domingo, 14 de maio de 2017

Políciais federais dizem que o ex-ministro Cardozo precisa ser investigado


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Boudens, da Federação, exige apuração do caso
Azelma Rodrigues, Hamilton Ferrari e Natália Lambert
Correio Braziliense
As revelações feitas em delação premiada pelos marqueteiros João Santana e Mônica Moura tiveram forte repercussão em entidades representativas da Polícia Federal. “Esse vazamento precisa ser investigado”, afirma o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luis Boudens, que defende a abertura de processo específico para apurar comportamento do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que passou informações antecipadas à então presidente Dilma Rousseff, que teria avisado o marqueteiro João Santana sobre o pedido de prisão dele.
“Já havíamos alertado sobre ações de Cardozo à época, que convergem para esse tipo de comportamento alegado pela delatora”, diz Boudens, assinalando que, por determinação do Ministério da Justiça, a PF criou, no sistema de registro das operações, um anexo para serem citados nomes de pessoas públicas ou políticos envolvidos em operações dos federais.
CASO DE POLÍTICOS – O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ANDP), Carlos Sobral, explica que existe o entendimento de que a PF tem de passar ao ministro da Justiça informações sobre operações que envolvam pessoas politicamente expostas e de que a prática é um ato em obediência à relação hierárquica.
Entretanto, Sobral ressalta que o ministro não deveria ter conhecimento dos alvos e mandados, somente de informações básicas para prestar esclarecimentos públicos se for demandado. “Não há motivos para que terceiros fiquem sabendo das ações feitas pela Polícia Federal. É preciso que isso não volte a acontecer no futuro e que as investigações estejam protegidas da intervenção política”, declara.
ESCLARECIMENTO – Sobral afirmou que é preciso esclarecer se o ministro da Justiça recebeu informações de terceiros e se foi extrapolado o que deveria ser dito. Segundo ele, a divulgação de dados sigilosos por servidores internos configura violação funcional. “Se foram informados detalhes, é evidente que houve irregularidades. Isso precisa ser apurado”, disse. O presidente da ANDP destacou, também, que as delações têm acusações graves que ofendem o trabalho da Polícia Federal e a Constituição.
No depoimento, divulgado pelo STF na última quinta-feira, Mônica contou que criou um e-mail falso para que a ex-presidente passasse informações da Lava-Jato com mais “segurança”. “Eu criei o e-mail no computador pessoal dela, bem antigo, no Alvorada. Ela sugeriu o nome Iolanda, Iolanda2606@gmail.com. Acho que era o nome da mulher do general Costa e Silva”, relatou Monica. A senha era restrita às duas e ao assessor de Dilma, Giles Azevedo, com quem Mônica afirma ter se reunido diversas vezes para tratar dos pagamentos da campanha presidencial de 2014.
Segundo ela, quando queria mandar um recado, Dilma pedia que Giles enviasse uma mensagem do tipo: “Ah, descobri um vinho maravilhoso que vocês precisam provar”. Quando recebia um recado assim, a mulher do marqueteiro entrava no e-mail e lia a mensagem que estaria como “rascunho” e seria apagada depois para não deixar registros.
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TRECHOS DO DEPOIMENTO DE MÔNICA MOURA
– “Na noite de 21 de fevereiro, o João falou com ela, que contou que tinha sido visto o mandado de prisão contra nós, na mesa de Cardozo”, disse Mônica sobre informações repassadas por Dilma. A ex-presidente a teria convocado para uma reunião no Palácio da Alvorada afirmando que as coisas estavam “muito ruins”.
– “Eu criei o e-mail no computador pessoal dela, bem antigo, no Alvorada. Ela sugeriu o nome Iolanda, Iolanda2606@gmail.com. Acho que era o nome da mulher do general Costa e Silva”, afirmou a marqueteira. A senha teria o número 47, ano de nascimento de Dilma, com o nome de alguém ligado a ela.
– “O Zé Eduardo está me informando que já estão pegando a conta do Cunha na Suíça”, teria dito Dilma à Mônica em novembro de 2014. Nos jardins do Palácio da Alvorada, as duas teriam conversado sobre se a conta de Santana estaria protegida na Suíça, já que o então deputado Eduardo Cunha havia sido pego.
– “Um dia recebi o seguinte e-mail dela: ‘O seu grande amigo está muito doente. Os médicos consideram que o risco é máximo. E o pior é que a esposa dele, que sempre tratou dele, agora também está doente, com o mesmo risco. Os médicos acompanham dia e noite’. O médico era o Zé Eduardo Cardozo”, disse Mônica.
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