domingo, 14 de maio de 2017

Apesar de toda a crise, é preciso entender que o Brasil ainda é um país viável


Resultado de imagem para orgulho de ser brasileiroCarlos Newton

O Brasil vive um momento de surrealismo político realmente singular, nunca houve nada igual em nenhum outro país. Enfrenta uma macro investigação que atinge os três poderes da República, pois o Judiciário também já está entrando na roda e as apurações estão apenas começando. Tem um governo repleto de ministros envolvidos diretamente em corrupção, cujo índice de aprovação é de apenas 9%, mas a cúpula administrativa tenta desconhecer essa realidade. A atividade econômica continua estagnada, com desemprego ainda crescente, a desindustrialização é uma realidade palpável, a dívida pública segue aumentando de forma assustadora, deveria estar despertando uma preocupação absurda, mas  vive-se num país do faz-de-conta, no qual o governo finge que não está acontecendo nada de errado e tenta propagar que tudo ser resolverá num passe de mágica, bastando reformar a Previdência e diminuir direitos trabalhistas, vejam que desfaçatez.
PRA QUE FINGIR? – Como perguntava Noel Rosa, “pra que fingir?”.  Afinal, por que o novo governo não aproveitou a oportunidade surgida com o impeachment da presidente Dilma Rousseff para construir um projeto de recuperação nacional, no estilo tão bem introduzido por Itamar Franco, que em 1992 conclamou todos os partidos a participar, e apenas o PT ficou de fora com seus aliados, e alguns depois se arrependeram, como o PCdoB.
Michel Temer tentou seguir o exemplo de Itamar e abriu o leque partidário, mas a grande diferença é que se cercou de grande número de corruptos e entregou a gestão econômico-financeira a um representante dos banqueiros, e tudo isso em nome de uma governabilidade que não existe, pois o governo atualmente se dedica a comprar por 30 dinheiros a consciência de deputados, em meio a pressões e ameaças públicas.
NÃO HÁ DEBATE – A maior dificuldade é que não há debate verdadeiro sobre os grandes problemas nacionais, com o governo explorando ao máximo a tese de que a estatística é a arte de torturar os números até que eles confessem o resultado que se pretende obter. No caso da Previdência, por exemplo, o governo apresenta ao Congresso e à opinião pública uma conta altamente manipulada, na qual somente entra a arrecadação das contribuições de trabalhadores e empresas, sem levar em conta as demais receitas constitucionais da Previdência Social (art. 195), como Cofins, Contribuição Social, Loterias e importação de bens e serviços.
Deveria haver debates, mas seria necessário que fossem precedidos de auditorias. Mas o governo Temer, que assumiu o poder em meio à maior crise da História, não providenciou nenhuma auditoria, seja na Previdência, no Banco do Brasil, na Caixa Econômica, na Petrobras, na Eletrobras, na Receita Federal, no BNDES, nada, nada. Também não demonstrou o menor interesse em auditar a dívida pública, principal responsável pelo engessamento da economia, porque isso não interessa aos bancos, que no Brasil cobram cerca de 500% de juros anuais em atraso de cartão crédito, para uma inflação que este ano está prevista para míseros 4%. Ou seja, o bancos atuam livremente na agiotagem oficial, como se não existisse governo.
QUE PAÍS É ESSE? – O Brasil é tudo isso e muito mais. Quinto país em população e território, na verdade tem o maior potencial, porque Rússia, Canadá, Estados Unidos e China são visitados anualmente pelo chamado General Inverno. Possui as mais extensas áreas agricultáveis do planeta, em condições ideais de luminosidade (duas ou mais safras anuais, dependendo da cultura), com maior volume de água doce em bacias hidrográficas e aquíferos. Riquezas minerais ainda incomensuráveis, a maior biodiversidade do planeta, uma indústria muito diversificada, mão de obra especializada e barata, é um nunca-acabar de potencialidades.
Então, por que o país não dá certo. Ora, é por causa da baixa qualidade de seus governantes, que não sabem planejar nada. Há cerca de 40 anos não se traça um programa de planejamento econômico-social. A exceção ocorreu em 2003, quando Carlos Lessa e Darc Costa, ao comandaram o BNDES no início do governo Lula, chegaram a planejar o país e plantaram os alicerces que levaram a economia a altos patamares de crescimento. Mas os dois grandes gestores foram afastados, para que Lula pudesse transformar o BNDES num braço político do PT, em seu sonho/pesadelo de eternidade no poder. Foi isso que aconteceu.


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