MEDIÇÃO DE TERRA

MEDIÇÃO DE TERRA
MEDIÇÃO DE TERRAS

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Terra à vista...




            Ao amanhecer do dia 22 de abril de 1500, ouviu-se da esquadra cabralina esta frase que rende frutos até hoje. Não se sabe se foi Pedro Álvares Cabral, comandante da expedição, ou um marinheiro que estava na proa da nau. Iniciou-se naquele dia os infortúnios, mazelas, utopias do futuro povo brasileiro.
            A história social, política e econômica do Brasil é marcada por divisão, exploração, corrupção, burocracia e incompetência, herdada da colonização portuguesa. Periodicamente, setores são privilegiados em detrimento de outros, provocando conflitos e mudanças diversas na sociedade.
            Desde que o Brasil é Brasil, esta reengenharia de se "redescobrir" faz parte do País! Crises acompanham o vaivém de evolução e involução em todos os setores. Tráfico dos negros africanos, escravidão, exploração de minérios, são tantas desventuras que é difícil rememorá-las; mas cito a primeira - a grande crise ocorrida em 1822, quando D. Pedro I proclamou a Independência. Na época, o País estava em crise profunda por causa das baixas exportações de açúcar.
            Em 1930, Getúlio Vargas dá um golpe de estado! Seus quinze anos de governo, com poderes ditatoriais, caracterizaram-se pelo nacionalismo e populismo. O Congresso é fechado e é instalado o Estado Novo. Mas foi na era Vargas que o Brasil começou a crescer; criou-se a Petrobras, Eletrobras,  a CLT, valorizando o trabalhador brasileiro...
            Porém foi em 1956 que Juscelino Kubitschek deu um choque de progresso e tirou o País da condição de agrário e esquecido do mundo para se tornar a nação do futuro. Com estilo inovador, metas ambiciosas e bem planejadas, traduzidas no slogan “50 anos em cinco”, o País alavancou e cresceu como nunca. 
            O Brasil com o golpe militar de 1964 se viu às voltas com a ditadura!, mas continuou crescendo a ritmos extraordinários! Foi neste período que o Brasil expandiu sua infraestrutura criando condições para o avanço da economia.
Em 1985, com a volta da democracia, vimos um sem-número de presidentes desorientados, implantando planos econômicos mirabolantes! Com a economia amalucada, inflação desgovernada, o rico ficava mais rico a classe média pobre e os demais abaixo da linha da pobreza.
            Este cenário só foi revertido em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso consolida o Plano Real e implementa outras reformas, estabilizando finalmente a economia. É quando voltamos  a crescer de forma sustentável.
            Em 2002, Lula é eleito presidente. Inicia-se o processo de involução nacional em "todos os sentidos". Sua sucessora, Dilma Rousseff, quebra o Brasil. Tudo que se escrever sobre o governo do PT é pouco para se falar do mal que foi feito ao Brasil e ao povo em "todos os sentidos"!
            Michel Temer assumiu a presidência, interinamente, em 13 de maio de 2016, após o processo de impeachment de Dilma. Nestes 30 dias, pouco pode-se falar, mas como ele salvará o Brasil deixado pelo mais desastroso, corrupto e incompetente governo da era republicana? Apesar da sua experiência, terá capacidade para administrar e liderar uma equipe de peso para a salvação nacional? Como fará isso no meio desta sujeira política e de políticos imundos, corruptos e interesseiros?! O risco é relevante, mas qualquer forma de governar vale a pena, pois será muito melhor do que o anterior!
            O atual momento não é para meia solução. Temer monta uma equipe econômica boa, e um ministério "do mais do mesmo"! Estamos vivendo uma crise dentro de outra. A primeira é o do impeachment. A outra é bem pior, que é a origem de tudo, o colapso do sistema político redigido na Constituição de 1988. Para resolver, é fundamental reformas profundas - previdenciária, trabalhista, tributária, fiscal... -, sobretudo e especialmente, a "reforma política", que será muito difícil alterar, justamente por termos os políticos interesseiros que temos.
            O presidencialismo no Brasil fracassou. Da 2ª era Vargas até hoje, (menos 21 anos do regime militar), em 51 anos só cinco presidentes terminaram seus mandatos. Na redemocratização - após golpe de 1964 -, em 25 anos, dois presidentes sofreram o impeachment, disse Rubens Ricupero.
            Caso a "reforma política" não aconteça até o fim do ano, ou até o fim do governo Temer, o Brasil crescerá economicamente, mas continuará num mar de lamas, com malandragem, corrupção, e tudo voltará a ser como era, infelizmente!
             Sérgio Belleza é administrador, empresário, consultor e autor dos livros, Caminhado com Walkyria e Ascensão e Queda de um Império Econômico.

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