Hugo Chávez na Venezuela: sob o pretexto de “ampliar os mecanismos de
democracia participativa”, apossou-se do Judiciário e do Legislativo.
O programa do PT diz que “é preciso instituir medidas para estimular a
participação e o controle social em todos os Poderes da União e no
Ministério Público”. Bem se sabe qual é o controle social pretendido
pelo PT. Nos últimos anos, os petistas se opuseram a um Judiciário
livre. Não se conformaram com a possibilidade de que um tribunal pudesse
condenar seu grande líder. Não por outra razão, sonham com um “controle
social na administração da Justiça”. Como se sabe, o “controle social”
só existe quando o grupelho que prega essa fórmula se investe desse
poder.
Não há autocrítica. Além de não ter aprendido a respeitar as
instituições, o partido assegura que repetirá erros já cometidos na
política comercial e econômica. Almejam revogar medidas do governo de
Michel Temer e reinstaurar a administração de Dilma Rousseff. “O Brasil
deve retomar e aprofundar a política externa de integração
latino-americana e a cooperação sul-sul, especialmente com a África”,
diz o programa, mostrando que a ideologia prevalecerá sobre a razão.
O partido de Lula mostra-se também insatisfeito com a liberdade de
expressão e de imprensa. “O governo Haddad irá apresentar, nos seis
primeiros meses de governo, uma proposta de novo marco regulatório da
comunicação social eletrônica”, lê-se no documento. Querem tutelar tudo e
todos.
O programa está em plena sintonia com a recente declaração de José
Dirceu ao jornal El País, de que “é uma questão de tempo para a gente
tomar o poder. Aí nos vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma
eleição”. O programa explica como será essa tomada de poder. Não querem
moderação - lá está o pior ranço petista, amargurado com o
funcionamento livre das instituições.
“Esse é o programa da vitória, do #LulaLivre”, diz Fernando Haddad.
Que as urnas deem a devida reprovação ao programa petista, que troça do
brasileiro e das instituições democráticas. Há um país a ser respeitado.
Há liberdades a serem preservadas.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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