No pedido de HC, José Dirceu alegou que, aos 70 anos, está no
"crepúsculo da vida". A foto acima é de 2013, quando o mensaleiro tinha
68 anos.
(Globo) O Tribunal Regional Federal, da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre,
negou nesta sexta-feira o pedido de habeas corpus preventivo solicitado pela defesa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu,
com objetivo de evitar que ele seja preso na Operação Lava-Jato. O
pedido foi feito na quinta-feira pelos advogados de Dirceu depois que o
lobista Milton Pascowitich disse que os pagamentos que fez ao
ex-ministro eram propina e não resultado de consultorias como ele
alegava.
Os advogados de Dirceu entraram com o pedido de habeas corpus
preventivo alegando que o petista está na “iminência de sofrer
constrangimento ilegal”. A defesa do ex-ministro - liderada pelo
advogado Roberto Podval - pediu que o tribunal concedesse “ordem de
habeas corpus, evitando-se o constrangimento ilegal e reconhecendo o
direito do paciente de permanecer em liberdade”.
O
TRF-4, no entanto, não aceitou o argumento. Segundo o juiz Nivaldo
Brunoni, que negou o pedido, “o mero receio da defesa não comporta a
intervenção judicial preventiva”. De acordo com o magistrado, o fato de
Dirceu ser investigado e apontado no depoimento de Pascowitch não
resultará necessariamente na sua prisão processual. “Até mesmo em face
do registro histórico, as prisões determinadas no âmbito da Operação
Lava- Jato estão guarnecidas por outros elementos comprobatórios do que
foi afirmado por terceiros”, avaliou.
No seu despacho, ponderou também que “as considerações da defesa
assumem natureza eminentemente teórica, sendo inviável antecipar
eventuais fundamentos invocados pelo juiz Sérgio Moro para a decretação
da segregação cautelar, se isto de fato ocorrer”.
Brunoni justificou, além disso, que o segredo de Justiça decretado no
habeas corpus teve por objetivo evitar que ocorressem problemas no
sistema do processo eletrônico, tendo em vista o excessivo acesso
ocorrido em outro documento preventivo impetrado na última semana em
favor do ex-presidente Lula.
A defesa de Dirceu pretende recorrer da decisão no próprio TRF-4.
Podval disse que apresentará um agravo regimental para que o habeas
corpus seja julgado por um colegiado.
— Não discuto (a decisão de Brunoni). Vejo com naturalidade, mas
discordo. Vamos recorrer ao próprio tribunal e ver como será a decisão
do colegiado — afirmou o advogado do ex-ministro.
PEDIDO CITOU FILÓSOFO E DESCREVEU CARREIRA
A
petição do ex-ministro foi feita em 40 páginas e descreveu a carreira
política de Dirceu, adotando um tom dramático ao falar sobre o medo de
prisão que tem acompanhado o ex-ministro desde que o seu nome aparecer
nas investigações da Lava-Jato.
“Hoje, no crepúsculo de sua vida, já com 70 anos, após ter sido
processado, condenado, preso e estar cumprindo pena em regime aberto,
tudo sob o acompanhamento incansável da imprensa, o paciente vê-se
citado e enredado em nova investigação, agora, porém, sem a perspectiva
de viver para ver sua sentença final”, diz um trecho da petição.
O documento começava com uma citação denominada “A Tirania do Medo”,
do filósofo e matemático galês Bertrand Russell. Na sequência, também é
reproduzida a pergunta publicada na quarta-feira no site dos jornalistas
Diogo Mainardi e Mário Sabino: “Dirceu será preso nesta semana ou na
próxima?”
Podval disse que, ao consultar Dirceu sobre a ideia do habeas corpus,
o ex-ministro não manifestou preocupação com a possibilidade de os
adversários políticos usarem o fato como uma confissão de culpa. — Sou
advogado e não político. Minha visão é pragmática com relação à
Justiça. Há um risco de prisão, ainda que ilegal e injusta — afirmou o
defensor.
Na petição, os advogados afirmam que Dirceu, investigado por receber
dinheiro de empreiteiras envolvidas na operação Lava-Jato, atendeu, por
meio de sua consultoria, a mais de “60 clientes de 20 setores diferentes
da economia, como indústrias de bens de consumo, telecomunicações,
comércio exterior, logística, tecnologia da informação, comunicações e
construção civil”.
Afirmam ainda que Dirceu foi surpreendido por saber, por meio da
imprensa, que seu nome “havia sido enredado na assim denominada Operação
Lava-Jato”. Alegam que o ex-ministro colaborou com informações nas
investigações e que sempre esteve à disposição para prestar depoimento.
Argumentam ainda que Dirceu não apresenta risco de fuga porque, quando
foi condenado no julgamento do mensalão, se apresentou espontaneamente
para cumprir a pena. Ressalta também que neste momento ele cumpre a pena
em regime aberto, em Brasília.
A empresa do ex-ministro, a JD Consultoria faturou, entre 2006 e
2013, um total de R$ 29 milhões, dos quais R$ 8 milhões de empreiteiras
envolvidas na operação Lava-Jato, como a OAS, Engevix, Galvão
Engenharia, Camargo Corrêa e UTC. Somente a Jamp, de Milton Pascowitch
pagou R$ 1,4 milhão a Dirceu. Desse total, R$ 400 mil foram pagos como
entrada do imóvel onde estava instalada a sede da JD, na avenida
República do Líbano, em São Paulo.
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