Agência Brasil/Reprodução
Fernando Pimentel
A Operação Acrônimo, da Polícia Federal, investiga repasses feitos pelo
BNDES para empresas de comunicação que teriam como beneficiário o
governador de Minas, Fernando Pimentel. Segundo relatório da PF
encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça, ao qual o Hoje em Dia teve
acesso, as operações eram intermediadas pela empresa Oli Comunicação, de
propriedade da primeira dama do Estado, Carolina de Oliveira. Na época
dos fatos, Pimentel era ministro de Desenvolvimento, Indústria e
Comércio, ao qual o BNDES é subordinado.
Conforme informações da PF, "o pagamento de vantagem indevida, por
empresas que se relacionavam com o BNDES, ao então ministro utilizava
interpostas pessoas - Oli Comunicação e Carolina Oliveira". Segundo o
relatório, causa estranhamento a contratação da Oli por elevados valores
considerando tratar-se de empresa sem grande renome no mercado.
Durante toda a sua existência, a Oli Comunicação teve somente um
empregado registrado (entre 1/06/2012 e 21/08/2014), o qual recebeu como
último salário R$ 1.096. Conforme a PF, "não é usual que uma empresa
que recebe pagamentos da ordem de mais de R$ 100 mil por mês apenas de
um cliente possa executar uma contraposição de valor agregado tão
elevado somente com o labor de uma sócia-administrativa e mais um
empregado".
Apenas a empresa MR Consultoria fez pagamentos à Oli, de 2012 a 2014,
num total de R$ 2,4 milhões (uma média de R$ 800 mil por ano) por
suspostos serviços de consultoria de comunicação e imprensa.
À época dos fatos apurados pela Polícia Federal, Carolina de Oliveira
era uma jornalista de menos de 30 anos de idade e cuja experiência
profissional limitava-se a vínculos com o grupo FSB Comunicação (de 2005
a 2009), e cujo maior salário foi de R$ 4.603.
"Tal situação só começou a se modificar após o vínculo de cerca de dez
meses como assessora do presidente do BNDES, no período de fevereiro a
dezembro de 2011. À época dos repasses do banco à empresa de comunicação
de Carolina, Fernando Pimentel ocupava o cargo de ministro do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio", diz o relatório.


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