Matéria publicada nesta terça-feira (21) no jornal norte-americano The Wall Street Journal, conta que várias multinacionais e experientes titãs do mundo dos negócios saíram em defesa, ontem, da permanência do Reino Unido na União Europeia, ressaltando a expectativa de vários líderes corporativos de que haveria muito a perder caso o referendo desta semana decida pela saída britânica do bloco. Com as pesquisas mostrando uma votação muito apertada na quinta-feira e com desfecho difícil de prever, muitos dos maiores empregadores do país têm, nas últimas semanas, redobrado seus esforços para dar abertamente seu apoio ao voto de permanência na UE. Entre outras questões, eles citam a incerteza que seria criada no caso da vitória da “saída” do bloco, a chamada “Brexit”, em termos de regulação, comércio e imigração, o que afetaria seus negócios. Há tanto em jogo nesse referendo que uma vantagem minúscula da campanha para a permanência dos britânicos na UE, sugerida nas pesquisas mais recentes, provocou enormes oscilações nos mercados globais ontem. Ações, títulos e moedas, de Sydney a Toronto, reagiram furiosamente, num prenúncio de mais volatilidade para os próximos dias.

O Journal fala em seu texto que John Browne, ex-diretor-presidente da petrolífera britânica BP PLC, argumentou, num artigo opinativo publicado no The Wall Street Journal, que uma saída tornaria o Reino Unido menos atraente para parceiros comerciais internacionais, como os Estados Unidos, e outros países europeus. Browne é agora o presidente do conselho executivo da L1 Energy, um veículo de investimento financiado pelo bilionário russo Mikhail Fridman. A gigante de bebidas Diageo PLC enviou ontem uma carta para seus 4.773 funcionários britânicos, a maioria deles trabalhando na Escócia, na qual afirmou que permanecer na UE era bom para a fabricante do uísque Johnnie Walker porque isso facilita o acesso ao mercado comum europeu. Richard Branson, fundador do conglomerado Virgin Group, que tem mais de 50 mil empregados no Reino Unido, também lançou ontem uma campanha em apoio à permanência.
A Sociedade de Fabricantes e Negociantes de Carros do Reino Unido, entidade que representa o setor automotivo britânico, publicou uma carta aberta ontem defendendo o voto na permanência. A carta incluía a aprovação de executivos da BMW AG, Toyota Motor Corp. e da marca britânica Vauxhall, da General Motors Co.
Ainda assim, mesmo na indústria automotiva, onde muitos executivos deram apoio vigoroso à permanência, há vozes dissidentes. Tim Tozer, ex-presidente do conselho da Vauxhall, citou a forte posição da Alemanha no mercado automobilístico britânico, dizendo que, com a vitória da Brexit, haverá um grande incentivo para que seja negociado rapidamente um acordo de livre comércio entre o Reino Unido e a UE. “Os riscos da saída, da forma apresentada pelos que desejam permanecer, são exagerados e subestimam o simples fato de que será do interesse e da capacidade dos dois lados negociar rapidamente um acordo mutualmente satisfatório”, disse Tozer em entrevista ao WSJ.
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