MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

sábado, 7 de abril de 2018

“A Constituição não é tão cidadã assim e ainda não chegou para todos”


Tese é defendida por autor de livro que analisou os discursos dos parlamentares durante a promulgação da Constituição em 1988

BAHIA.BA
Foto: Divulgação
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Uma visão patriarcal conservadora e preconceituosa. Essa é a tônica da fala dos políticos que culminaram com a promulgação da Constituição Brasileira em 1988, segundo o livro intitulado “Falas de que família(s)? Análise dos discursos da Constituinte de 1987/88 sobre direitos e relações familiares”, lançado nesta semana em Salvador. A publicação é o resultado de quatro anos de pesquisa do advogado, doutor e mestre em Família na Sociedade Contemporânea, Enézio de Deus Silva Júnior, que teve acesso ao Centro de Documentação e Informação da Câmara dos Deputados para fazer a análise que integrou tese de seu estudo no doutorado pela Universidade Católica de Salvador.
Para o autor, que lança a sua sexta obra, embora conhecida como “cidadã”, a elaboração da Carta Magna, que completa 30 anos agora em 2018, surpreende pela visão patriarcal conservadora e os atravessamentos ideológicos preconceituosos, inclusive de matriz religiosa cristã, no processo discursivo sobre família e tudo que lhe é correlato (divórcio, aborto, liberdade/igualdade conjugal às mulheres, união homossexual, etc.), tendo mudado pouco ou nada a depender do aspecto considerado.
Enézio Júnior destaca os avanços conquistados através da Constituição, mas afirma que continuará dedicado a investigar em nome daqueles para os quais a Constituição ainda não veio, se referindo a gays, lésbicas e pessoas trans. “A grande contribuição do livro é saber que podemos e devemos continuar analisando, fiscalizando o Congresso hoje e questionar o que está sendo discutido e decidido em nosso nome, para exigirmos o melhor dentro de um Estado que necessita ser, de fato, laico”, afirma.

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