Ao amanhecer do dia 22 de abril de
1500, ouviu-se da esquadra cabralina esta frase que rende frutos até hoje. Não se
sabe se foi Pedro Álvares Cabral, comandante da expedição, ou um marinheiro que
estava na proa da nau. Iniciou-se naquele dia os infortúnios, mazelas, utopias do futuro povo brasileiro.
A história social, política e
econômica do Brasil é marcada por divisão, exploração, corrupção, burocracia e incompetência,
herdada da colonização portuguesa. Periodicamente, setores são privilegiados em
detrimento de outros, provocando conflitos e mudanças diversas na sociedade.
Desde que o Brasil é Brasil, esta
reengenharia de se "redescobrir" faz parte do País! Crises acompanham
o vaivém de evolução e involução em todos os setores. Tráfico dos negros
africanos, escravidão, exploração de minérios, são tantas desventuras que é
difícil rememorá-las; mas cito a primeira - a grande crise ocorrida em 1822,
quando D. Pedro I proclamou a Independência. Na época, o País estava em crise
profunda por causa das baixas exportações de açúcar.
Em 1930, Getúlio Vargas dá um golpe
de estado! Seus quinze anos de governo, com poderes ditatoriais,
caracterizaram-se pelo nacionalismo e populismo. O Congresso é fechado e é
instalado o Estado Novo. Mas foi
na era Vargas que o Brasil começou a crescer; criou-se a Petrobras, Eletrobras,
a CLT, valorizando o trabalhador
brasileiro...
Porém foi em 1956 que Juscelino
Kubitschek deu um choque de progresso e tirou o País da condição de agrário e
esquecido do mundo para se tornar a nação do futuro. Com estilo inovador, metas
ambiciosas e bem planejadas, traduzidas no slogan “50 anos em cinco”, o País
alavancou e cresceu como nunca.
O Brasil com o golpe militar de 1964
se viu às voltas com a ditadura!,
mas continuou crescendo a ritmos extraordinários! Foi neste período que o
Brasil expandiu sua infraestrutura criando condições para o avanço da economia.
Em 1985, com a
volta da democracia, vimos um sem-número de presidentes desorientados,
implantando planos econômicos mirabolantes! Com a economia amalucada, inflação
desgovernada, o rico ficava mais rico a classe média pobre e os demais abaixo
da linha da pobreza.
Este
cenário só foi revertido em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso consolida o
Plano Real e implementa outras reformas, estabilizando finalmente a economia. É
quando voltamos a crescer de forma
sustentável.
Em 2002, Lula é eleito presidente. Inicia-se
o processo de involução nacional em "todos os sentidos". Sua
sucessora, Dilma Rousseff, quebra o Brasil. Tudo que se escrever sobre o
governo do PT é pouco para se falar do mal que foi feito ao Brasil e ao povo em
"todos os sentidos"!
Michel Temer assumiu a presidência, interinamente,
em 13 de maio de 2016, após o processo de impeachment de Dilma. Nestes 30 dias,
pouco pode-se falar, mas como ele salvará o Brasil deixado pelo mais
desastroso, corrupto e incompetente governo da era republicana? Apesar da sua
experiência, terá capacidade para administrar e liderar uma equipe de peso para
a salvação nacional? Como fará isso no meio desta sujeira política e de
políticos imundos, corruptos e interesseiros?! O risco é relevante, mas qualquer forma de governar vale a pena, pois
será muito melhor do que o anterior!
O atual momento não é para meia
solução. Temer monta uma equipe econômica boa, e um ministério "do mais do
mesmo"! Estamos vivendo uma crise dentro de outra. A primeira é o do
impeachment. A outra é bem pior, que é a origem de tudo, o colapso do sistema político redigido na Constituição
de 1988. Para resolver, é fundamental reformas profundas - previdenciária,
trabalhista, tributária, fiscal... -, sobretudo e especialmente, a "reforma
política", que será muito difícil alterar, justamente por termos
os políticos interesseiros que temos.
O presidencialismo no Brasil
fracassou. Da 2ª era Vargas até hoje, (menos 21 anos do regime militar), em 51
anos só cinco presidentes terminaram seus mandatos. Na redemocratização - após golpe
de 1964 -, em 25 anos, dois presidentes sofreram o impeachment, disse Rubens Ricupero.
Caso a "reforma política"
não aconteça até o fim do ano, ou até o fim do governo Temer, o Brasil crescerá
economicamente, mas continuará num mar de lamas, com malandragem, corrupção, e
tudo voltará a ser como era, infelizmente!
Sérgio
Belleza é administrador, empresário, consultor e autor dos livros, Caminhado
com Walkyria e Ascensão e Queda de um Império Econômico.
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