Deputado do PMDB afirma que relator é ligado ao presidente da Câmara
Embora publicamente demonstre indiferença à escolha de Fausto Pinato (PRB-SP) para a relatoria do processo de cassação no Conselho de Ética, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), está aliviado com o resultado. Assim como Cunha, Pinato é evangélico e pertence a um partido de sustentação do presidente da Casa, mesmo com as denúncias no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na avaliação de um deputado do PMDB, que falou com o JB sob a condição de anonimato, Fausto Pinato "é ligado ao homem (Eduardo Cunha), por isso ele (Cunha) ficou aliviado", confidenciou. Na opinião do parlamentar, nem mesmo o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), está muito confiante com a escolha feita.

"O Araújo se preveniu. Como ele sabe que Russomanno é forte candidato à Prefeitura de São Paulo em 2016, ele o tornou avalista do resultado. Se não vingar (o processo de cassação), a bomba estoura no colo do Russomanno, que pode sofrer com a opinião pública", afirmou Chinaglia.
Após a divulgação do resultado, Araújo deu entrevista coletiva e, visivelmente sem argumentos muito sólidos, justificou sua escolha pelo fato de Pinato ser advogado e ter sido assessor parlamentar na Casa. Com seu primeiro mandato eletivo assumido há menos de um ano, o deputado do PRB tem pouco trânsito no Congresso. Mas a decisão do presidente do conselho foi interpretada como sensata: da lista tríplice, Vinicius Gurgel (PR-AP) tem ligação conhecida com Cunha e comemorou enfaticamente sua eleição, em fevereiro, ao passo que Zé Geraldo (PT-BA) pode provocar a fúria do presidente da Câmara e piorar as relações do Legislativo com o Planalto.
Em entrevista, também na tarde desta quinta-feira (5), Pinato afirmou que foi garantido a ele por seu partido que não haverá nenhum tipo de intervenção ou direcionamento. O relator disse, ainda, que "existe uma grande possibilidade de aceitar a denúncia", mas que preferiria ter tempo para analisar os autos do processo.
A representação contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética foi assinada por cerca de 50 parlamentares liderados pelo Psol e metade da bancada do PT, além de outros partidos, e acusa o presidente da Casa de quebra de decoro parlamentar por ter negado na CPI da Petrobras, em março, que tivesse contas secretas fora do país. Há menos de um mês, a Promotoria da Suíça confirmou as contas e enviou as informações à PGR, no Brasil, que apresentou denúncia no Supremo contra o deputado.
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