Como
é mesmo aquela frase que virou meme na Internet, do filme “O Sexto
Sentido”? Lembrei: “I see dead people”. Eu vejo gente morta. Os petistas
ficam bravos quando faço essa graça. Mas o que me resta? A presidente
Dilma beija a lona; sua popularidade, segundo o Ibope, chegou a 9%, mais
baixa do que a de Collor e Sarney, e o Zumbi-chefe não sossega. Sai
assombrando a sua sucessora país afora. Na semana passada, foi a
Brasília brincar de presidente informal da República e produziu alguns
desastres.
Nesta sexta,
num discurso a integrantes da FUP (Federação Única dos Petroleiros), um
dos aparelhos do PT, o Babalorixá de Banânia resolveu aconselhar a
sucessora:
“Acho que ela [Dilma] tem a noção exata do que eu estou falando. Ela conviveu muito tempo comigo e sabe que, nas horas difíceis, nas horas mais difíceis, não tem outra alternativa a não ser encostar a cabeça no ombro do povo e conversar com ele. Explicar quais são as dificuldades e quais são as perspectivas”.
“Acho que ela [Dilma] tem a noção exata do que eu estou falando. Ela conviveu muito tempo comigo e sabe que, nas horas difíceis, nas horas mais difíceis, não tem outra alternativa a não ser encostar a cabeça no ombro do povo e conversar com ele. Explicar quais são as dificuldades e quais são as perspectivas”.
Percebam o
“conviveu comigo e sabe…”. O cara realmente se considera a fonte
original de toda a sabedoria e de todo o bem. É professor de Deus. Lula
se refere, claro!, ao momento pós-mensalão, quando saiu vociferando por
aí que se tratava apenas de um “golpe”. A propósito, faz 10 anos que
ele prometeu contar a verdade verdadeira sobre aquilo tudo. Estamos até
agora esperando.
O Zumbi não
se deu conta de que o tempo passou. Acha que dá para levar o povo na
conversa. Segundo disse à turma da FUP, eis o caminho para a presidente:
“A Dilma é boa de papo. Se ela andar e depois abraçar o povo — tem que abraçar, sentir —, é essa coisa que dá oxigênio. Quando fica em Brasília esperando… puta merda! Tem que andar agora. Pegar os ministérios e oh, todo mundo fazendo política na estrada, todo mundo defendendo o governo.”
“A Dilma é boa de papo. Se ela andar e depois abraçar o povo — tem que abraçar, sentir —, é essa coisa que dá oxigênio. Quando fica em Brasília esperando… puta merda! Tem que andar agora. Pegar os ministérios e oh, todo mundo fazendo política na estrada, todo mundo defendendo o governo.”
Esse negócio
de “abraçar e sentir” o povo é próprio de uma concepção autoritária de
poder, pautada apenas pelo carisma e pelos instintos, digamos,
primitivos. Lula sempre foi um atentado contra a razão e contra a
lógica. E deu certo porque mesmerizou a inteligência, primeiro, dos
formadores de opinião. Tornado herói, foi embalado por circunstâncias
positivas e se tornou um mito.
Não se deu
conta, porque mortos que ignoram a própria condição não recebem o recado
da vida real, de que o momento é outro e de que a máquina petista levou
a capacidade do estado brasileiro ao osso e, em nome da popularidade,
comprometeu o futuro. Quando esse futuro virou presente, caiu no colo de
Dilma.
No discurso,
o chefão petista vituperou também contra a Operação Lava Jato. O homem
que chefiou o partido que se fez chamando os adversários de ladrões, de
construtores de heranças malditas, de inimigos do povo, esse homem
agora diz: “Eu denunciei isso no Ministério da Justiça em dezembro. (…) A
pessoa só pode ser chamada de ladrão a hora que provar que é ladrão.
Não pode criminalizar antes de provar e antes de ela ser julgada”.
É mesmo?
Ainda escreverei a respeito. Mas essa cultura do pega-pra-capar é uma
das heranças do petismo. Lembro que, no último ano do governo FHC, o PT
entrou um pedido de CPI acusando 45 casos de corrupção no país. Sim, 45,
o número do PSDB.
Lula não percebeu que chegou a hora de ele e de seu partido serem vítimas do espírito talibã que eles próprios criaram.
Condenar
primeiro para investigar depois, Luiz Inácio, é um primado do direito
segundo o entendimento de Luiz Inácio. E eu vou demonstrar isso em
outros posts.
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